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Artigo

PERGUNTE E RESPONDEREMOS 508 – outubro 2004

 

A PÉROLA PRECIOSA

(Mt 13, 45s)

 

Jesus compara o Reino dos Céus a uma pérola preciosa que um mercador descobriu e adquiriu em troca de todos os seus bens (Mt 13, 45s).

 

Era muito caro aos antigos o simbolismo da pérola, pois ela é algo de misterioso: muito bela, mas escondida no mar, dentro de urna ostra. Os antigos eram levados a crer que tal realidade resultava de um portento,... portento que ocorre quando um raio de sol consegue penetrar na água do oceano e a torna fecunda. A pérola assim seria o fruto do casamento do fogo com a água; aí estaria a explicação do seu valor.

 

Transpondo este simbolismo para a esfera cristã, verificamos que tem muitos significados. Antes do mais, diremos que Cristo é a pérola preciosa por excelência, pois tem origem na união de Deus Filho todo-poderoso com a frágil natureza humana, união na qual ele é o Esposo e ela a esposa.

 

O Reino dos céus - que tem início no coração de cada cristão - prolonga o portento, apresentando dois aspectos:

 

1) é paradoxal, como paradoxal é, para "o bom senso humano", o plano de Deus. Diria São Paulo: "Trazemos um tesouro em vaso de argila" (2Cor 4, 7). É o Imortal dentro do mortal, o Novo dentro do velho, o Já dentro do ainda não.

 

2) A pérola está oculta dentro de uma concha no fundo do mar, de modo que só quem olha em profundidade a descobre. Isto quer dizer que somente a fé percebe o tesouro latente no íntimo do cristão; a mera razão humana não o alcança.

 

Quem toma consciência de que existe esse tesouro latente no íntimo do fiel cristão, fará como fez o mercador da parábola: com grande alegria trocará tudo o que lhe esteja à disposição por aquela pedra preciosa; trocará a multiplicidade dispersiva pela unidade e, embora aparentemente empobrecido, saberá estar mais rico do que antes. Há várias vias ou vocações (o matrimônio, a vida consagrada, o ministério sacerdotal...) para chegar ao pleno gozo da pérola preciosa, mas existe uma só meta para todos. A caminhada pode ter seus momentos difíceis, pois implica orientar-se por valores que os olhos não veem. Acode, porém, o Apóstolo observando: "O que se vê, é passageiro; o que não se vê, é eterno" (2Cor 4, 18). Muito sabiamente diz o Apóstolo três vezes: "O justo vive da fé" (Rm 1,17; Gl 3,11; Hb 10, 38). De resto, o tesouro oculto vai-se revelando aos poucos a todo coração sincero e fiel, de tal modo que, ainda caminheiro, o cristão antegoza, de algum modo, a fruição do eterno.

 

O mês de outubro é o mês do Rosário. Seja cada conta do Rosário o penhor de que o(a) orante mais e mais descobrirá a pérola preciosa que está latente no fundo desse mar que é a Igreja (início do Reino) e que é também o fundo do coração do cristão!

 

 

Dom Estêvão Bettencourt (OSB)


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