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Artigo

PERGUNTE E RESPONDEREMOS 346 – março 1991

 

A Nova Árvore da Vida

 

O mês de março é o mês de Quaresma e Páscoa, durante o qual o cristão procura aprofundar o sentido dos tempos que ele celebra. Para ajudá-lo, a Tradição cristã propõe historietas certamente lendárias, aptas, porém, a ilustrar as grandes verdades da fé.

 

Entre outras, narra-se que, quando o pai Adão estava para morrer, enviou seu filho Sete (cf. Gn 4,25) à porta do paraíso, a fim de pedir ao Querubim que o guardava (cf. Gn 3,24), um fruto da árvore da vida; seria o antídoto da morte que o ameaçava. O anjo respondeu ao menino que não lhe podia dar o fruto desejado, pois Adão incorrera na sentença de morte e era justo que a sofresse. Todavia dar-lhe-ia um raminho da árvore da vida; quando o pai morresse, o menino o plantaria sobre o túmulo do falecido; estivesse certo — acrescentava o anjo — de que, quando tal raminho crescesse e desse fruto, o pai Adão reviveria! Assim fez o menino. E a predição do anjo se cumpriu!

 

Que significa esta estória?

 

— O Evangelho afirma que Jesus foi crucificado no Gólgota — o que em hebraico quer dizer: "Lugar da Caveira" (cf. Jo 19,17). Que caveira era essa? — A lenda diz que era a do pai Adão. . . A Cruz de Cristo plantada sobre o monte da Caveira é simbolizada pelo ramo da árvore da vida, que Sete terá plantado sobre o túmulo de seu pai. Quando esse ramo ( = a Cruz) deu seu fruto (= o sangue de Cristo derramado sobre o túmulo e a caveira de Adão), o Homem reviveu, isto é, recuperou a estrada da vida eterna; Cristo é o novo ou o segundo Adão (Rm 5,12-19; 1Cor 15,45-49), que restitui ao gênero humano a vida perdida pelo primeiro Adão.

 

O significado positivo da lenda em foco consiste em ilustrar a recapitulação realizada na plenitude dos tempos (cf. Ef 1,9s). Com efeito; a história da salvação decorre entre dois eixos ou dois homens compendiosos: o primeiro e o segundo Adão. O primeiro é pai para a morre; o segundo é pai para a vida; a árvore da vida perdida no paraíso é resgatada pela Cruz de Cristo, nova árvore da vida; a primeira Eva, que acompanhava Adão, é recuperada pela segunda Eva; o nome desta "Mãe da Vida" só se realiza plenamente em Maria Santíssima, pela qual o Senhor da vida entrou no mundo.

 

Ora a existência do cristão é a miniatura da história universal ou a passagem do primeiro para o segundo Adão. Nasceu de seus genitores, descendentes do primeiro, e renasceu, pelo Batismo, do segundo Adão. Importa-lhe, durante a sua peregrinação terrestre, morrer para a desordem herdada do primeiro Adão e dar espaço crescente à vida do segundo, recebida no Batismo. — A Quaresma é o tempo forte em que esta ascese (exercício) se efetua, a fim de que no domingo de Páscoa o fiel cristão possa celebrar a vitória do segundo Adão sobre o pecado e a morte não só na Liturgia, mas também em sua existência pessoal!

 

Dom Estêvão Bettencourt (OSB)


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