REVISTA PeR (1488)'
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"OS SEGREDOS DO CÓDIGO"

por Dan Burstein

 

Em síntese: O pesquisador Dan Burstein procurou apurar o grau de historicidade de alusões feitas por Dan Brown ao Priorado de Sião, ao Santo Graal, ao Opus Dei..., e concluiu: "Para mim, (esses dados) são absurdos como história, mas numa extraordinária matéria-prima de ficção e folclore, capaz de gerar discussões infinitamente fascinantes sobre o mito, a metáfora do nosso DNA cultural' (p. 15 da amostra grátis).

 

A editora Sextante, que publicou O Código Da Vinci, de Dan Brown, publicou igualmente os resultados de uma pesquisa organizada por Dan Burstein acerca da credibilidade de referências feitas por D. Brown a documentos, monumentos e instituições do passado. - A pesquisa não levou em conta o que a religião afirma sobre instituições católicas, mas ateve-se unicamente aos aspectos arqueológicos, históricos e linguísticos.

 

Eis as conclusões a que chega Dan Burstein numa "Amostra grátis" de sua obra (p. 14-16):

 

Permita-me apresentar um breve resumo de minhas conclusões pessoais a respeito da questão 'fato versus ficção'. A resposta a essa pergunta tem pelo menos dois aspectos distintos.

 

Primeiro, eu diria que quanto mais Dan Brown volta no tempo, mais confiável é o terreno intelectual em que ele se move. Muitos antropólogos, arqueólogos e outros especialistas endossariam os termos gerais da discussão a respeito do sagrado feminino desenvolvida no CDV. Hoje há muita literatura acadêmica séria sustentando a tese de que, antes da ascensão do monoteísmo judaico-cristão, vários sistemas de crenças politeístas pagãs tendiam a dar igual atenção a deusas e deuses, bem como à natureza espiritual e divina do sexo, da procriação, da fertilidade e da natividade.

 

Uma boa parte do que o CDV tem a dizer sobre o papel do sagrado feminino na pré-história, sobre Maria Madalena, sobre o cristianismo primitivo e a diversidade de pensamento então existente e, finalmente, sobre a posterior consolidação da Igreja Católica Romana como instituição - sobre a maior parte dessa discussão, portanto - se apoia na obra de estudiosos respeitados e em indicações reais, como os textos de Nag Hammadi. Dan Brown interpreta esse material da maneira mais dramática, exagerada e conspirativa possível. É claro: trata-se de um romance.

 

Contudo, as ideias de que o Santo Graal simboliza Maria Madalena e a descendência real de Jesus, de que existe um compromisso duradouro do Priorado de Sião com o espírito do sagrado feminino, de que A Última Ceia é uma mensagem codificada de Leonardo da Vinci sobre a verdadeira história de Jesus e Maria e de que o Priorado chegou à época moderna por meio de uma cadeia ininterrupta de grandes mestres, de Leonardo a Pierre Plantard, mostram que Dan Brown deixou para trás o terreno das teses acadêmicas e mergulhou fundo nas águas dos mitos medievais e da Nova Era. Quase tudo isso é reciclagem de lendas e tradições documentadas por outros escritores ao longo das últimas décadas. Boa parte está tão longe de poder ser qualificada como evidência histórica que não vale nem a pena discutir se é fato ou ficção. Para alguns, não passa de um monte de disparates. Para mim, e quem sabe para muitos outros, são absurdos como história, mas uma extraordinária matéria-prima de ficção e folclore, capaz de gerar discussões infinitamente fascinantes sobre o mito, a metáfora e o nosso DNA cultural.

 

EM CONCLUSÃO

 

Dan Burstein, como pesquisador imparcial, julga que Dan Brown:

-   utiliza dados e fatos concretos, que ele julga reais;

-   utiliza-os, porém, de modo fictício, exagerado, próprio do estilo de romance, de modo que não se pode dar crédito a tudo o que ele refere. Ficam, pois, questionáveis no mero âmbito da ficção a temática relativa ao casamento de Jesus, ao Santo Graal, ao Priorado de Sião..., por mais que tais notícias pareçam fidedignas.

 

De resto, a crítica sadia já se encarregou de apontar, em alguns escritos, o que Dan Brown construiu de artificial em seu principal romance.

 

 

Dom Estêvão Bettencourt (OSB)


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