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Artigo

PERGUNTE E RESPONDEREMOS – julho 1957

 

Se Deus consentiu na produção de um vivente não-humano em laboratório, por que não consentiria na produção de um embrião humano em semelhantes condições ?

 

A hipótese de se produzir um vivente sensitivo em laboratório de modo nenhum está comprovada ; parece mesmo achar-se longe disto. As experiências mais. avançadas em tal setor têm consistido .em recompor um vírus (ser vivo?) previamente dividido, por hidrólise, em duas partes (experiência de Berkeley, 1955).

 

Admitamos, porém, generosamente que se chegue um dia a dar origem artificial à vida vegetativa e sensitiva. Neste caso os cientistas apenas cooperariam com as leis da natureza (leis estipuladas pelo próprio Criador), a fim de que da matéria eclodisse a vida nela latente.

 

Ao criar a massa primordial, o Senhor Deus lhe teria comunicado o poder de evoluir, segundo determinadas normas, até o grau da vida sensitiva. Os homens, em laboratório, fazendo reagir substâncias químicas entre si, provocariam então o desencadeamento dessas leis e o desabrochar da vida. Visto que o princípio das funções vegetativas e sensitivas não transcende a matéria (cf. no 1), pode estar incluído nela ; desta prorromperia em circunstâncias favoráveis, e a ela voltaria quando pela morte cessasse as suas funções.

 

O mesmo, porém, não se dá com o princípio intelectivo. A alma humana, como se sabe, possui faculdades que ultrapassam a potencialidade da matéria ; por isto também tem existência independente desta (não morre quando o corpo se dissolve), como tem origem independente da matéria ; é tirada do nada e infundida diretamente pelo Criador ; entre a matéria e o espírito há um hiato intransponível às forças criadas (o que é inferior não gera por si o que lhe é superior). Por isto os homens nunca poderão, por síntese química, produzir uma alma humana (esta não tem componentes químicos); na mais fantasista das hipóteses, poderiam produzir um composto orgânico igual ao corpo humano, inanimado porém; esse composto só começaria a viver, caso Deus se dignasse criar especialmente uma alma e infundi-Ia a tal produto químico. Estas conjeturas, porém, já parecem levar-nos muito longe da realidade!

 

 

Dom Estêvão Bettencourt (OSB)


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