REVISTA PeR (2532)'
     ||  Início  ->  
Artigo

PERGUNTE E RESPONDEREMOS 529 – julho 2006

Caso de consciência:

 

PARTICIPAR DA EUCARISTIA SERVINDO AO MINISTÉRIO DE MÚSICA?

 

A Redação de PR recebeu o pedido de resposta para o caso que vai abaixo relatado.

Meu nome é... (48 a) e fui casada 22 anos, sendo que, em Novembro de 2005, me separei judicialmente, onde aguardo pela sentença homologada, direito de me divorciar no tempo de 1(um) ano da data da separação. Participo assiduamente de minha Paróquia, Nossa Senhora do Carmo de ... e sou integrante de um Ministério de Música onde participo dos Movimentos de evangelização, Grupo de Oração, e Missas, já há três anos e meio. Anteriormente a este período já participava também de outro ministério de Música há 9 anos, na Paróquia, ministrando a música através do canto e tocando teclado.

 

Hoje, separada tenho um relacionamento com uma pessoa (51 a), que também participa do mesmo Ministério de Música da minha paróquia, também separado, há aproximadamente 7 meses. Ele participa na paróquia há 20 anos, sempre se dedicando inteiramente a todos os movimentos paroquianos, sendo pessoa que exerce cargo de responsabilidade em vários segmentos e movimentos da paróquia.

 

Pelo motivo do meu relacionamento com esta pessoa, nosso pároco nos procurou para uma conversa sobre nossa situação, onde esclarecemos que não vivemos juntos, que moramos separados, mas afirmamos que temos um compromisso sério de muito respeito e muito amor, e, não podendo evitar, decidimos assumir com toda a responsabilidade, perante nossos filhos, pois não gostaríamos que este relacionamento fosse escuso.

 

Nosso pároco, bem como o Coordenador do Grupo de Oração nos pediu que nos afastássemos do Ministério de Música, alegando que nosso relacionamento foi muito comentado pelos leigos, uma vez que se trata de um envolvimento um tanto precipitado por causa do tempo que estamos separados. Pediu-nos desta maneira que não participássemos das Missas e do Grupo de Oração cantando e tocando.

Pediu-nos também, para que não participássemos mais da Eucaristia.

 

Por obediência, acatamos, e estamos afastados, mas não estamos de acordo com esta posição em que a Igreja nos coloca. Por isso tomei a liberdade de enviar este e-mail, para que V. Sa., pudesse tirar minhas dúvidas, quanto ao não acolhimento da Paróquia, quanto à atitude de nosso Pároco em nos tirar do Ministério de Música, pois vai contra o que João Paulo II nos diz:

 

"Exorto vivamente os pastores e a inteira comunidade dos fiéis a ajudar os divorciados procurando, com caridade solícita, que eles não se considerem separados da Igreja, devendo, enquanto batizados, participar da sua vida" (Papa João Paulo II - FC n° 84).

 

Gostaria de uma resposta de V. Sa., e agradeço de coração sua atenção e disposição para poder tirar minhas dúvidas e acalmar meu coração.

 

EM RESPOSTA

 

Minha cara amiga, você, casada na Igreja Católica, está cedendo a uma prática incompatível com seu casamento. O divórcio civil não desfaz o vínculo do sacramento do Matrimônio.

 

Por isto sugiro-lhe o seguinte: 1) acabe logo com o namoro para ter a consciência pura diante de Deus e 2) vá procurar o tribunal eclesiástico de sua diocese para instaurar um processo que examine a validade ou não do seu casamento: Pode ser que, por ocasião do contrato matrimonial, houvesse um impedimento que tornasse nulo o casamento. Isto será investigado. Caso seja detectado esse impedimento, seu casamento será declarado nulo e você poderá casar-se na Igreja com uma pessoa solteira. Caso, porém, não tenha havido algum impedimento, seu casamento ficará sendo válido e você terá que levar vida casta a sós enquanto estiver vivo o seu marido.

 

Seu companheiro faça o mesmo em relação ao casamento dele.

 

O ministério de Música é importante, pois mantém você em contato com a Igreja. Mas, se gera escândalo na comunidade paroquial, não deve ser exercido. O Papa João Paulo II quer que as pessoas infelizes no seu casamento conservem a comunhão com a Igreja. Não poderão comungar se estiverem unidas em união ilegal, mas poderão trabalhar em setores que não impliquem docência explícita (assim a Pastoral do Menor abandonado, a das Favelas, a da Sopa aos Pobres...).

 

Seu pároco deve zelar pela comunidade, procurando atender aos legítimos anseios de uns e outros - o que não é fácil - fique em contato com ele.

 

Lembre-se bem, minha cara amiga: Deus nunca impõe um preceito (no seu caso, para a castidade pós-conjugal), sem dar a graça necessária para que o cumpramos. Obedecendo-lhe, fortalecemos nossa fidelidade e mais nos santificamos. Ver 1Cor 10, 13.

 

 

Dom Estêvão Bettencourt (OSB)


Como você se sente ao ler este artigo?
Feliz Informado Inspirado Triste Mal-humorado Bizarro Ri muito Resultado
6 0
PUBLICAR - COMENTAR - EMAIL -  FACEBOOK 
-

:-)