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PERGUNTE E RESPONDEREMOS 397/junho 1995

Livros em Destaque

 

Sinistras Profecias:

"PARUSIA OU A PRÓXIMA VOLTA DE CRISTO"

por Léo Persch

Em síntese: O livro do Pe. Léo Persch procura ilustrar as passagens de Daniel e do Apocalipse, aparentemente proféticas, à luz das revelações particulares atribuídas ao Senhor Jesus e a sua Mãe Santíssima; Medjugorje, Pe. Gobbi e Vassula Ryden seriam luzeiros para se entenderem os textos sagrados. Em conseqüência, o Pe. Persch professa a volta de Cristo para breve (ano 2000), a fim de instaurar sobre a terra um reino de paz e bonança espiritual; esse evento, diz ele, será precedido de terríveis catástrofes, que punirão os maus e deixarão os bons incólumes.

A estas proposições se deve opor o caráter arbitrário e subjetivo da interpretação da Bíblia por parte do autor; não leva em conta o gênero literário dos escritos apocalípticos de Daniel e de São João. Além do quê, é temerário dar tanto peso a revelações particulares como se fossem a continuação ou explicitação da revelação pública e oficial feita à Igreja por Jesus e pelos autores sagrados. A índole subjetiva e imaginosa da obra do Pe. Persch prejudica a sua credibilidade. - Dizemos isto sem pretender desmerecer o zelo do autor pelo reafervoramento de vida dos fiéis cristãos. Este zelo missionário é muito válido, mas vem sendo exercido sem base suficiente na Palavra de Deus.

* * *

 

O Pe. Léo Persch é professor universitário em Pelotas (RS). Publicou em 1994 um livro que está causando impacto, a respeito da parusia ou da próxima volta de Cristo(1). Distingue este evento daquilo que se costuma chamar "o fim do mundo". Admite na base de textos bíblicos (Daniel e Apocalipse principalmente) relidos à luz de revelações particulares (Medjugorje, Pe. Gobbi, Vassula Ryden) a iminente volta do Senhor Jesus para instaurar um reino de paz e bonança espiritual na terra; antes, porém, deste período feliz, registrar-se-ão, como sinais precursores, terríveis catástrofes e tribulações nos próximos anos, ficando a humanidade reduzida a um terço de seu montante. O livro tem aspecto de erudição, pois apela para numerosos textos bíblicos conjugados entre si. A leitura de tal obra pode incitar o leitor que lhe dê crédito, a uma atitude cada vez mais piedosa ou a conversão mais radical, mas também pode suscitar um clima de apavoramento e terror, que, em vez de beneficiar, prejudica a vida espiritual de muitos fiéis.

1 Parusia ou a Próxima volta de Cristo. Secretariado Rainha da Paz, Porto Alegre, 140x 220 mm, 183 pp.

 

Dada a importância de tal livro, consagramos-lhe as páginas subseqüentes deste fascículo.

 

1. DUAS ADVERTÊNCIAS PRELIMINARES

1.1. Metodologia

A obra do Pe. Léo Persch utiliza vários textos bíblicos. Todavia não leva em conta o sentido original, o gênero literário e a intenção dos autores sagrados; interpreta-os como se fossem textos modernos, que podem ser entendidos segundo as categorias de pensamento do homem de hoje. O autor parece mesmo desconfiar da exegese dita "científica" (cf. p. 161).

Eis, porém, que é regra de sadia exegese procurar, antes do mais, o significado preciso do texto original; é necessário entender o texto como o autor sagrado o entendia e daí depreender a mensagem que ele queria transmitir. A inspiração do texto bíblico por parte do Espírito Santo não equivale a ditado mecânico; supõe sempre as categorias de pensamento do escritor oriental, antigo. Estas, portanto, têm que ser, primeiramente, detectadas e reconhecidas para que se possa compreender genuinamente a página bíblica. Este procedimento exegético tem sido enfaticamente recomendado pela Igreja desde Pio XII (encíclica Divino Afflante Spiritu, 1943) até o Concílio do Vaticano II, que em sua Constituição Dei Verbum ditou as normas seguintes:

"Já que Deus falou na Sagrada Escritura através de homens e de modo humano, deve o intérprete da Sagrada Escritura, para bem entender o que Deus nos quis transmitir, investigar atentamente o que os hagiógrafos de fato quiseram dar a entender e aprouve a Deus manifestar por suas palavras.

Para descobrir a intenção dos hagiógrafos, devem-se levarem conta, entre outras coisas, também os gêneros literários. Pois a verdade é apresentada e expressa de maneiras diferentes nos textos históricos, proféticos ou poéticos ou nos demais gêneros de expressão. Ora é preciso que o intérprete pesquise o sentido que, em determinadas circunstâncias, o hagiógrafo, conforme a situação de seu tempo e de sua cultura, quis exprimir e exprimiu por meio dos gêneros literários então em uso. Pois, para entender devidamente aquilo que o autor sagrado quis afirmar por escrito, é necessário levar em conta sejam aquelas usuais maneiras nativas de sentir, de dizer e de narrar que eram vigentes nos tempos do hagiógrafo, sejam as que em tal época se costumavam empregar nas relações dos homens entre si" (no 12).

 

Verdade é que muitos dos exegetas científicos desde o fim do século XVIII têm cedido ao racionalismo, a ponto de esvaziarem por completo o texto bíblico. É o que vem provocando a réplica do chamado "Fundamentalismo", que se apega à letra do texto como ele soa em suas versões vernáculas e se fecha aos estudos de lingüística, arqueologia, história antiga... Ora o Fundamentalismo é posição extremada, errônea, como o racionalismo, pois ignora o mistério da condescendência divina, que assume as modalidades da linguagem e da cultura dos homens antigos para falar à humanidade. Assim se lê num documento da Pontifícia Comissão Bíblica intitulado "A Interpretação da Bíblia na Igreja" e datado de 15/4/1993:

"O problema de base da leitura fundamentalista é que, recusando levar em consideração o caráter histórico da revelação bíblica, ela se torna incapaz de aceitar plenamente a verdade da própria Encarnação. O Fundamentalismo foge da estreita relação do divino e do humano no relacionamento com Deus. Ele se recusa a admitir que a Palavra de Deus inspirada foi expressa em linguagem humana e que ela foi redigida, sob a inspiração divina, por autores humanos cujas capacidades e recursos eram limitados. Por esta razão, ele tende a tratar o texto bíblico como se ele tivesse sido ditado, palavra por palavra, pelo Espírito e não chega a reconhecer que a palavra de Deus foi formulada numa linguagem e numa fraseologia condicionadas por uma ou outra época. Ele não dá atenção às formas literárias e às maneiras humanas de pensar presentes nos textos bíblicos, muitos dos quais são fruto de uma elaboração que se estendeu por longos períodos de tempo e leva a marca de situações históricas muito diversas.

O Fundamentalismo insiste também de maneira indevida sobre a inerrância dos pormenores nos textos bíblicos, especialmente em matéria de história ou de pretensas verdades científicas. Muitas vezes ele torna histórico aquilo que não tinha a pretensão de historicidade, pois ele considera como histórico tudo aquilo que é narrado ou contado com os verbos em tempo pretérito, sem a necessária atenção à possibilidade de um sentido simbólico ou figurativo" (IF).

Por conseguinte, nem racionalismo nem fundamentalismo... Mas é necessário que o exegeta proceda sempre em duas etapas:

  procure, mediante os recursos da lingüística, da arqueologia, da história antiga... definir claramente o sentido do texto original ou aquilo que o autor humano queria dizer;

  a seguir, coloque esses resultados no conjunto das proposições da fé. A Sagrada Escritura é um longo discurso de Deus, homogêneo, que tem suas linhas centrais e seus acordes, que devem projetar luz sobre cada secção desse discurso. É o que São Paulo chamava "a analogia da fé ou a proporção da fé" (Rm 12,6). Esta fé é vivida e proclamada pela Igreja, cujo magistério recebeu de Cristo a garantia da autenticidade (cf. Jo 14, 26; 16,13-15). Assim o estudioso católico chega ao entendimento exato do texto sagrado. Não incute suas idéias ao texto (o que seria fazer in-egese), mas deduz do texto a mensagem objetiva (faz ex-egese).

Quem assim não procede, corre o risco do subjetivismo ou de interpretações pessoais, semelhantes às que ocorrem no protestantismo.

1.2. As Revelações Particulares

A originalidade do livro do Pe. Persch está em ilustrar os textos bíblicos de Daniel e do Apocalipse (principalmente) a partir das revelações particulares ocorridas em Medjugorje ou nos escritos do Pe. Gobbi e de Vassula Ryden. Essas revelações seriam roteiro para se entender a mensagem da Escritura.

A propósito observamos:

1) Nenhuma revelação particular é endossada oficialmente pela Igreja. Esta não pode colocar no mesmo plano a revelação feita por Jesus Cristo e pelos autores bíblicos e qualquer revelação ocorrida em caráter particular após a era dos Apóstolos. A revelação oficial e pública termina com a geração dos Apóstolos; cf. Lúmen Gentium no 25; Dei Verbum no 4. Em conseqüência torna-se difícil crer que Deus queira continuar e explicitar a revelação outrora feita pelas Escrituras servindo-se de revelações não oficiais ou fazendo destas o complemento daquelas.

As revelações particulares, quando genuínas, geralmente corroboram o Evangelho, incutindo duas notas importantes: oração e penitência. Assim em La Salette, em Lourdes, em Fátima... Qualquer outra predição, principalmente se é muito minuciosa, torna-se suspeita. É não raro a satisfação que os "videntes" dão à sua própria curiosidade de saber o decurso do futuro; imaginam-no como se fosse revelado por Deus. Independentemente dessas minúcias, ficará sempre válida a exortação à conversão e à oração, tão recomendada pelo Evangelho e corroborada pelos sinais dos tempos atuais; estes pedem que os cristãos muito especialmente sejam o sal da terra, a luz do mundo (cf. Mt 5,13s), o fermento na massa (cf. Mt 13,33). A consideração dos nossos tempos, portanto, deve levar ao afervoramento da vida dos cristãos, abstração feita de predições sinistras.

Examinemos agora o teor do livro do Pe. Persch.

 

2. O CONTEÚDO DO LIVRO

O Pe. Persch distingue a iminente volta de Cristo e o fim do mundo. Cristo há de vir em breve para instaurar um reino de paz e bonança espiritual, que não porá o fim à história da humanidade (não chega a definir a duração desse reino de paz ou não chega a professar o milenarismo). Assim o autor respeita a recusa do Senhor, que não quis revelar a data do juízo final (cf. Mc 13, 32; At 1,7); julga, porém, que Ele manifestou a data da sua segunda vinda; cf. pp. 33-37.

Qual seria essa data?

Não é indicado o ano preciso. Mas o autor afirma: "Depois do atual Papa, o Anticristo e o desenrolar do Apocalipse" (p. 123).

O Anticristo é detido pela força do Cristianismo, representada muito especialmente pelo Papa João Paulo II. Este é o obstáculo que impede a plena manifestação do mistério da iniqüidade (cf. 2Ts 2,3-8); há de ser removido esse obstáculo.

Precedendo a volta de Cristo, estão acontecendo, e acontecerão com mais virulência, grandes males sobre a terra, e Léo Persch fala de acontecimentos dramáticos (pp. 19-21); a Maçonaria (p.103), a Nova Era (pp. 103-117) seriam forças desencadeadas para provocar a perseguição dos cristãos em nossos dias; a AIDS é um dos flagelos preditos pelo Apocalipse (cf. p. 127); o Apocalipse terá falado de produtos tóxicos, armas químicas, biológicas, nucleares... (cf. pp. 127-137).

Mais precisamente, o autor constrói sua cronologia sobre dados do livro de Daniel (como, aliás, fazem os Adventistas e as Testemunhas de Jeová). Parte de Dn 9,24-27, que afirma o seguinte:

24        "Um prazo de setenta anos foi fixado

A respeito do teu povo e da tua Cidade Santa,

Para pôr termo ao pecado,

Para dar fim à iniqüidade,

para expiar a culpa,

Para introduzir justiça eterna,

Para selar (= cumprir) visão e profecia,

Para ungir o Santo dos Santos.

25        Reconhece e compreende:

Desde o momento em que foi emitida a palavra

De restauração e reconstrução de Jerusalém

Até a vinda do Príncipe Ungido,

Transcorrerão sete semanas.

E durante sessenta e duas semanas

Será restabelecida e reconstruída (Jerusalém)

Com sua praça e seu fosso,

Mas na angústia dos tempos.

26        E, depois de sessenta e duas semanas,
O Ungido será eliminado

Sem que haja pecado nele.

Então um príncipe que há de vir com seu povo,

Destruirá a cidade e o santuário.

E seu fim se dará no cataclismo (na inundação)!

Até o fim haverá guerras

E os desastres decretados.

27     Ele firmará aliança com muitos No decorrer de uma semana. E no meio da semana Fará cessar o sacrifício e a oblação. E sobre o santuário haverá a horrível abominação. Até que a destruição decretada Se abata sobre o devastador".

Como se vê, o texto parece prever setenta semanas de anos (490 anos) para que Cristo venha pela segunda vez, segundo o Pe. Persch. Essa duração é dividida em três segmentos:

-  o primeiro compreende sete semanas de anos (49 anos); ver Dn 9,25a; -o segundo compreende 62 semanas de anos (cf. Dn 9,25b);

-  o terceiro compreende a última semana de anos, que, por sua vez, é subdividida em dois fragmentos de 3,5 anos cada qual; ver Dn 9,27.

Segundo L. Persch, a contagem das setenta semanas começa em 5/3/ 444 a.C, quando Artaxerxes da Pérsia decretou a restauração de Jerusalém conforme o livro de Neemias(1). As primeiras sete semanas ou o primeiro segmento dos 490 anos foram dedicadas à reconstrução do Templo de Jerusalém e à reorganização da vida teocrática na terra de Judá. Notemos que o Profeta dirige a predição "ao povo de Israel e à cidade santa". Ora estes destinatários só subsistiram até o ano de 70 d.O, quando Jerusalém foi tomada pelos romanos e o povo disperso na diáspora. Persch julga que nessa data (ou, mais precisamente em 33 d.C, quando Jesus morreu; cf. p.150) a execução da profecia ou da previsão de 490 anos foi interrompida, porque seus destinatários deixaram de existir. Faltava apenas uma semana para se completarem as setenta semanas de anos. Os destinatários tornaram a existir em 31/12/1993, quando foi assinado o reconhecimento do Estado de Israel por parte do Vaticano. Começa então a fluir a última semana de anos, o que leva a história atribulada a terminar no ano 2000.

1 O autor cita vagamente o livro de Neemias sem indicar capítulo e versículos. Na verdade, quem decretou a restauração de Jerusalém, foi o rei Ciro da Pérsia; cf. Esd 1,2-4.

Estes últimos sete anos (1993-2000) estão divididos em dois segmentos, sendo que no segundo segmento será abolida a celebração da Eucaristia:

"A supressão do sacrifício da Missa e conseqüentemente a abominável desolação somente acontecerão a partir da metade da semana de anos, isto é, nos últimos três anos e meio" (p. 152).

 

Isto quer dizer que, a partir de julho de 1986, deixará de ser celebrada a Eucaristia. Ver ainda:

 

"A duração da grande tribulação é oficialmente estabelecida em sete anos, ou 'uma semana de anos', terminologia criada por Moisés e empregada nas revelações do profeta Daniel. Trata-se exatamente da última semana de anos (últimos sete anos) das 'setenta semanas de anos' que lhe foram reveladas. É o 'tempo final do nosso mundo, que será destruído em grande parte, para ser inteiramente renovado pelo poder de Deus. Na esteira da destruição acontecerá também o 'fim da prevaricação pela redenção dos pecados e expiação da iniqüidade - instauração de uma justiça eterna - fim (= cumprimento) das visões e profecias e a unção do Santo dos santos' (Dn 9,24).

Esses últimos sete anos, que precedem a vinda de Cristo, se dividem em dois períodos iguais, de três anos e meio cada um, isto é, quarenta e dois meses ou 1.260 dias-períodos mencionados quatro vezes em Daniel e cinco no Apocalipse.

Nos primeiros três anos e meio, as turbulências serão de menor gravidade, e os acontecimentos ou tribulações permanecem ocultos, sendo que poucos fatos vêm à tona. Nos bastidores da história, secreta e ardilosamente, armam-se esquemas e tramas que irão evoluir em grandes catástrofes nos anos seguintes. No segundo período, que terá início com a morte ou afastamento do Papa João Paulo II, será oficialmente abolido o santo sacrifício da Missa, começando, a partir daí, a precipitação dos graves acontecimentos. Vejam o que diz Daniel: 'No meio da semana cessará o sacrifício e a oblação' (9,27). Em 12,11, designa esse fato como 'abominável desolação', expressão consagrada posteriormente nos Evangelhos, onde Jesus acrescenta: 'Quem ler o profeta Daniel, procure entender' (Mt 24,15).

A partir desse marco inicial — a 'supressão oficial do santo sacrifício da Missa'—, que Jesus, em suas atuais mensagens a Vassula denomina 'o meu Sacrifício Perpétuo', a situação irá se agravando mais e mais. Começará pela abertura dos 'sete selos', degenerando em catástrofes sempre maiores, à medida que se aproximam os derradeiros dias desses três anos e meio"(pp. 82s).

"Essa abolição oficial da Missa, que virá, como dissemos, depois da morte do Papa João Paulo II, será decretada pela autoridade máxima da Igreja, o Anticristo, em nome de um malfadado modernismo, doutrina que então será invocada para justificar tamanho sacrilégio" (pp. 92s).

Finalmente virá gloriosamente o Senhor Jesus para reinar visivelmente sobre a terra.

Interessante é que o autor tempera suas afirmações, caindo em certa contradição, quando à p. 93 afirma:

"Dentro da hierarquia sempre haverá alguns que permanecerão fiéis à doutrina milenar da Missa e da Eucaristia. Durante esse turbulento período de 1.290 dias (1), muitos bispos e sacerdotes fiéis continuarão a celebrar a santa Missa. Serão por isto perseguidos e uns quantos perecerão, imolados como cordeiros, pelos agentes que se encontram a serviço da efêmera fúria triunfante da segunda besta do Apocalipse.

 

Não está claramente definido se isto acontecerá em todo o mundo".

 

1Pode-se supor erro gráfico: 31/s anos correspondem a 42 meses e 1260 dias. (N.d.R.)

 

O autor acrescenta à p. 161:

"Os sinais estão em toda parte. Sim, só em nosso século, já sobem a centenas as aparições de Jesus e Maria, de anjos e santos. Nos locais de aparições há 'sinais no sol, na lua e nas estrelas' - como predisse Jesus vistos e testemunhados por dezenas de milhares de pessoas. Diante deles os simples se convertem. Convertem-se porque vêem os frutos abundantes,. e também porque, com o instinto sobrenatural que lhes confere o batismo, sentem que a mão de Deus está operando ali.

O grande problema são os 'doutores', os 'cientistas', que sempre têm engatilhada uma explicação parapsicológica. Eles falam em alucinação, em dramatização do inconsciente, em aporte e outras coisas ainda mais bizarras" (P-161).

Pergunta-se agora:

 

3. QUE DIZER?

3.1. Considerações Gerais

Sob o subtítulo 1 deste artigo já mencionamos a necessidade de um estudo sério e científico das Escrituras para se poder depreender a sua mensagem com segurança. Ora infelizmente o Pe. Persch não pesquisa o sentido dos textos bíblicos do Antigo Testamento nem seus gêneros literários. Entrega-se a cálculos de cronologia a partir de Dn 9, que são artificiais ou mesmo falsos; as 69 semanas de anos (483 anos) que ele julga começar em 444 a.C, terminaram em 39 d.C, ano este que não corresponde nem ao da morte de Cristo (esta terá ocorrido em 33, conforme Persch à p. 150) nem ao da queda de Jerusalém (ocorrida em 70 d.C). - O recomeço do Estado de Israel, supresso em 70 d.C, não se deu em 1993, mas em 1947, quando a ONU houve por bem reconhecer os direitos dos judeus sobre sua terra de origem. Donde se vê quão inconsistentes são os cálculos e as datações de Persch; dir-se-ia que, de antemão, ele concebeu o ano 2000 d.C. como o da volta do Senhor Jesus e quer forçar o texto sagrado a afirmar o que ele predefiniu.

 

Quanto às revelações particulares, é arbitrário tomá-las como luzeiro para interpretar o texto sagrado. Supor-se-ia, da parte do Senhor Deus, a revelação de artigos independente do magistério oficial da Igreja. O grande número de revelações particulares hoje proclamadas suscita o senso crítico do observador; não se poderiam reduzir a uma espécie de reação psicológica de pessoas que, impressionadas pela inclemência dos tempos atuais, procuram uma consolação na previsão de castigo para os maus e recompensas para os bons dentro dos próximos anos? Sabemos que a Igreja é sóbria no tocante às revelações particulares, e os Santos Doutores alertam para o perigo de confundir fenômenos psicológicos com dons de Deus.

Ademais a aplicação do raciocínio e do estudo a assuntos de fé não somente não é má, mas vem a ser necessária; a fé requer credenciais ou motivos de credibilidade. Compete à razão investigar as razões por que os fiéis possam ou devam crer nesta ou naquela proposição religiosa. Sem este sustentáculo da razão, pode o fiel cair no imaginoso ou fantasioso, confundindo intuições subjetivas com artigos de fé. - O uso moderado da razão nada tem que ver com racionalismo ou incredulidade; está subordinado à autoridade da Palavra de Deus, que chega até nós pelo magistério da Igreja.

 

3. 2. Os livros de Daniel e do Apocalipse

O livro de Daniel, em seus capítulos 7-12, pertence ao gênero literário apocalíptico, que é caracterizado por imagens, símbolos, números convencionais... O leitor que não leve em conta esse estilo da obra, corre o risco de passar ao largo de sua autêntica mensagem.

Em dois artigos deste fascículo serão abordados explicitamente o cap. 9 de Daniel e o livro do Apocalipse. Procuraremos apresentar o significado dessas secções bíblicas consideradas de maneira objetiva e sóbria. O leitor poderá então perceber mais claramente quão pouco fidedignas são as predições minuciosas atualmente deduzidas desses livros. A conclusão que, sem dúvida, se impõe a todo cristão que reflita sobre os tempos presentes, é a da necessidade absoluta de oração e penitência. Pratique-as sem depender de profecias, e estará dando a genuína resposta aos sinais dos nossos tempos.

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