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Artigo

PERGUNTE E RESPONDEREMOS 526 – abril 2006

Por quê?

 

A DEVOÇÃO AO MENINO JESUS DE PRAGA

 

Em síntese: A devoção ao Menino Jesus de Praga tem origem em 1620. Nesta data o Imperador Ferdinando II da Alemanha obteve importante vitória sobre tropas estrangeiras que ameaçavam a subsistência do Catolicismo no Império. Para comemorar essa vitória, Ferdinando II fundou um convento carmelita em Viena (Áustria), Praga (Boêmia) e Graz (Áustria). O prior do convento de Praga implantou aí a devoção ao Menino Jesus, muito cara aos carmelitas. A Princesa Polixênia de Lobkowitz doou ao convento uma imagem do Menino Jesus, que se tornou famosa na piedade popular, principalmente após a dissipação de nova ameaça à cidade de Praga por parte de exércitos estrangeiros. Foram estas façanhas que deram origem ao título "Menino Jesus de Praga".

 

Em alguns lugares existe a devoção ao Menino Jesus de Praga (cidade capital da Boêmia ou da República Tcheca no centro da Europa). Pergunta-se: qual é a origem desse título?

 

A história o explica. Com efeito; nos séculos XVI e XVII a Boêmia foi fortemente afetada pelas lutas religiosas entre protestantes e católicos. Muitos cidadãos boêmios abandonaram então o Catolicismo; fez-se coroar rei da Boêmia um príncipe calvinista. O Imperador Ferdinando II era atacado por príncipes protestantes da Alemanha mesma, da Suécia e da França, com o risco de perder seus territórios, que passariam a ser governados por monarcas protestantes.

 

Em 1620 o Imperador solicitou ao Papa Paulo V que lhe enviasse o Religioso carmelita Pe. Domingos de Jesus-Maria a fim de rezar pelo afastamento do perigo ameaçador.

A história se sucedeu em três etapas.

 

1. A descoberta de uma imagem da Virgem Mãe com o Menino

 

O Pe. Domingos foi então mandado para a Boêmia. Visitou o castelo de Strakonitz, devastado por tropas estrangeiras nos arredores de Praga. Nos porões subterrâneos do castelo encontrou algumas imagens religiosas manchadas na lama. Ao limpar uma delas, verificou que representava Maria SSma. ajoelhada diante do Menino Jesus, tendo São José ao seu lado e alguns pastores no fundo; percebeu também que haviam sido furados os olhos de todas essas figuras, excetuada a do Menino Jesus. De coração muito dolorido pediu a Deus que a devoção a SSma. Virgem se propagasse por meio dessa imagem precisamente e prometeu envidar todos os esforços para desagravar os Santos atacados. Compreendera que muitas graças seriam obtidas mediante a devoção à Virgem Mãe e a seu Divino Filho.

 

2. A imagem do Menino Jesus em Praga

 

Aos 8 de novembro de 1629 o exército católico chefiado por Maximiliano I, duque da Baviera, obteve a vitória na célebre batalha da Montanha Branca. Estava assim vencida a oposição à fé católica na Boêmia. O Imperador Ferdinando II reconheceu em tal fato a resposta às orações do Religioso carmelita e, movido por gratidão, houve por bem fundar três conventos carmelitas respectivamente em Viena, Praga e Graz.

 

Em Praga a comunidade era pobre e sobrevivia em condições precárias. Todavia o Padre Prior levara para lá a herança mais preciosa do Carmelo, ou seja, a devoção a Jesus Menino, fonte inesgotável de coragem espiritual. Pediu ao Padre Mestre dos noviços que tentasse conseguir para o convento uma estatueta ou uma imagem do Menino Jesus.

 

Um belo dia a Princesa Polixênia de Lobkowitz, grande benfeitora da comunidade levou ao Padre Prior uma estatueta do Menino Jesus, dizendo-lhe: "Padre, eu lhe confio o que tenho de mais caro. Venerem esta imagem e jamais algo lhes faltará". Tal imagem fora doada à Princesa por sua mãe como presente de casamento.

 

A estima e a veneração dos Irmãos pela imagem foram crescendo. A sua confiança na Divina Providência não foi desmentida, pois logo o Imperador lhes passou a enviar uma ajuda mensal e as colheitas agrícolas se tornaram altamente satisfatórias.

 

3. Peripécias imprevistas e confirmação da devoção

 

A bonança não durou muito. A guerra passou a ameaçar novamente a estabilidade religiosa do país. Os noviços carmelitas, muito devotos do Menino Jesus, foram enviados a Munique (Baviera). A cidade de Praga teve que se entregar aos adversários, que saquearam a igreja do convento carmelita.

 

Sete anos mais tarde, a estatueta foi encontrada pelo Pe. Cirilo, que pediu ao Padre Prior que a colocasse em seu lugar de na igreja do convento. Isto foi feito juntamente com o pedido de que Jesus abençoasse a comunidade carmelita, a cidade de Praga e a nação boêmia.

 

A seguir, Praga foi novamente sitiada, mas escapou de ser invadida. Entrementes ia-se divulgando sempre mais a devoção ao Menino Jesus, benfeitor do povo de Deus.

 

No século XVIII o Imperador D. José II mandou fechar igrejas e conventos. A população de Praga, outrora tão entusiasta, parece ter esquecido a veneração do Menino-Deus, mas a devoção já se havia propagado pelo mundo católico até a China.

 

Durante os decênios de regime comunista a devoção foi mantida sob silêncio, mas esteve muito viva no coração de numerosos fiéis, que em Jesus encontraram coragem e alento para enfrentar a perseguição.

 

São estes dados históricos que explicam o título "Menino Jesus de Praga".

 

4. Reflexão final

 

Pergunta-se: que sentido tem a devoção ao Menino Jesus de Praga?

 

Observemos, claramente: Jesus é um só, quer seja considerado como Menino, quer como Crucificado, quer como Eucarístico, quer como Coração aberto a todos os homens... Todavia a figura de Jesus é tão rica de facetas que pode ser considerada sob diversos aspectos, como fez o povo de Deus através da sua história. Esse único Jesus é fonte de graças e bênçãos para todos os que O invocam. Não é tal ou tal título do Senhor que confere eficácia à oração, mas é a fé e a devoção com que cada cristão reza. Ora, fé e devoção podem ser mobilizadas mais vivamente por tal ou tal aspecto do Senhor Jesus. Há quem prefira vê-Lo feito pão eucarístico como há quem prefira a imagem do Sagrado Coração de Jesus ou ainda... como Jesus Menino. Seja lícito então rezar a Jesus ornado por tal título, desde que este título seja estimulante da fé e da devoção do orante.

 

Dom Estêvão Bettencourt (OSB)


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