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Artigo

PERGUNTE E RESPONDEREMOS 389 – outubro 1994

 

AMWAY E NOVA ERA

 

 

Do Dr. Antônio Paulo Veiga, empresário e membro da Associação de Dirigentes Cristãos de Empresas, recebemos a seguinte carta, que publicamos com prazer, pois atende a uma pergunta que nos tem sido feita frequentemente: será a empresa norte-americana AMWAY filiada à corrente filosófico-religiosa (panteísta e anticristã) dita NOVA ERA? — Como verá o leitor, a resposta é negativa.

 

Nova-Era AMericanWAY?

 

Caros irmãos em Cristo,

 

Fiquei sabendo recentemente que alguns irmãos teriam uma suspeita que me assolou há mais de um ano. Na ocasião procurei investigar a questão por haver estranhado o inusitado tipo de negócio que é o Marketing Multinível ou de Rede (Network Marketing), então novidade para mim, como ainda o é para a maioria dos brasileiros.

 

Na ocasião busquei também opiniões de outros católicos, a quem descrevi o negócio e a empresa pioneira, quando era apenas uma tese universitária há 35 anos — a AMWAY.

 

Quanto à suspeita de que o nome seria uma alusão às palavras de N.S. Jesus "l am the way", esclareci a origem do nome escolhido por seus dois únicos proprietários: Richard de Vos, mercadologista, e Jay Van Andel, químico; foram sócios em pequenas iniciativas desde jovens. O nome vem de AMERICAN WAY OF LIVE (modo americano de viver), e não de I am the way ("Eu sou o caminho", Jo 14,6).

 

Aos poucos fui conhecendo o negócio e as pessoas, os métodos, o sistema. Trata-se de comércio por meio de catálogos, à moda americana, diretamente da indústria ao consumidor, reconhecendo o valor da "publicidade natural", pessoa-a-pessoa. Isso desagrada a muitos concorrentes, aos intermediários de sempre e à poderosa mídia. A diferença é investida em pesquisa de qualidade e em remuneração ao consumidor, de acordo com os resultados de seu trabalho, o volume de negócios de seu grupo (consumidores apresentados, seus patrocinados e assim por diante, em "cascata", incluindo eventuais itens comprados para revenda a quem não queira aderir ao negócio, não queira adquirir a "franquia" de "Distribuidor Independente").

 

A Amway Corporation vem convivendo muito bem há 35 anos com os concorrentes que preferem o sistema mais disseminado — de distribuição indireta e publicidade paga — e com os que preferem o network marketing, como ela. Desses últimos, ocorrem-me alguns sem maior diversificação horizontal, como Avon, Natura, Tupperware, etc.

 

O algo assustador crescimento parece dever-se aos atrativos de se poder possuir um negocio próprio para renda "extra"por meio de um sistema justo (por exemplo, impede um preguiçoso "esperto" de ganhar dinheiro com apenas um patrocinado que trabalhe muito; paga a cada um o que "merece" conforme regras pré-estabelecidas), que nos reconhece esse trabalho de divulgação "natural" que antes sempre fizemos sem reconhecimento.

 

Esse crescimento e a diversificação horizontal evocaram em mim, naquela ocasião (e, creio que em alguns irmãos mais atentos aos sinais e perigos), imagens oligopolistas, monopolistas até, chegando a lembrar-me da profecia quanto à restrição para comprar e vender que se fará um dia aos que não nos deixaremos marcar na testa e na mão com o sinal da besta conforme o Apocalipse segundo São João Evangelista. Dei-me conta, porém, de que não há aqui tais sinais. No máximo um cadastro-contrato, uma conta e um cartão magnético, como nos Bancos.

 

Hoje parece-me não haver tal perigo porque vejo que, em seu sistema, a AMWA Y depende, para existir, da permanente adesão de novos clientes (que não podem ser seus funcionários) e da diversidade de empresas que geram emprego para seus novos consumidores, ao menos pelos primeiros anos em que estiverem no negócio.

 

Das pessoas que conheci, destaco algumas que, em público, louvam a Deus, sem estardalhaço, diante de enormes plateias, com muitos milhares de pessoas, encorajando-as a dar graças e a perseverar na busca dessa livre iniciativa privada. Ocorre-me, entre outros, por exemplo o Tim Foley, que sempre traz o sacerdote que oficiou seu matrimônio, o Padre Don Walk, para pregar por uma manhã inteira para doze mil pessoas sobre Ética nos negócios, amor incondicional, perdão, e tantos outros temas, disseminando a Verdade e alcançando pessoas que não frequentavam templos, e que, de outro modo, ta/vez não chegariam a conhecer a Verdade. Esse católico está no negócio há trinta anos e há quase um ano alcançou o nível em que se recebe o bônus "diamante triplo", participando da rede ProNet fundada há trinta anos e responsável por 2/3 (dois terços) do volume de vendas da AMWAY.

 

É bom que estejamos alertas, vigilantes... Lembremo-nos, porém, de que Deus é onipresente, não o inimigo — a este último não o vejamos em toda parte.

 

Parece-me — mesmo não simpatizando sempre com o AMerican WAY of life — que precisamos de maior objetividade nos discernimentos. Para tal pedimos ao Santo Espírito que nos inspire.

 

Rio, 18 de junho de 1994.

Antonio P. Veiga

 

 

Dom Estêvão Bettencourt (OSB)


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