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Artigo

PERGUNTE E RESPONDEREMOS 521 – novembro 2005

Instrumento de trabalho:

 

O COMPÊNDIO DO CATECISMO DA IGREJA

 

Foi recentemente publicado o Compêndio do Catecismo da Igreja Católica, caracterizado pelas três seguintes notas: 1) redação sob forma de perguntas e respostas; 2) divisão do texto em quatro partes, à semelhança do que ocorre no Catecismo; 3) inserção de imagens ilustrativas do texto.

 

O Compêndio levou dois anos para ser elaborado e, após ampla consulta feita às Conferências Episcopais, foi aprovado pelo Santo Padre Bento XVI, que o promulgou mediante Motu Próprio assinado aos 28 de junho de 2005.

 

A seguir, vai publicada parte da Introdução à obra, Introdução da lavra do então Cardeal Joseph Ratzinger, que apresenta as três características deste instrumento de trabalho, que, por ser um resumo, pretende facilitar o estudo e o aproveitamento do povo de Deus.

 

INTRODUÇÃO

 

3. Três são as características principais do Compêndio: a estreita dependência do Catecismo da Igreja Católica, o gênero dialógico e a utilização de imagens na catequese.

Antes de tudo, o Compêndio não é uma obra fechada sobre si mesma e não pretende, de maneira nenhuma, substituir o Catecismo da Igreja Católica; pelo contrário, remete continuamente ao Catecismo, quer pela indicação específica dos números de referência, quer pela contínua relação com a sua estrutura, seu desenvolvimento, seus conteúdos. O Compêndio, além disso, se propõe a despertar um renovado interesse e fervor para o Catecismo, que com sua sabedoria expositiva e com sua unção espiritual permanece sempre o texto de base da catequese eclesíal hoje.

 

Como o Catecismo, também o Compêndio se articula em quatro partes, em correspondência com as leis fundamentais da vida em Cristo.

 

A primeira parte, intitulada "A profissão de fé", contém uma oportuna síntese da "lex credendi", isto é, da fé professada pela Igreja Católica, retirada do Símbolo Apostólico ilustrado com o Niceno-Constantinopolitano, cuja constante proclamação nas assembleias cristãs mantém viva a memória das principais verdades da fé.

 

A segunda parte, intitulada "A celebração do mistério cristão", apresenta os elementos essenciais da "lex celebrandi". O anúncio do Evangelho encontra, de fato, a sua resposta privilegiada na vida sacramental. Nela, os fiéis experimentam e testemunham em cada momento de sua existência a eficácia salvífica do mistério pascal, por meio do qual Cristo realizou a obra da nossa redenção.

 

A terceira parte, intitulada "A vida em Cristo", evoca a "lex vivendi", isto é, o esforço que os batizados fazem para manifestar nos seus comportamentos e nas suas escolhas éticas a fidelidade à fé professada e celebrada. Os fiéis, de fato, são chamados pelo Senhor Jesus a realizar as obras próprias de sua dignidade de filhos do Pai na caridade do Espírito Santo.

 

A quarta parte, intitulada "A oração cristã", oferece uma síntese da "lex orandi", isto é, da vida de oração. A exemplo de Jesus, o modelo perfeito de orante, também o cristão é chamado ao diálogo com Deus na oração, cuja expressão privilegiada é o Pai-Nosso, a oração ensinada pelo próprio Jesus.

 

4.  Uma segunda característica do Compêndio é a sua forma dialógica, que retoma um antigo gênero literário catequético feito de perguntas e respostas. Trata-se de propor um diálogo ideal entre o mestre e o discípulo mediante uma sequencia instigante de perguntas que envolvem o leitor, convidando-o a prosseguir na descoberta dos aspectos sempre novos da verdade sobre a fé. O gênero dialógico ajuda também a abreviar notavelmente o texto, reduzindo-o ao essencial. Isso poderia favorecer a assimilação e a eventual memorização dos conteúdos.

 

5.  Uma terceira característica é dada pela presença de algumas imagens, que marcam a articulação do Compêndio. Elas provêm do rico patrimônio da iconografia cristã. A partir da secular tradição conciliar, aprendemos que também a imagem é pregação evangélica. Os artistas de todos os tempos ofereceram à contemplação e à admiração dos fiéis os fatos salientes do mistério da salvação, apresentando-os no esplendor da core na perfeição da beleza. Isso é um indício de como hoje, mais que nunca, na civilização da imagem, a imagem sagrada pode exprimir muito mais que a própria palavra, uma vez que é muito eficaz o seu dinamismo de comunicação e de transmissão da mensagem evangélica.

 

6.  Quarenta anos depois da conclusão do Concílio Vaticano II e no Ano da Eucaristia, o Compêndio pode representar um ulterior subsídio para satisfazer tanto à fome de verdade dos fiéis de todas as idades e condições como também à necessidade de todos aqueles que, sem serem fiéis, têm sede de verdade e de justiça. A sua publicação acontecerá na solenidade dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo, colunas da Igreja universal e evangelizadores exemplares do Evangelho no mundo antigo. Estes apóstolos viram aquilo que pregaram, e testemunharam a Verdade de Cristo até o martírio. Imitemo-los no seu impulso missionário e rezemos ao Senhor para que a Igreja siga sempre o ensinamento dos Apóstolos, dos quais recebeu o primeiro jubiloso anúncio da fé.

 

20 de março de 2005, Domingo de Ramos.

Cardeal Joseph Ratzinger Presidente da Comissão Especial

 

 

Ninguém ama o que não conhece. Todavia mais poderá amar o que melhor conhecer. Eis o que pode vir à mente de quem lê tais ponderações.

 

 

Dom Estêvão Bettencourt (OSB)


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