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Artigo

PERGUNTE E RESPONDEREMOS 519 – setembro 2005

 

Quem são?

 

CATÓLICAS PELO DIREITO DE DECIDIR (CDD)

 

Em síntese: Católicas pelo Direito de Decidir é uma organização feminista que luta por objetivos contrários aos da doutrina católica no plano sexual (aborto, uniões homossexuais, relações pré-matrimoniais...) como em outros planos (ordenação sacerdotal de mulheres, eventual abolição do sacerdócio ministerial, abolição do sacramento da Penitência...). A Conferência dos Bispos Norte-americanos já desabonou tal instituição, que tem sua sede principal em Washington e se expande pela América Latina e por outros continentes.

 

A organização "Católicas pelo Direito de Decidir é inspirada por um programa de revisão da Moral Católica e de artigos de fé da Igreja. Tem chamado a atenção no Brasil por suas atitudes em favor do aborto. Será portanto útil considerar tal Movimento nas páginas subsequentes:

 

1. CDD: Origem e Programa

 

Catholics for a Free Choice (Católicas pelo Direito de Decidir) foi fundada em 1970 nos Estados Unidos por três mulheres pertencentes ao grupo abortista National Organization for Women. Tinham por objetivo despertar nos fiéis católicos a consciência de que lhes compete pretenso direito de escolha em matéria sexual e no tocante à vida da Igreja.

 

O primeiro ato público dessa nova organização foi ridicularizar a Igreja Católica, colocando uma das três fundadoras nos degraus da catedral de São Patrício em Nova York com o título "Papisa Joana" ([1]).

 

O programa de tal Sociedade foi sem demora publicado nos seguintes termos:

"As CDD propugnam uma mudança de atitudes da Santa Sé, que doravante deverá

 

- aprovar os métodos modernos de contracepção;

- aprovar o aborto livre, seguro e legal;

- aprovar as técnicas de reprodução assistida até nos países onde são tidas como ilegais;

- aprovar as relações pré-matrimoniais;

- aprovar as práticas e as uniões homossexuais;

- permitir a ordenação de mulheres bem como a de homens casados;

- aceitar a eventual abolição do sacerdócio ministerial e da hierarquia da Igreja;

- abolir o sacramento da Penitência".

 

Apesar do nome, as CDD têm demonstrado ser uma organização anticatólica, desprezando a Igreja e seus pastores. A Igreja Católica é tida como "opressiva e malvada". O Papa e os Bispos são "arrogantes, prepotentes, cegos, cruéis, obtusos, fanáticos, duros de coração, hipócritas, mentirosos, mesquinhos, maus, doentes, porcos, tagarelas, impiedosos, oportunistas, tiranos, imorais, loucos, injustos, traidores de Cristo, estirpe de Satanás"...

 

Alguns autores da corrente CDD são extremamente radicais. Assim C. F. Gudorf postula "a reformulação dos mitos religiosos centrais do Catolicismo assim como a reinterpretação da verdade revelada". Outros negam que Jesus tenha morrido por todos os homens; ainda outros negam a virgindade perpétua de Maria SSma. ou afirmam que a doutrina da infalibilidade papal é como um sonho ingênuo.

 

Os membros da corrente CDD não participam dos sacramentos da Igreja. Seguem um ritual que, por suas práticas, se assemelha aos ritos de Nova Era. Cultivam a devoção ao ídolo feminino Sofia (Sabedoria, em grego). Alguns cultuam o deus pagão Baal e redigem poesias em honra de Lúcifer.

 

2. Que diz a Igreja?

 

Os Bispos de vários países têm-se manifestado contrários ao movimento CDD. A Conferência Episcopal norte-americana, pronunciou-se duas vezes a respeito, declarando no ano 2000 que não merecem o apoio da Igreja.

 

A Conferência dos Bispos do Uruguai declarou-se constrangida a repetir que as CDD não têm vínculo algum com a Igreja, pois contradizem explicitamente os seus ensinamentos mais característicos" (24/03/1995).

 

3. As atividades CDD

 

Desde os seus primeiros tempos as Católicas pelo Direito de Decidir empreenderam iniciativas destinadas a modelar a opinião pública e criar um clima favorável aos seus objetivos.

Eis alguns de seus empreendimentos:

 

3.1. Campanha "See Change"

 

Em março de 1999 CDD lançou a Campanha "See Change", que tinha em vista retirar da Santa Sé a qualidade de Observador Permanente junto à ONU para reduzi-la à categoria de Organização não Governamental como é a Sociedade CDD. A razão desta Campanha está no fato de que a Santa Sé, nas assembleias gerais, se opõe ao controle artificial da natalidade, à esterilização, ao aborto... juntamente com as nações em desenvolvimento e em oposição aos países ricos do primeiro mundo; os representantes da Santa Sé têm posto em evidência as sutilezas do linguajar abortista.

 

A Campanha até nossos dias não logrou o êxito almejado.

 

3.2. Campanha "Um Preservativo para a Vida"

 

No início de 2002 a organização CDD lançou veemente campanha em favor do preservativo, apregoando:

 

"Os Bispos católicos preconizam a santidade de vida, mas o seu veto ao preservativo contribui para a tragédia da AIDS e da morte no mundo".

"Os católicos se preocupam. Será que se preocupam também os nossos Bispos? Proibir o uso do preservativo é matar".

 

Com tais dizeres foram colocados grandes cartazes ao longo de estradas e em lugares estratégicos de vários países como Bolívia, Chile, México, Nicarágua, Filipinas, Quênia, África do Sul, Estados Unidos, Canadá...

 

A CDD declarou ser esta a primeira etapa de intenso movimento destinado a mudar a posição da Santa Sé frente ao uso de preservativo.

 

3.3. Campanha em prol da Justiça

 

A "Justice Campaign" começou em 1986, dirigida ao Governo norte-americano para solicitar-lhe financiamento em favor das mulheres pobres que desejam abortar, opondo-se assim a movimentos curadores de subsídios. Foi visada especialmente a cidade do México, onde é proibido receber fundos provenientes dos Estados Unidos para promover o aborto nos países em vias de desenvolvimento.

 

3.4. Campanha "Anjo da Guarda"

 

Em julho de 2002 realizou-se importante Jornada Mundial da Juventude em Toronto (Canadá). A CDD aproveitou o ensejo para distribuir a jovens e adolescentes milhares de preservativos. Os agentes da Campanha se trajaram como anjos que entregavam outrossim um pequeno letreiro, que dizia: "Não permita que o anjo da guarda o veja".

 

O Bispo Mons. Reginald Cawcutt da Cidade do Cabo (África do Sul), como porta-voz dos demais Bispos do seu país, declarou em réplica a tão insidiosa iniciativa:

 

"A Igreja desaprova a tentativa de combater a difusão da AIDS mediante distribuição de preservativos aos adolescentes. Isto equivale a promover a promiscuidade em sinal de ideias confusas. A Igreja sustenta e promove com grande interesse programas educativos e preventivos baseados sobre autênticos valores. São estes, aliás, os únicos recursos que funcionam".

 

Seja lícito observar que o preservativo não é sexo seguro como dizem, de modo que propagar o preservativo é propagar também a probabilidade de contaminação.

 

3.5. Apoio ao Aborto Parcial

 

O aborto parcial consiste em extrair do ventre materno o corpo da criança, com exceção da cabeça; perfura-se, a seguir, o crânio da mesma com um instrumento afiado e faz-se a aspiração do cérebro. Ver Apêndice p. 398s deste fascículo.

 

Ora em 1993 o Congresso Nacional do Partido Republicano Norte-americano foi acompanhado pelo movimento CDD, que atacou os Bispos norte-americanos que se opuseram a tal prática desumana.

Sem comentários.

 

3.6. O referendum "A Igreja somos nós"

 

Em 1996 as CDD promoveram com grande empenho um referendo (Consulta Popular), que propugnava o seguinte programa:

 

Ordenação diaconal e sacerdotal de mulheres; Participação dos leigos na escolha dos Bispos e padres; Celibato sacerdotal facultativo; Recondução dos sacerdotes casados ao ministério sacerdotal; Promoção dos "direitos homossexuais"; Admissão dos católicos divorciados e civilmente recasados aos sacramentos; Primado da consciência de cada fiel frente ao magistério da Igreja Católica relativo a questões de sexualidade...

 

3.7. Atividades na América Latina

 

O movimento CDD aplica grande parte de seus recursos estratégicos e monetários aos países da América Latina e do Caribe, maioritariamente católicos. Tem publicado livros e panfletos que promovem o aborto, a contracepção, a esterilização e o homossexualismo masculino e feminino.

 

A mesma organização se volta para os latino-americanos residentes nos Estados Unidos. Em agosto de 1991 lançou o "Projeto Hispânico", que tem por objetivo "educar" os hispânicos para a "saúde reprodutiva". As CDD publicaram outrossim um livro satírico intitulado Y Maria fue consultada para ser Madre de Dios: trata de uma jovem que pergunta à Virgem Maria o que ela há de fazer no seu estado de gravidez indesejada; a conclusão é que a toda mulher toca o direito de escolher o aborto ou não, visto que o próprio Deus concedeu a Maria a possibilidade de dizer Sim ou Não à proposta de tornar-se Mãe de Deus.

 

4. Conclusão

 

Está comprovado que a organização "Católicas pelo Direito de Decidir" de católico só tem o nome.

 

Desde a sua fundação vem atacando a doutrina católica e a hierarquia da Igreja no intuito de ganhar a opinião pública para o aborto, a contracepção e procedimentos que chegam a ser antinaturais. A designação "Católicas..." causa confusão nas mentes; pode ter levado - ou levar - os incautos ao erro. Apoiada financeiramente por muitas Fundações e empresas estrangeiras, ainda pode ser muito nociva, inclusive à população católica do Brasil.

 

Para obstar a esses males, toca ao fiel católico esforçar-se por

 

1)  mostrar a quem compete, os graves erros que afetam a organização CDD, chegando a certas formas de paganismo e satanismo;

 

2)  apregoar a reta doutrina católica, que, em última análise, não é senão o eco da lei natural ou lei do Criador.

 

Este artigo reproduz os dados apresentados por Brian Clowes no verbete "Donne Catoliche per il diritto di decidere" em LEXIKON do Pontifício Conselho para a Família. Tal verbete indica com precisão a documentação-fonte das informações fornecidas, destacando-se a revista Conscience das CDD de língua inglesa.

 

APÊNDICE

 

O ABORTO PARCIAL

 

"Aborto parcial" designa um procedimento vigente nos Estados Unidos em consequência de um dispositivo legal daquele país. Com efeito; a legislação norte-americana professa ser lícito tirar a vida de um nascituro durante o parto, caso esteja ainda parcialmente no útero materno; depois que a criança foi totalmente extraída do seio de sua mãe, é considerada pessoa perante a lei e torna-se intocável. Por conseguinte, quando uma mulher quer abortar nas últimas semanas de gravidez, submete-se a uma intervenção que extrai o corpo da criança exceto a cabeça; depois disto o crânio da mesma é perfurado no útero da mãe e faz-se a aspiração do cérebro. Segue-se a retirada do crânio.

 

Aos 14 de junho de 1995 foi entregue ao Congresso norte-americano um projeto de lei dito Partial Birth Abortion Banact, que visava a interdição deste procedimento. Aprovado pelas duas Câmaras, foi submetido ao Presidente Clinton, que recusou assinar a eventual lei, alegando que tal tática deveria ser mantida a fim de atender em certos casos à saúde da mãe. Em suma, por três vezes o mesmo projeto foi apresentado ao Presidente para sanção, recebendo sempre a rejeição da suprema autoridade.

 

Ficaram baldados os apelos e protestos da Conferência dos Bispos norte-americanos e de personalidades importantes. Afim de pôr termo ao debate público, entrou em cena a Corte Suprema dos Estados Unidos, que aos 29 de junho de 2000 decretou serem inviáveis os projetos contrários à legislação vigente, que assim foram declarados nulos.

 

Pergunta-se: tal resolução significa progresso de civilização?

 

 

Dom Estêvão Bettencourt (OSB)



[1] Tal figura nunca existiu, como é demonstrado às pp. 400-405 deste fascículo.


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