REVISTA PeR (1459)'
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Artigo

PERGUNTE E RESPONDEREMOS 002 – fevereiro 1958

 

DEODATO  de São Paulo pergunta:

Como se explicam as palavras da consagração eucarística : ‘... .sangue, que será derramado por vós e por muitos’ ? Jesus não morreu por todos?

 

Consagração Eucarística: por muitos, por todos, pelos outros...

 

A expressão «por muitos» na fórmula da consagração eucarística se deriva de Mc 14,24; «Este ó o meu sangue, o sangue da Aliança derramado por muitos» (cf. Mt 26,28). Por sua vez, as palavras de Jesus na última ceia fazem eco a uma afirmação anterior de Cristo : «O Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a vida em resgate de muitos» (Mc 10,45; cf. Mt 20.28).

 

Ora nestas passagens, principalmente na segunda, o Senhor parece reproduzir um texto de Isaías, em que Javé declara : «Quando meu servo tiver oferecido sua vida em resgate, vem uma posteridade... Por seus sofrimentos meu servo justificará a muitos. Por isto Eu lhe darei multidões em partilha» (Is 53,10-12).

 

A palavra hebraica rabbim, ocorrente nesta passagem do Antigo Testamento, indica não simplesmente um grande número de homens, mas a massa, que é também a totalidade dos homens. O profeta e, por conseguinte, também Jesus entendem realçar o contraste entre um, que será sacrificado, e o grande número, a massa ou também os outros, que serão resgatados. Por isto alguns comentadores modernos de Mt e Mc traduzem o texto evangélico por «derramado em favor dos outros», não «...de muitos». Esta interpretação é confirmada pelo texto de São Paulo, Rom 5, 12.15-19; o Apóstolo, referindo-se ao fato de que por um só homem, Adão, a coletividade do gênero humano foi constituída pecadora e por um só homem, Cristo, foi justificada, emprega como equivalentes um ao outro os termos hoi pollói (o grande número) e pántes (todos). Tal modo de falar tem significado positivo e enfático: inculca que a totalidade dos homens se compõe não de poucos indivíduos, mas de muitos; de modo nenhum quer dizer que alguém esteja excluído do número dos remidos.

 

Ainda em confirmação de quanto está acima dito, devem-se citar os manuscritos recém-descobertos no deserto de Judá (Palestina); nestes documentos, de extraordinária importância para a exegese do Novo Testamento, a expressão ha-rabbim significa a assembleia geral, não um grupo restrito (cf. J. T. Milik, Dix ans de découvertes dans le désert de Juda. Paris 1957, 65s).

 

 

Dom Estêvão Bettencourt (OSB)


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#0•A1430•C66   2012-01-08 11:57:44 - 14/Claudio Maria
Uma multidão não quer dizer todos. Ele se ofereceu, a intenção, para todos, mas nem todos serão salvos.

Parece-me mais lógico, portanto, que Nosso Senhor Jesus Cristo tenha tido a intenção de dizer 'muitos' e não 'todos', pois seu sacrifício para os que o rejeitam foi em vão e, portanto, não foi para todos.


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