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Artigo

PERGUNTE E RESPONDEREMOS 529 – julho 2006

 

NA TANZÂNIA: UM POLÍTICO SANTO

 

A Tanzânia é um dos países mais pobres do mundo. Resulta da fusão dos povos de Tanganika e Zanzibar. A sua economia depende, em grande parte, da agricultura, que lhe proporciona 58% do produto interno bruto (PIB); sustenta 85% das exportações e dá trabalho a 90% da mão de obra.

 

A União Nacional de Tanganika (TANU) era dirigida por Julius Neyerere. Em 1964, quando se deu a fusão, originando a Tanzânia, Nyerere tornou-se o primeiro Presidente da nova nação, que ele governou até 1995, estimulando a solidariedade dos seus compatriotas entre si. Uma das expressões mais significativas de seu caráter é a seguinte frase:

 

"Desejaria acender uma vela e colocá-la no topo do monte Kilimanjaro, para que iluminasse até mais além de nossas fronteiras, dando esperança aos que estão desesperançados, pondo amor onde há ódio e dignidade onde há humilhação".

 

Renunciou voluntariamente às suas funções políticas em 1995 e veio a falecer em 1999.

 

Após a sua morte em Londres, registraram-se diversas manifestações de homenagem ao falecido. Os seus funerais foram celebrados em Dar Assalaan, com a participação de quatorze chefes de Estado e setenta representantes de alto nível de outros países. Em sua homilia pronunciou-se o Cardeal Polycarp Pengo, declarando: "Foi filho da Igreja e terá seu lugar no paraíso". Seus restos mortais repousam em seu povoado natal, Butiama, perto do lago Vitória.

 

Não cedeu à corrupção, tão frequente nos ambientes políticos; promoveu a paz e a educação entre os pobres, usando de regime um tanto autoritário, que foi discutido por economistas do mundo ocidental. Quando Nyerere renunciou ao poder, a Tanzânia figurava entre os sete países mais pobres do mundo. Como quer que seja, Malimu Julius Nyerere é considerado um dos "país da pátria" da África, dado o muito que fez em prol da solidariedade das famílias e dos compatriotas em geral; estimulou o modo de vida tradicional, baseado na cooperação comunitária.

 

O processo de Beatificação do Servo de Deus está sob a direção do Bispo da diocese de Musoma, sendo Postulador da Causa o Pe. Wojciech Koscieiniak. A honrada figura desse homem de Estado confirma o que outros já demonstraram: não há incompatibilidade entre a política e a santidade de vida. Ser político é função de amor ao próximo, pois implica servir à população, até mesmo com a renúncia aos interesses pessoais, se isto é exigido pelo bem comum.

 

O processo teve início em Dar Assalaam, capital do país, com a aprovação da Congregação para as Causas dos Santos datada de 13 de maio de 2005. Aliás, já está concluído em nível diocesano, devendo passar para ulteriores instâncias, na espera do sinal de Deus que é o milagre.

 

Dom Estêvão Bettencourt (OSB)


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