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Artigo

PERGUNTE E RESPONDEREMOS 529 – julho 2006

Acusação preconceituosa:

 

6.000 ESQUELETOS DE RECÉM-NASCIDOS

 

Em síntese: Verifica-se mais uma vez a falsidade de acusações protestantes levantadas contra a Igreja Católica. O mesmo pretenso episódio escandaloso é narrado de duas maneiras que não combinam entre si.

 

Num panfleto protestante lê-se o seguinte:

 

"O papa Gregório VIII (1187) ordenou que se esvaziasse um grande aquário num convento de monjas em Roma. Foram ali encontrados aproximadamente seis mil esqueletos de recém-nascidos. Diante desse horror, o Papa Gregório VIII aboliu o celibato, mas seus sucessores o reinstituíram".

 

Quem lê esta notícia, talvez fique impressionado por quanto ela tem de escandaloso. Todavia é de notar que o mesmo episódio é narrado em outra fonte protestante com dados que não se compatibilizam com o relato acima. Essa incoerência dos relatos é sinal de que a notícia é discutível ou mesmo falsa.

Com efeito, numa crônica do comportamento de Lutero frente à Igreja Católica lê-se o seguinte:

 

"Lutero ao final de 1520 fez uso de uma notória fábula atribuída ao bispo Ulrich de Augsburg publicando-a (a fábula) em Wittemberg com seu prefácio. Essa publicação pretendia ser uma efetiva arma contra o celibato dos padres e dos Religiosos. Nessa carta o santo bispo é representado narrando como cerca de 3000 (de acordo com outros, 6.000) cabeças de crianças foram descobertas num reservatório de água do convento de freiras de São Gregório em Roma... Jérôme Emser desafiou Lutero a publicar essa questionável carta, e ele respondeu que não confiava muito nela (Sic). Todavia, graças ao seu patrocínio, a fábula pôde continuar sua destruidora carreira e foi zelosamente explorada''.

 

A propósito notem-se as diferenças. Gregório VIII governou a Igreja em 1187 durante 57 dias. A outra versão coloca o pretenso episódio no século anterior, pois Ulrico.de Augsburgo morreu em 973. Mais de cem anos separaram assim as duas versões - o que evidencia a falta de fundamento para o episódio.

 

Além disto, os narradores da "fábula" não sabiam exatamente o que fazer com o nome "Gregório". Uma versão designa um Papa que durou 57 dias, e outra versão designa um convento de monjas, que nunca existiu, pois o mosteiro onde o abade Gregório Magno viveu no monte Célio é de monges e não de monjas.

 

Num pontificado de 57 dias pode ter acontecido tudo o que a crônica lhe atribui?

 

Afinal foram encontradas, segundo as versões citadas, 3.000 ou 6.000 esqueletos (ou cabeças apenas?) de recém-nascidos?

 

Lutero mesmo duvidava da realidade histórica do episódio em foco.

 

Este é um espécime, entre outros, de quanto são frágeis ou mesmo inconsistentes muitos dos ataques protestantes contra a Igreja Católica. Quem sai perdendo nesses ataques é o atacante, pois revela paixão e ódio mais do que amor à Verdade. O tiro sai pela culatra!

 

 

Dom Estêvão Bettencourt (OSB)


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