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Artigo

PERGUNTE E RESPONDEREMOS 551 – maio 2008

 

"MARTINHO LUTERO, PECADOR E EVANGELISTA DE JESUS CRISTO"

 

Síntese: Está sendo divulgado um panfleto intitulado como acima, pretensamente da autoria de uma Comissão Mista Católico-Luterana. Alguns trechos desse documento são difundidos num "Curso de Espiritualidade - Laranjeiras - Copacabana - Niterói", com a seguinte nota:

 

"Em 1983, quando se comemoravam os 500 anos do nascimento de Lutero (1583), uma Comissão Mista Católico-Luterana publicou um Documento, do qual oferecemos alguns trechos".

 

Pergunta-se:

QUE DIZER?

 

1- O documento em foco é de autores anônimos - o que lhe tira autoridade. A literatura teológica católica de 1983 ou posterior a 1983 não o cita, de modo que a própria existência dessa Comissão Mista fica sujeita a dúvidas.

 

2- O teor do documento é uma apologia de Lutero e de suas concepções que não cabe nos moldes da Teologia católica. Lutero é dito "uma testemunha do Evangelho, um mestre na fé e arauto da renovação espiritual". Ou ainda: "O pensamento de Lutero é uma forma legítima da teologia cristã, precisamente no que concerne a sua doutrina sobre a justificação".

 

Ora tais afirmações são incompatíveis com a fé católica. As pilastras do pensamento luterano - "Somente a Bíblia" (é o livre exame da Bíblia por parte do crente) e "Somente a fé", com menosprezo da carta de São Tiago, opõem-se frontalmente à doutrina católica, que enfatiza a Tradição divino-apostólica e a prática das boas obras (sustentada pela graça).

 

Por conseguinte o pensamento luterano não pode ser tido como forma legitima da teologia cristã, pois, por mais que proclame sua fidelidade à Bíblia, contradiz à própria Bíblia, que recomenda a tradição oral (cf. Jo 20, 30; 27, 24; 2Tm 2, 2...) e a prática das boas obras, sem as quais a fé é morta (cf. Tg 2, 14-26).

 

Verdade é que foi assinado um Acordo luterano-católico no ano 2000 (muito depois do panfleto em foco) sobre a justificação. Este Acordo tinha em vista um ponto apenas da Teologia, afirmando que a justificação é gratuita e independente de boas obras.

 

Com outras palavras: o Acordo se restringe a saber como o pecador é justificado ou feito justo (amigo de Deus). Justificação, porém, não é salvação; é o começo de uma caminhada que deve terminarem salvação ou estado de graça na última hora. É a persistência na graça de Deus. Esta não ocorre sem que o crente, após a justificação, pratique boas obras. Este outro ponto ainda não foi objeto de Acordo Luterano-católico.

 

3- O panfleto implica uma crítica discreta à "Igreja Católico-Romana" (expressão insólita na linguagem católica), atribuindo-lhe "ênfase centralizadora excessiva do Papado, posições unilaterais em matéria de teologia e prática sacramentai".

 

4- Este conjunto de notas suscita a pergunta: Não será tal panfleto mais um embuste ou um falso instrumento, forjado pelos irmãos separados para tentar persuadir os católicos de que não há diferença entre Catolicismo e Protestantismo? - A campanha proselitista do protestantismo não tem sido muito honesta; um panfleto como o que estamos analisando não lhe seria estranho. A mentira não é rara nas artimanhas do protestantismo.

 

Fazemos votos em prol da reunião de católicos e protestantes, sim, mas dentro de um clima de amor à verdade e à sinceridade.

 

 

Dom Estêvão Bettencourt (OSB)


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#0•A1238•C74   2012-03-05 13:58:11 - Convidado/V.De Carvalho/A.Silva
O PROTESTANTISMO E SUA ETERNA CONTRADIÇÃO DE AMOR E REJEIÇÃO A LUTERO

Reconheço que é direito de todo e qualquer homem aderir a fé que lhe pareça mais confiável.
Limitarei a minha explanação às questões de fé e doutrina.
Repudio qualquer tentativa de preconceito religioso ou ataque a honra e dignidade das pessoas.
Começo:
Se examinar é igual a interpretar, então você protestante está me dizendo que a Bíblia é contraditória.
A Bíblia diz que interpretação alguma é de caráter individual. Vem você protestante e diz que examinar é o mesmo que interpretar.
C......

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