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Artigo

Pregações: Homilias - Jesus e o Leproso - por Padre Paulo Ricardo

Jesus e o Leproso

“Ele tomou sobre si nossas dores” (Is 53, 4). É este o “admirável comércio” pelo qual nós fomos salvos. Ao tocar o leproso com a sua graça, Jesus inverte os papeis. No final do evangelho, é Nosso Senhor, e não mais o leproso, quem não pode entrar na cidade.
Jesus, que será crucificado fora dos muros da Cidade Santa, toma o lugar dos excomungados e pecadores para trazê-los de volta à comunhão com Deus. Embora impuros, aproximemo-nos de Deus com a mesma confiança do leproso e pronunciemos nossa oração confiante: “se queres, podes me purificar!”

A cura do leproso, em Mc 1,40-45.
Contexto: Jesus acaba de sair de Cafarnaum, após curar a sogra de Pedro e expulsar diversos demônios. Depois, Jesus sai para pregar em outras localidades.

A primeira leitura nos traça um quadro bastante acurado do que era um leproso naquela época. 'Quando alguém tiver na pele uma mancha ... será levado ao sacerdote... e andará com as vestes rasgadas, os cabelos em desordem gritando impuro, impuro'.
Olhamos para um maltrapilho, longe do contato com as pessoas, alguém excluído que ninguém podia tocar. A palavra 'lepra' vem do grego e signifca escama, uma pele em escamas comida pela lepra.

No evangelho, Jesus quebra a lei e permite a aproximação do leproso.
A atitude interior do leproso não era de ousadia, pelo prazer de romper a lei e ser revolucionário. Antes, foi uma atitude de confiança. Ele nem sequer pede a cura, mas diz 'se queres, tens o poder de curar-me'. Ele tem fé e entrega-se à vontade de Jesus.
O 'se queres' do leproso recorda um outro 'se queres', o de Jesus no Horto das Oliveiras quando entrega-se à vontade do Pai.
Esta entrega resume a essência da oração cristã, como no Pai Nosso, quando se diz 'seja feita a Vossa vontade'. No 'se queres' está o núcleo da oração cristã.

Não é por acaso essa identificação entre Jesus e o leproso. No cântico do servo sofredor de Isaías está a comparação do messias com um leproso segundo a Vulgata.
O evangelho nos faz notar que Jesus troca de lugar com o leproso, pois após curá-lo Jesus não era mais aceito publicamente nas cidades enquanto que o leproso foi reintegrado à sociedade. Há uma troca.
Os santos padres e a tradição da Igreja sempre identificaram essa lepra como sendo o nosso pecado, uma maldição do pecado. Nós somos os leprosos que precisamos nos apresentar diante de Jesus com confiança para que Jesus tome sobre si nossas dores e cure nossa lepra espiritual.

O evangelho também mostra a misericórdia de Deus que tem compaixão e cura no mesmo instante por ação divina aquele que foi golpeado pela desgraça, pelo pecado e pela lepra.
Aquele que havia sido tocado, golpeado pela desgraça, agora é tocado pela misericórdia e pela graça de Jesus. Em Números, um leproso é descrito como alguém cujo pai lhe tivesse cuspido no rosto. Jesus toma as nossas feridas e toma sobre si os golpes da nossa desgraça para nos libertar por sua graça.

Essa lepra deve ser interpretada como sendo o nosso pecado e por isso a liturgia usa o Salmo 31 "Feliz aquele cuja iniqüidade foi perdoada, cujo pecado foi absolvido.".

O evangelho de hoje nos ensina a ser confiantes. Feliz o homem que foi perdoado, cujas faltas foram encobertas.
O original grego não usa a palavra 'curado', mas 'purificado'.
Glorifiquemos o Senhor que nos cura de nossas lepras e nos purifica de todo pecado!

Fonte: site Christo Nihil Praeponere

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