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Artigo

PERGUNTE E RESPONDEREMOS 519 – setembro 2005

 

Pouco se fala da

 

SÍNDROME PÓS-ABORTO

 

Em síntese: A campanha pró-aborto não menciona as consequências do abortamento não só para a criança, mas também para a mãe, esta é profundamente afetada física e psiquicamente pelos maus tratos infligidos a seu filho, independentemente de crenças religiosas ou dados culturais. O artigo subsequente enuncia as manifestações da angústia da mãe que passou por um abortamento.

 

O jornal francês L'HOMME NOUVEAU de 28/02/05 traz à p. 20 o artigo "La syndrome post-avortement", da autoria de um sacerdote anônimo, capelão de um hospital na França. Visto que é de grande utilidade o conteúdo desse trabalho, vai, a seguir, traduzido para o português.

 

A violência extrema aplicada à mulher que aborta e a seu filho tem consequências fisiológicas e psicológicas que é preciso conhecer.

 

A existência da síndrome pós-aborto como traumatismo consecutivo à interrupção voluntária da gravidez começa a ser mais conhecida pelos ginecologistas-obstetras assim como pelos psicólogos... Comportando um conjunto de sintomas variáveis de uma pessoa para outra, a síndrome pós-aborto aparece dentro de um prazo ora mais, ora menos longo, muitas vezes de maneira sorrateira, mesmo quando a mulher tem a impressão de já ter esquecido. Após o aborto a mulher experimenta um sentimento de alívio, pois o seu problema parece resolvido, mas aos poucos esse alívio cede à inquietação; registram-se culpabilidade, perda da autoestima, pesadelos, estado de depressão persistente. Surgem problemas com o cônjuge, com os filhos e o ambiente. É de notar que 50% dos casais que viveram o quadro de um aborto são tentados a se separar dentro de um prazo assaz breve.

 

Tais sintomas se tornam mais sensíveis todas as vezes que a mulher enfrenta um acontecimento que lhe lembra o aborto: nova gravidez, gravidez de amiga e principalmente o dia do aniversário da gravidez ou da data em que deveria nascer a criança.

 

Reconhecer o sofrimento

 

Tal sofrimento da mulher ainda é "proibido", pois poucas pessoas estão dispostas a lhe dar ouvidos: marido, companheiro, família, médicos e psicoterapeutas pouco dispostos estão a dar atenção à aflição da mulher, que assim é relegada ao silêncio e à solidão. Alegam que tal dor afeta mulheres sujeitas ao desequilíbrio mental ou as que nutrem sentimento de culpa religioso. Todavia esta explicação não se sustenta; praticamente todas as mães que passaram por aborto sofrem angústia em graus diversos em todos os países do mundo e em todas as culturas, independentemente de crenças religiosas...

 

As consequências do aborto capazes de acarretar a morte a curto prazo são as seguintes: hemorragias, infecções, embolias, anestesia, gravidez extrauterina não diagnosticada.

 

Segundo a OMS, nos anos de 1979 a 1989 houve cada ano de dez a treze casos de morte num total de 220.000 abortamentos na França.

 

Na França, onde o aborto é permitido além de doze semanas de gravidez, a mortalidade chega a quarenta casos sobre cem mil abortamentos; este teor de mortalidade é duas vezes maior do que ocorre em se tratando de partos normais.

 

No tocante ao risco de câncer, seja dito: as mulheres que abortaram correm um risco 2,3% mais elevado de contrair câncer do colo do útero, dos ovários e do fígado. Quanto ao câncer do seio, o risco é 2,4 vezes mais elevado para as mulheres jovens que abortaram por ocasião da sua primeira gravidez.

 

Saúde Comprometida

 

Entre 2 a 3% das mulheres que sofreram um abortamento, podem estar com o útero perfurado ou com lacerações do colo do útero. Essas mulheres correm 1,89 vez mais risco de ter um parto prematuro ou também retardado; o aborto aumenta o perigo de complicações ao nascer uma criança posteriormente; com efeito, o desenvolvimento anormal da placenta pode produzir uma deformação; pode ter a consequência de uma futura gravidez extrauterina que porá em perigo a vida da gestante.

 

Cerca da metade dos casos de esterilidade é consecutiva a um abortamento: há então infecção das trompas, aderências uterinas, excessiva dilatação do colo do útero.

 

As complicações de menor porte que freqüentemente ocorrem, são as seguintes: infecções, sangramento, dores abdominais crônicas, vômitos, perturbações do ciclo menstrual. Verifica-se que a interrupção da gravidez acarreta a baixa do nível de saúde geral; durante o primeiro ano que se segue a um aborto, as mulheres consultam o médico da família; 80% mais por motivos de ordem psicológica. Ao contrário, uma gestação levada ao seu desfecho natural é fator de boa saúde geral e psicológica.

 

Os riscos de complicação são maiores para as adolescentes e para quem pratica abortamentos consecutivos.

 

Após o aborto a mulher experimenta um sentimento de alívio, ela se reconhece libertada de uma penosa preocupação. Quando o aborto é legalizado, no foro civil, ela pode até mesmo sentir a consciência tranquila. Todavia as perturbações psíquicas, de gravidade variável, aparecem meses depois ou mais tardiamente, ao término de alguns anos.

 

Praticamente todas as mulheres que passaram por um aborto, sofrem perturbações em graus diversos e por maior ou menor duração. Muitas recorrem ao recalque qual mecanismo de defesa, tanto mais que se trata de "sofrimento ainda proibido". Podem viver um longo período de depressão antes de procurar ajuda psicológica. Os sentimentos reprimidos podem causar distúrbios psicossomáticos e alterar o comportamento da pessoa. Os peritos julgam que a repressão resultante de um aborto, quando ignorada, é um fator de declínio da personalidade...

 

Tentação de Suicídio

 

De acordo com uma pesquisa realizada entre mães de família, verifica-se que oito semanas após o aborto 44% se queixam de desordens de fundo nervoso; 45% se queixam de sono agitado; 11% tomam uma medicação psicotrópica receitada por um médico.

 

Um estudo retrospectivo sobre o período de cinco anos mostra que 25% das mulheres que abortaram consultaram um psiquiatra, ao passo que as que evitaram o aborto eram 3%.

 

Cerca de 60% das mulheres que sofreram as sequelas do aborto, experimentaram a tentação do suicídio; apenas 28% procuraram executá-lo.

 

Em suma, pode-se dizer, sem medo de errar, que aceitar a gravidez e levar a termo a gestação é sinal certo de saúde psíquica.

 

O longo caminho da cura

 

A desarticulação pós-aborto está, não raro, associada a comportamento desregrado; abusos de fumo, de álcool, drogas e desordens na alimentação. Isso tudo redunda ainda em maus tratos sobre as outras crianças, discórdias entre os cônjuges, das quais resulta frequentemente o divórcio... Todavia não se dá atenção ao sofrimento da criança abortada, que morre envenenada ou dilacerada.

 

Seria oportuno refletir, ainda que por pouco tempo, sobre o que é a cirurgia do aborto, principalmente quando realizada segundo o método de aspiração, tido como o mais limpo. Compreende-se que se trata de violência extrema infligida à mulher e à criança, criança que é brutalmente arrancada a sua mãe como se fosse parte do corpo ou do psiquismo desta. Uma tal intervenção não pode deixar de ter graves consequências.

 

É preciso denunciar a "conspiração do silêncio" que cerca a síndrome pós-aborto.

 

Curar-se da síndrome pós-abortiva é possível. Isto implica um longo caminho a percorrer. Já se criaram associações de mulheres e médicos especializadas para acolher as mães angustiadas.

 

REFLETINDO...

 

O artigo está baseado na experiência da França. Em relação ao Brasil pode haver diferenças numéricas ou de estatísticas, mas a tese do autor é plenamente válida: chamar a atenção para as consequências do aborto na vida da mulher, coisa que geralmente não é levada em conta. São consequências traumatizantes, que não dependem de alguma determinada cultura: são a réplica da natureza humana violentada pelo processo abortivo.

 

Na verdade, o ser humano foi feito para a cultura da vida e não para a da morte.

 

Dom Estêvão Bettencourt (OSB)


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