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Artigo

PERGUNTE E RESPONDEREMOS 517 – julho 2005

Dissipando equívocos:

 

MACUMBA PEGA?

 

Em síntese: O artigo procura dissipar a crença de que o demônio é o equivalente aos exus e orixás da Umbanda. Despachos e trabalhos de Umbanda não atraem o Maligno que é um ser incorpóreo, não interessado por oferendas materiais.

 

A revista católica CREIA n° 8, pp. 34-36 publicou o artigo "Macumba pega?", que sugere reflexões. Passamos a examiná-lo.

 

1. O texto discutido

 

À p. 36 Claudionor e Celina Peixoto escrevem: «Para a pergunta: "Macumba pega?" temos duas respostas:

 

Sim, pega naqueles que estão longe de Deus, naqueles que com suas ações e omissões não aceitam a Sua infinita misericórdia.

 

Não, não pega naqueles que se apegam ao Senhor, naqueles que proclamam através de palavras e ações o seu amor incondicional ao Deus criador e redentor de suas vidas.

 

Claudionor e Celina Peixoto são membros da Associação São Miguel Arcanjo da Cidade de São Paulo"» (p. 36).

 

Para ilustrar a resposta negativa, o artigo cita o Catecismo da Igreja Católica n° 395, que trata da derrota de Satanás (pela Cruz de Cristo) e não das entidades afro-brasileiras. Na mente dos dois articulistas. Satanás e as entidades da Macumba se identificam entre si - o que é falso, pois não existem exus nem orixás.

 

Para corroborar a resposta afirmativa (a macumba pega), os articulistas citam o caso seguinte:

 

“A brecha por onde entra o mal

 

Vamos contar um caso ocorrido conosco: há alguns anos atrás tínhamos um funcionário em nosso estúdio de TV, que em certa ocasião se queixou de fortes dores abdominais; apresentava também o ventre bastante inchado. Conseguimos que ele fosse examinado por uma médica especialista em doenças do fígado no Hospital das Clínicas, e o diagnóstico foi de esquistossomose. O fato é que ele não teria mais que semanas de vida, segundo os médicos. Ele então pediu que a Celina orasse, embora fosse evangélico. Ela disse a ele que costumava pedir a intercessão de Nossa Senhora quando rezava e ele concordou. Ela colocou então o rosário em torno do rapaz e pediu que o Senhor, pela intercessão da mãe, tivesse misericórdia daquele filho e em seguida ele começou a vomitar como que uma espuma. Depois de muito vomitar, o rapaz comentou: - Como posso vomitar essa espuma se apenas comi biscoito com café? Celina continuou a orar, explicando que aquilo era uma libertação e, através do dom de ciência, visualizou um sapo com um cigarro na boca inchando até explodir. A espuma que saía do animal depois de explodir era a mesma que nosso funcionário havia vomitado. Alguém havia feito um ‘trabalho’ de morte para ele em algum terreiro de macumba e ele, estando afastado de Deus, tinha uma ‘brecha’ aberta que permitiu a ação do maligno. Com o pedido de oração e com a sua entrega nas mãos de Deus, a misericórdia de Jesus, que nada nega a sua mãe, atuou poderosamente e esse rapaz está vivo até hoje, dando graças por ter sido alvo do amor de Deus” (p. 35).

 

2. Que dizer?

Propomos três reflexões.

 

1.  Demônios e orixás. Notemos, antes do mais, que exus e orixás não existem; são entidades que configuram o imaginoso mundo invisível das religiões afro-brasileiras. - Ao contrário, o demônio ou o anjo mau existe, mas não se interessa por despachos umbandistas e sim pelo pecado do homem, de modo que os despachos como tais são inócuos, significando tempo e dinheiro perdidos. Por conseguinte não se devem identificar entre si demônios e orixás nem se diga que o demônio acode quando se invoca um orixá.

 

2.  Despachos e malefícios. Pode acontecer que alguém sofra algum dano depois de haverem feito algum "trabalho" para a sua desgraça. Isto será devido não a uma pretensa eficácia do "trabalho", mas à sugestão que a pessoa em foco concebe. Quem se julga perseguido por uma entidade poderosa, facilmente se abate e se entrega, consciente ou inconscientemente, à desgraça. Por conseguinte, quem é visado por um despacho não perca a paz nem faça caso do pretenso malefício.

 

3.  Sapo que fuma. Pode-se perguntar se vem do Espírito Santo e corresponde à realidade a imagem do sapo que fuma, explode e dá origem à espuma. Não seria, antes, uma expressão da imaginação popular, que tende a configurar o demônio como animal feio e nojento? A espuma que saiu do paciente não seria secreção de um organismo doentio epilético?

 

Seja, pois, excluída a tese de que macumba pega. Nem aos mais inveterados pecadores ela faz mal como se tivesse eficácia própria. Todavia ela pode sugestionar os que nela creem e contribuir para que, deprimidos, se precipitem na desgraça.

 

 

Dom Estêvão Bettencourt (OSB)


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