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Artigo

Santa Bernadete: Inocência e Sabedoria

Santa Bernadete: Inocência e Sabedoria
Ainda há algumas décadas, era comum encontrar-se o brilho da inocência no rosto de crianças e até de pessoas não muito jovens. O sorriso puro, o olhar límpido, a compostura dos gestos e modos, a louçania das atitudes indicavam a transparência da alma que não maculara sua veste batismal.

Como isso vai rareando! Incontável número de crianças perde a inocência logo nos primeiros embates da vida. Grande responsabilidade por esse gravíssimo dano é da televisão, a qual, com seus programas vulgares, obscenos e violentos, pode ser chamada de verdadeira exterminadora da inocência.

Viveu de 1844 a 1879. Festa litúrgica: 25 de outubro.

Ver biografia na Wikipédia.





Comparação chocante

Observe caro leitor, a fotografia de Santa Bernadete Soubirous. Na foto acima - colhida três anos após as aparições -, ela estava com 17 anos de idade. Embora fosse uma pastora paupérrima e analfabeta, seu traje é digno, limpo, recatado. Sua fisionomia - os olhos sobretudo, que são o espelho da alma - exprime pureza, retidão, bondade. Em suma, é uma jovem inocente.

Na outra fotografia a Santa Bernadete estava de partida para a cidade de Nevers, a fim de se tomar religiosa -, vê-se que sua inocência desabrochou em outras virtudes. Sua face virginal indica também seriedade, firmeza, combatividade, amor à Cruz, desejo ardente do Céu.

Compare agora essas fotografias com tantas jovens de hoje em dia. Quantas delas têm costumes livres, modos de vestir contrários ao pudor, atitudes vulgares, conversação chula, quando não diretamente lúbrica, que revelam almas de há muito rompidas com sua integridade batismal.

Tal comparação nos conduz à pergunta: o que vem a ser a inocência?




 

 

 

Etimologia da palavra
inocência


Recorramos à etimologia, para conhecer bem o sentido da palavra.

Inocência vem do latim: in (negação) e nocentia (maldade). A inocência, portanto, é a qualidade da alma isenta do mal. É integra, temperante, reta. O que a caracteriza é a posse de todas as virtudes, pelo menos em estado germinativo.

Nosso Senhor Jesus Cristo é a própria Inocência. Nossa Senhora, a criatura inocente no mais alto grau. E os santos, ou sempre a conservaram, ou restauraram a inocência perdida, amando-a mais do que a menina de seus olhos.

A restauração da inocência, após a queda original, não significa a reaquisição do chamado estado de inocência, que era a situação na qual se encontravam Adão e Eva, no Paraíso terrestre, antes daquele pecado. Tal estado supunha a posse dos dons preternaturais (ver quadro Inocência: sentido teológico).

Deturpação do conceito de inocência

É próprio da Revolução anticristã adulterar o sentido de todas as coisas. Assim, a noção de inocência foi distorcida pelo espírito revolucionário, insinuando-se ou dizendo-se claramente que ela se aplica apenas às crianças. E, como consequência, inocência é sinônimo de ingenuidade, infantilidade, bobice.

Na realidade, a inocência é o oposto disso. A pessoa verdadeiramente inocente é ao mesmo tempo sagaz, firme, séria, refletida, sapiencial. E, sobretudo, a inocência não é uma Virtude apenas de crianças, mas deve desabrochar em todas as virtudes, ao longo da vida, como é o caso de Santa Bernadete.

Restauração da inocência

Quem teve a desgraça de perder a inocência, precisa rezar, fazer penitência e lutar arduamente por readquiri-Ia.

Santa Maria Madalena é exemplo belíssimo de inocência readquirida. De pecadora pública, ela se deixou de tal maneira inflamar de amor por Deus, que a única razão de sua vida passou a ser penitenciar-se por seus pecados anteriores, bem como louvar, reverenciar e servir ao Divino Mestre.

Santo Agostinho caiu muitas vezes em pecados de sensualidade e, pior, chegou a precipitar-se no abismo da heresia maniquéia. Mas, pelas lágrimas de sua mãe, Santa Mônica, e pelo apostolado de Santo Ambrósio, ele correspondeu à graça, converteu-se, santificou-se, tornando-se um dos maiores luzeiros da Santa Igreja.

Portanto, mesmo que nossas quedas tenham sido contra a Fé católica pecados muitíssimo mais graves que a impureza -, não devemos Jamais desanimar.

Convém esclarecer, entretanto, que a inocência não se identifica com castidade, como muitos poderiam pensar. A inocência é mais alta, mais nobre, mais abarcativa do que a castidade. Todo inocente é casto; mas nem todo casto tem inocência. Diz-se que Robespierre - o facínora que dominou o governo na era do Terror, durante a Revolução Francesa - era casto ...

A inocência talvez pudesse ser comparada à opala, enquanto a virtude da pureza seria umas das irisações daquela pedra.

Sabedoria: fruto da inocência

Um dos mais preciosos frutos da inocência é a virtude e o dom da sabedoria, mediante os quais a alma sempre procura - com gosto, com sabor (daí a palavra sabedoria) - o aspecto mais elevado de todas as coisas. A pessoa sapiencial está continuamente voltada para o sublime.

Sabedoria não se confunde com instrução. Para adquiri-Ia não é preciso freqüentar escolas, obter diplomas ou ler muitos livros. Basta seguir com perfeição o preceito dado pelo Criador a Moisés: "Amarás ao Senhor teu Deus de todo teu coração, e de toda a tua alma, e com toda a tua força" (Deut. 6, 5).

"O primeiro olhar"

O grande teólogo francês, Padre Garrigou-Lagrange OP (18771964), em seu livro O Senso comum, dedicou um capítulo ao tema da inocência. O titulo do capítulo O primeiro olhar visa designar a inocência, revelando igualmente o interesse do autor em investigar as raízes da mencionada virtude na alma humana. Essas páginas também demonstram a importância que concedia ao tema inocência um dos luminares da teologia e da espiritualidade contemporâneas.

O Padre Garrigou-Lagrange lecionou durante 51 anos no Angelicum, famoso instituto teológico de Roma. Foi diretor espiritual de Madre Chiquinha do Rio Negro, brasileira, fundadora de uma congregação religiosa em Roma,. Falecida em odor de santidade. Visitou nossa Pátria no início da década de 30.

Alguns exemplos da vida de Santa Bernadete ilustram bem todas essas noções, revelando ao vivo, a sabedoria e vigor da alma inocente.

O delegado de polícia tremia

Simples pastora, Bernadete não sabia ler nem escrever, ao se iniciarem as aparições de Nossa Senhora, em 11 de fevereiro de 1858. Nem mesmo falava ela o francês; apenas o patois, o dialeto local. Tinha catorze anos de idade, e ainda não recebera a Primeira Comunhão.

Entretanto, quando foi intimada a depor na polícia à noitinha do domingo 21 de fevereiro de 1858, dia da sexta aparição - sua inocência confundiu o orgulhoso delegado Jacomet. Este havia colocado em prisão, durante quinze dias, no ano anterior, o pai de Santa Bernadete, Francisco Soubirous, o qual fora acusado injustamente de ter furtado uma viga de madeira abandonada. A inculpabilidade de Francisco foi, aliás, reconhecida pelo juiz, que mandou arquivar o processo por falta de matéria criminal.

Jacomet crivou Santa Bernadete de perguntas. Quando indagou a idade da vidente, esta afirmou que não sabia exatamente se tinha treze ou catorze anos ... Depois do longo e penoso interrogatório, o delegado começou a ler o depoimento, mas alterando propositadamente as palavras de Bernadete. A santa corrigiu-o com firmeza e segurança, e repetiu fielmente o que dissera. Jacomet ameaçou prendê-la, mas ela se manteve tranquila.

Tal foi a brutalidade e insolência de Jacomet, que este chegou a dizer à inocente jovem: "Você arrasta todo mundo atrás de si, você quer tornar-se uma pequena meretriz".(1) Utilizamos no final dessa frase uma palavra que pode ser  consignada numa revista católica. Mas o leitor deve ter presente que o delegado empregou o termo chulo correspondente.

O rumor de que Bernadete podia ser presa correu como um rastilho de pólvora na pequena e pacata Lourdes. Uma multidão aglomerou-se diante da delegacia, começou a gritar e desferir golpes nas portas e janelas, exigindo que Jacomet libertasse Bernadete.

O pai da vidente entrou na delegacia para proteger a filha, e o iníquo Jacomet também ameaçou-o de prisão, caso não proibisse Bernadete de voltar à gruta de Massabielle, onde se davam as aparições de Nossa Senhora.

Terminado o interrogatório policial, Santa Bernadete estava calma e distendida, enquanto o delegado tremia ... Aqui bem se aplica a frase da Sagrada Escritura: "O caminho do Senhor é à fortaleza do inocente, mas o terror dos malfeitores" (Prov. 10,29).

Ao sair da delegacia, Santa Bernadete foi cercada pelo povinho, que lhe fez muitas perguntas. Sempre amável, ela sorriu.

- O que te diverte? indagou alguém.

Num comentário característico da alma inocente, a santa observou: "O delegado tremia; ele tinha em sua boina um pingente que fazia tintim".(2)

O procurador imperial não encontra o buraco do tinteiro

As repercussões dos fatos ocorridos na gruta de Massabielle foram imensas em toda a França. Os milagres estupendos ali operados representavam um terrível golpe no ateísmo que grassava no século XIX, sob o nome de racionalismo.

Assim, o próprio Chefe de Estado francês, Luís Napoleão Bonaparte - que utilizava o título caricato de Napoleão III -, enviou a Lourdes o procurador Vital Dutour, a fim de interrogar a vidente.

Imagine o leitor o que significava para a minúscula cidade de Lourdes a chegada de um enviado de Napoleão III, o qual, apesar de ter ideias socialistas, gozava então de grande prestígio. Ser interrogado por Dutour causaria temor e talvez até pavor em qualquer habitante de Lourdes. Menos na inocente Bernadete ...

O interrogatório foi realizado em 25 de fevereiro de 1858, no mesmo dia da nona aparição, na qual a Santíssima Virgem ordenara a Santa Bernadete que bebesse água da gruta, ali se lavasse e também comesse um pouco de erva silvestre existente nas encostas do rochedo. Para cumprir a ordem de Nossa Senhora - que lhe era incompreensível, pois não havia água nenhuma na gruta - Bernadete esgravatou a terra e, tomando com o côncavo da mão a água lamacenta que apareceu, bebeu-a; depois, repetindo a operação, lambuzou o rosto. O gesto pareceu a muitos um ato de insanidade da vidente. Mas foi a origem da famosa fonte de Lourdes, procurada hoje por cinco milhões de peregrinos anualmente ...

Naquele tempo, usava-se para escrever uma pena de pato ou de ganso, bem como tinteiro com um orifício através do qual se alimentava a pena.

Dutour iniciou as perguntas com cortesia e até com benevolência.' fazendo muitas anotações nos papéis colocados sobre a escrivaninha. Mas, como fizera Jacomet, ele distorceu as palavras de Bernadete. Lendo-as para a santa, esta protestou energicamente, corrigindo o procurador e repetindo com exatidão o que afirmara.

O procurador imperial ficou inseguro diante daqueles olhos límpidos que o julgavam. Tomado pela irritação, disse bruscamente à santa: "Você comeu hera, como fazem os animais".

Santa Bernadete sabia perfeitamente que Nossa Senhora lhe dera essa ordem, para que a vidente demonstrasse sua humildade e obediência. Mas para o procurador ela nada revelou e apenas sorriu candidamente.

Tal foi o desconcerto de Dutour que sua mãos começaram a tremer, e ele não conseguiu mais encontrar o buraco do tinteiro para ali colocar a pena ...

Depois de ameaçá-la de prisão e, vendo a firmeza e a calma de Bernadete, Dutour tremia cada vez mais. E acabou por desistir de encontrar o buraco do tinteiro, deixando a pena sobre a escrivaninha.

Bernadete sorriu, mostrando mais uma vez sua segurança interior, fruto de sua inocência.

Chegando ao cachot - antiga prisão de Lourdes, onde residia a família Soubirous -, uma jovem perguntou a Santa Bernadete:

"- Então, você confessou?

"- Sim, eu disse a verdade; eles falam mentiras".

E, pensando nos traços feitos pelo procurador nos papéis colocados sobre a escrivaninha, a santa perguntou:

"- Quando não se escreve bem, fazem-se cruzinhas? O senhor procurador fazia continuamente cruzinhas" (3).

As cruzinhas indicam bem o desconcerto do procurador Dutour, ao passo que Bernadete . conservava - em meio a toda pressão psicológica do interrogatório - pleno domínio de si, a ponto de ainda poder observar candidamente o gesto nervoso continuo de seu atrabiliário inquiridor.

Luís Veulliot: "Sou um miserável"

O célebre polemista católico Luís Veuillot, que muito combateu o liberalismo no século passado, foi duas vezes a Lourdes para conversar com Santa Bernadete. Ele estava então no apogeu de sua glória, pois havia prestado muitos serviços à Igreja e à França.

As autoridades eclesiásticas proibiram o notável escritor de tratar com Santa Bernadete o assunto das aparições. Assim, as entrevistas se desenrolaram sobre temas de somenos importância. Mas o arguto publicista percebeu claramente que estava diante de uma santa e, logo após a primeira conversa em 28 de julho de 1858, afirmou: "E uma ignorante. Mas ela vale mais do que eu, pois sou um miserável "(4).

Inocência: sentido teológico

Do ponto de vista estritamente teológico, o termo inocência deriva da expressão estado de inocência, que era a situação desfrutada por Adão e Eva no Paraíso terrestre, antes do pecado original.

Esse estado de inocência comportava os dons preternaturais, a saber: o homem, quanto a seu corpo, era

Preservado da dor e da morte; e, quanto à sua alma, estava isento da concupiscência desordenada e da ignorância.

No presente artigo, o termo inocência é empregado no sentido comum ou corrente, que está mais vinculado à acepção etimológica. Entretanto, convém acentuar que mesmo

Esse sentido comum da palavra supõe que a inocência - após a perda do estado de inocência devido ao pecado original - reprime a concupiscência desordenada e, de certo modo, sana a ignorância pela prática da virtude e do dom da sabedoria.

O sacramento do Batismo nos obtém a remissão do pecado original, mas não restaura o estado de inocência em sua integridade, nem restabelece os quatro dons preternaturais supra citados, anexos àquele estado. Assim, muitos dos efeitos do pecado original permanecem no homem, como o trabalho penoso, as doenças e a morte, e sobretudo a inclinação ao pecado, contra a qual devemos lutar, com a indispensável ajuda da graça divina.

O sacramento da Penitência, por sua vez, perdoa os pecados que come- temos depois do Batismo. Analogamente, porém, não restaura em nós a inocência batismal, pois o pecado atual, ou pessoal - assim chamado para distinguir do pecado original deixa em nossa alma marcas mais profundas, ou menos, que só uma vida de séria e contínua penitência pode apagar.

A restauração da inocência - à qual se alude no presente artigo - é uma graça muito especial que Deus concede como prêmio dessa vida de penitência, e corresponde a uma limpidez de alma equivalente à da inocência batismal.

Algumas almas muito penitentes têm sido favorecidas com esse dom especialíssimo, como se conta na vida de Santa Margarida de Cortona, por exemplo.

O tema é amplo e profundo, e comportaria uma explanação mais extensa. O que foi dito é suficiente para o leitor se situar na problemática deste artigo.



Todos nós, pecadores, podemos repetir as palavras de Luís Veuillot: somos miseráveis.

O grande Doutor mariano e famoso missionário do século XVIII, São Luis Maria Grignion de Montfort, vai muito mais longe, dizendo que todo homem é um "vermezinho e miserável pecador" (5).

Compenetrados desta verdade, elevemos nossas almas ao Céu e peçamos a Santa Bernadete que nos obtenha de Nossa Senhora a restauração da insigne virtude da inocência, caso a tenhamos perdido. E que a santa vidente de Lourdes alcance de Maria Virgem a preservação dessa virtude em nossa alma, se ela for inocente.

Se cada um de nós for verdadeiramente inocente, pela ação da graça divina - somente concedida através de Nossa Senhora - este vermezinho poderá transformar-se num leão, incutindo terror nos inimigos da Santa Igreja e da Civilização Cristã, e trilhará a bendita senda que conduz à santidade.

 

 



Corpo não corrompido de Santa Bernardete:

Santa Maria Bernadete

Também conhecida como Santa Maria Bernadete e Santa Bernadete Soubirous. Ela nasceu no dia 7 de janeiro de 1844, em Lourdes, na França. Era de família pobre e chegou a trabalhar como empregada doméstica e pastora de ovelhas.

Santa Bernadete tinha constantes visões da Virgem Maria. Em uma delas, a Santa foi conduzida a uma fonte que curava. Ela entrou para o Convento das Irmãs de Nevers. Lá aprendeu a ler e a escrever. Tinha saúde frágil. Morreu no dia 16 de abril de 1879, em Nevers, na França, enquanto orava a Maria.

Vivendo pobremente e por algum tempo empregada em tomar conta do gado, crescia sem alguma doutrina humana, mas em suavíssima simplicidade de costumes e admirável candura de espírito, querida por Deus e pela Santíssima Virgem Mãe. Maria observou a humildade de sua filha e dignou a inocente menina , entre 11 de fevereiro a 16 de julho de 1858, de 18 aparições e de celeste colóquio. Na época, o bispo local, que inicialmente duvidara da versão da inculta menina, que afirmava as aparições, pôs ela à prova e pediu para que, na próxima aparição, perguntasse à ela qual o seu nome. Bernardete, cumprindo o pedido do bispo, esclareceu à Virgem a indagação do bispo, no que Nossa Senhora respondeu: "Eu sou a Imaculada Conceição". Ao retornar, o bispo ouviu estupefato a resposta da menina, já que tratava-se de um dogma recém proclamado, o dogma da "Imaculada Conceição" firmado há menos de quatro anos por Pio IX (1854) que, pelas dificuldades de comunicação da época, estava restrito ao conhecimento ainda dos setores mais elevados da Igreja.

Nesta, tão célebre aparição e ilustrada por Deus por tantos sinais, pode-se notar um tríplice carisma, conferido à piedosa jovem. Chamamo-la antes de tudo: Vidente, porque diante de numeroso povo, arrebatada em êxtase, foi maravilhosamente deliciada com o bondoso aspecto da Virgem. Chamamo-la de Mensageira da Virgem ao mundo, porque por ordem de Maria pregou penitência e oração ao povo; mandou aos sacerdotes, que naquele lugar construísse um Santuário; predisse a todos a glória, a santidade e os futuros benefícios do mesmo lugar. Por fim vemos nela a Testemunha da Verdade, porque a muitos contradizentes, com o máximo candor de simplicidade, junto com suprema prudência do mandamento confiado da Virgem, com admiração de todos os eclesiásticos e de juízes seculares.

Todas estas coisas levadas ao termo por divino impulso por uma ignorante e inculta menina, Deus a leva longe para a solidão de um convento, e quase desprezada pelo mundo, preparou-se para coisas mais admiráveis, para que, pregada na cruz com Cristo e com ele quase sepultada, atingisse profundamente na humildade a vida interior sobrenatural e, um dia na luz da santidade ressurgindo ao mundo, com este estábil testemunho da santidade unisse nova glória ao Santuário de Lourdes. Por isto, obedecendo ao chamamento de Deus, em julho de 1867 se transferiu para Nevers, para iniciar a vida religiosa na Casa-Mãe das Irmãs da Caridade e instrução cristã. Terminado o noviciado no mesmo ano, fez os votos temporais e onze anos depois os perpétuos.

Admiravelmente fulguraram nela as virtudes, mas sua alma virgem foi principalmente adornada daquelas que mais convinha à discípula predileta da Virgem Maria: Humildade profunda, terníssima pureza e ardente caridade. Provou-as e aumentou-as com as dores de uma longa enfermidade e angústias de espírito que a atormentaram suportando-as com suma paciência. Na mesma casa religiosa a humildíssima virgem ficou até a morte, que depois de recebidos os sacramentos da Igreja, invocando sua dulcíssima Mãe Maria, descansou santamente a 16 de abril de 1879, no trigésimo sexto ano de idade, e duodécimo de vida religiosa.

Tendo ficado até este ponto como debaixo do alqueire da humildade, com a morte tornou-se resplandecente a todo o mundo. Debaixo do pontificado de Pio X, em 1923, foi iniciado o processo de sua beatificação. A 14 de julho de 1925 o Papa Pio XI lançou o nome da serva de Deus nos fatos dos bem-aventurados. Em contemplação aos grandes e inegáveis milagres, que Deus se dignou operar por sua serva, a causa foi reassumida em junho de 1926 e levada ao fim em 2 de julho de 1933.

"Os acontecimentos que então se desenrolaram em Lourdes e cujas proporções espirituais melhor medimos hoje, são-vos bem conhecidos. Sabeis, caros filhos e veneráveis irmãos, em que condições estupendas, apesar de zombarias, de dúvidas e de oposições, a voz daquela menina, mensageira da Imaculada, se impôs ao mundo. Sabeis a firmeza e a pureza do testemunho, experimentado com sabedoria pela autoridade episcopal e por ela sancionado desde 1862. Já as multidões haviam acorrido e não têm cessado de precipitar-se para a gruta das aparições, para a fonte milagrosa, para o santuário elevado a pedido de Maria. É o comovente cortejo dos humildes, dos doentes e dos aflitos; é a imponente peregrinação de milhares de fiéis de uma diocese ou de uma nação; é a discreta diligência de uma alma inquieta que busca a verdade... Dizíamos nós: "Jamais num lugar da terra se viu semelhante cortejo de sofrimento, jamais semelhante irradiação de paz, de serenidade e de alegria!. E, poderíamos acrescentar, jamais se saberá a soma de benefícios de que o mundo é devedor à Virgem auxiliadora! "Ó gruta feliz, honrada pela presença da Mãe de Deus! Rocha digna de veneração, da qual brotaram abundantes as águas vivificadoras!" (...) Estes cem anos de culto mariano teceram, ademais, entre a Sé de Pedro e o santuário pirenaico laços estreitos, que nos apraz reconhecer.
A própria virgem Maria não desejou essas aproximações? "O que em Roma, pelo seu magistério infalível, o sumo pontífice definia, a Virgem Imaculada Mãe de Deus, a bendita entre as mulheres, quis, ao que parece, confïrmá-lo por sua boca, quando pouco depois se manifestou por uma célebre aparição na gruta de Massabielle". Certamente, a palavra infalível do pontífice romano, intérprete autêntico da verdade revelada, não necessitava de nenhuma confirmação celeste para se impor à fé dos fiéis. Mas com que emoção e com que gratidão o povo cristão e seus pastores não recolheram dos lábios de Bernardete essa resposta vinda do céu: "Eu sou a Imaculada Conceição"! "
(Trecho da Carta Encíclica do Papa Pio XI - durante o centenário das aparições da SS. Virgem em Lourdes - 02 de julho de 1957)


DATAS DAS APARIÇÕES E PALAVRAS DE NOSSA SENHORA EM LOURDES. ANO: 1858

11 de fevereiro: primeira aparição.

14 de fevereiro: segunda aparição.

18 de fevereiro: terceira aparição.

1) Isto não é necessário, em resposta à pergunta de Bernadete: "Vós poderíeis ter a bondade de pôr vosso nome por escrito?"

Vós poderíeis fazer o favor de vir aqui durante quinze dias?

3) Eu não vos prometo tomar feliz neste mundo, mas no outro.

19 de fevereiro: quarta aparição.

20 de fevereiro: quinta aparição.

21 de fevereiro: sexta aparição.

23 de fevereiro: sétima aparição.

24 de fevereiro: oitava aparição.

25 de fevereiro: nona aparição.

Ide beber na fonte e ali vos lavar.

5) Vós comereis daquela erva que ali está.

27 de fevereiro: décima aparição.

28 de fevereiro: 11ª aparição.


6) Penitência! Penitência! Penitência!

Vós rezareis a Deus pelos pecadores.

Ide beijar o chão em penitência pela conversão dos pecadores.

1º de março12ª aparição.

2 de março: 13 aparição.

9) Ide dizer aos padres que se venha aqui em procissão e que se construa aqui uma capela.

Ide dizer aos padres para construírem aqui uma capela.

3 de março: 148 aparição.

4 de março: 158 aparição.

25 de março: 168aparição.

11) Eu sou a Imaculada Conceição.

7 de abril: 178 aparição.

16 de julho: 188 e última aparição. Palavras de Nossa Senhora em datas incertas:

Eu vos proíbo de dizer isso a qualquer pessoa.

Essas palavras referem-se aos três segredos e à oração secreta. Nossa Senhora repetiu-as várias vezes.


(Padre René Laurentin, Bernadette vous parle, P. Lethielleux. Lourdes, 1972, vol. I, p. 298).


NOTAS:
I. Padre René Laurentin, Bernadette vaus parle, P. Lethielleux, Lourdes, 1972, voI. I, p. 66.
2. Idem, p. 69.
3. Idem, p. 90.
4. Idem, p. 178.
5. Trecho da Consagração a Jesus Cristo, a Sabedoria Encarnada, pelas mãos de Maria, in Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem, Editora Vozes, Petrópolis, 1974,88 ed, p. 282.

Fonte: Blog Grandes Santos , Vídeo no Youtube


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