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Artigo

PERGUNTE E RESPONDEREMOS 513 – março 2005

Carta Apostólica:

 

"PERMANECE CONOSCO, SENHOR!"

 

Em síntese: O Santo Padre João Paulo II declarou Ano da Eucaristia o período que vai de outubro 2004 a outubro 2005. Para orientar a espiritualidade desta fase, assinou a Carta Apostólica Mane nobiscum Domine, que, além da Introdução, da Conclusão, compreende quatro partes: I. Na continuidade do Concílio e do Jubileu; II. Eucaristia, mistério luminoso; III Eucaristia, fonte e epifania de comunhão; IV. Eucaristia, princípio e projeto de missão. No final do texto o Papa exorta a imitar os Santos na sua piedade eucarística.

 

O Papa João Paulo II declarou Ano da Eucaristia o período que vai de outubro 2004 a outubro 2005. Aos 7 de outubro 2004 assinou a Carta Apostólica Mane nobiscum Domine, que vem a ser a linha-mestra da piedade eucarística no Ano Eucarístico. A seguir, serão postos em evidência os principais tópicos desse documento.

 

I. Introdução (n°s 1-5)

 

O Ano Eucarístico é colocado sob a imagem dos discípulos de Emaús, que convidaram Jesus para ficar com eles; o Senhor atendeu e deixou-lhes o pão partido. Os homens atualmente continuam a caminhada à procura de respostas para as suas interrogações espontâneas e podem contar com a presença do Divino Viajante, que os acompanhará até o fim dos séculos (cf. Mt 28, 20). Ver n°s 1-2.

 

A reflexão sobre a Eucaristia tem sido uma rota constante do pontificado de João Paulo II, como atesta a recente encíclica Ecclesia de Eucharistia. Esta nota chega ao seu cume na proclamação do Ano Eucarístico compreendido entre o Congresso Eucarístico Internacional de Guadalajara, México (10-17/10/04) e o Sínodo Mundial dos Bispos a se realizar em Roma de 2 a 29 de outubro 2005, cf. n° 3, 4.

 

A presente Carta Apostólica tenciona expor as diretrizes da piedade do Ano Eucarístico. Ver n° 5.

 

II. Na continuidade do Concílio e do Jubileu (n° 6-10)

 

O Papa recorda a centralidade do mistério de Cristo, que ele tem enfatizado em documentos diversos, como a encíclica Redemptor Hominis e os pronunciamentos efetuados por ocasião do Jubileu do ano 2000. Em suma, "no Verbo feito carne, se revela não somente o mistério de Deus, mas também o próprio mistério do homem. Em Cristo o homem encontra redenção e plenitude" (n° 6).

 

Terminado o ano jubilar, o Papa voltou ao assunto propondo um compromisso pastoral associado à contemplação do semblante de Cristo, prática esta à qual não pode estar ausente a vida eucarística. Logo no inicio do terceiro milênio ocorreu o Ano do Rosário, que incitou os fiéis a contemplar a face de Cristo com Maria. "E como não colocar a Eucaristia no ápice dos mistérios luminosos do Rosário?" (n° 9).

 

Precisamente no ano do Rosário o Santo Padre publicou a encíclica Ecclesia de Eucharistia, em que procurou mostrar como o mistério da Eucaristia se relaciona com o da Igreja.

 

"Incitei cada um a celebrar o Sacrifício eucarístico com o zelo que este merece, prestando a Jesus presente na Eucaristia, mesmo fora da Missa, um culto de adoração digno de tão grande mistério" (n° 10).

 

Ora o Ano da Eucaristia se coloca sobre este pano de fundo, que se foi enriquecendo de ano para ano, sempre porém centrado sobre o tema cristológico e a contemplação do semblante do Senhor. A presente Carta indicará perspectivas que poderão ajudara piedade do povo de Deus.

 

III. Eucaristia, mistério luminoso (n° 11-18)

 

"A Eucaristia é luz, antes do mais, porque em cada Missa a liturgia da Palavra de Deus precede a liturgia eucarística na unidade de duas mesas: a da Palavra e a do Pão. Os Pastores do Concílio do Vaticano II quiseram que a Mesa da Palavra abra copiosamente aos fiéis o tesouro das Escrituras; eis por que permitiram que, na celebração litúrgica, as leituras bíblicas sejam proclamadas em língua vernácula. É o Cristo mesmo quem fala quando na Igreja se leem as Escrituras. Quarenta anos após o Concílio o Ano Eucarístico se torna, para as comunidades cristãs, a ocasião de avaliar seu progresso neste particular; é preciso assimilara Palavra no silêncio e no recolhimento" (n° 12s).

 

Aos olhos esclarecidos, a Eucaristia devidamente celebrada fala por sinais eloquentes e ricos significados.

 

A dimensão mais evidente da Eucaristia é a de uma ceia, pois ela teve origem no contexto da refeição de Páscoa dos judeus. Todavia não se pode esquecer que a ceia eucarística tem, antes do mais, o sentido profundo de um sacrifício: o Cristo nos reapresenta o sacrifício oferecido uma vez por todas ao Pai no Calvário.

 

Com outras palavras ainda, a Eucaristia é um memorial que torna presente o passado e nos chama a atenção para a segunda vinda de Cristo no fim dos tempos, comunicando-nos o dinamismo da esperança cristã (n°s 12-15).

 

As dimensões da Eucaristia convergem todas para um aspecto que põe à prova a nossa fé, a saber: o mistério da presença real. "Com toda a tradição da Igreja, cremos que sob as espécies eucarísticas Jesus está realmente presente... É essa presença que dá a todas as outras dimensões - refeição, memorial da Páscoa, antecipação escatológica - um significado que fica muito além de puro simbolismo. A Eucaristia é mistério de presença pelo qual se cumpre de modo eminente a promessa, de Jesus, de ficar conosco até o fim dos tempos" (n° 16).

 

A consciência destas verdades leva a desejar que a Eucaristia seja dignamente celebrada. Para que isto ocorra, convém que em cada comunidade paroquial se estude de maneira aprofundada a Instrução Geral do Missal Romano. Sejam os fiéis preparados para pautar sua piedade pelo desenrolar do calendário litúrgico. Efetuem os pastores uma catequese mistagógica, catequese que elucide os ritos sagrados. Importante também será respeitar os momentos de silêncio previstos pelas rubricas, a fim de adorar o Senhor presente na ação sagrada. O sacrário de cada igreja, receptáculo do Cristo eucarístico, seja um polo de atração dos fiéis, que lá procurarão rezar segundo os impulsos da sua piedade.

 

"Este ano possa a adoração eucarística fora da Missa merecer solicitude muito especial da parte das comunidades paroquiais e religiosas. Fiquemos por muito tempo prostrados diante de Jesus presente na Eucaristia, reparando assim por nossa fé e nosso amor as negligências, os esquecimentos e mesmo os ultrajes que nosso Salvador deve estar sofrendo em numerosas partes do mundo" (n° 18).

 

IV. Eucaristia, fonte e epifania de comunhão (n°s 19-23)

 

"Receber a Eucaristia é entrar em comunhão profunda com Jesus... Este relacionamento de união íntima e mútua permite-nos antecipar, de certo modo, o céu aqui na terra. Não é este o mais ardente desejo do homem?... Deus colocou no coração do homem a fome da sua Palavra (cf. Amós 8, 11). uma fome que só se sacia na total união com Ele" (n°19)

 

Todavia esta intimidade especial da comunhão eucarística não pode ser compreendida de modo pleno fora da comunhão com a Igreja. A Igreja é o Corpo de Cristo; caminhamos com Cristo na medida em que nos relacionamos com o seu Corpo. Cristo realiza a unidade desse seu Corpo mediante a efusão do Espírito Santo como também por sua presença eucarística. É o Pão eucarístico que faz de nós um só Corpo (cf. 1 Cor 10, 17). Através do mistério eucarístico Jesus constrói a Igreja como comunhão. Ver n° 20.

 

A Eucaristia, assim concebida como fonte da unidade eclesial, é também a grande manifestação ou epifania da mesma. É por isto que a Igreja formula condições para que alguém possa tomar parte, de maneira plena, na celebração eucarística. Com efeito, requer-se:

 

-   a comunhão hierárquica, fundamentada sobre a consciência dos diversos encargos e ministérios (Papado, Episcopado, Prelaturas...);

-   a comunhão fraterna, que leva os irmãos a sentimentos de abertura recíproca, compreensão e perdão. Ver n° 21.

 

O livro dos Atos dos Apóstolos nos apresenta o ideal da comunhão, pelo qual os fiéis eram "um só coração e uma só alma" (At 4, 32). Ora é para desejar que no Ano Eucarístico este ideal seja de novo vivenciado. O Missal Romano prevê a "Missa estacional", celebrada em certos dias do ano litúrgico pelo Bispo em sua igreja catedral com seu clero e o povo de Deus. Além desta manifestação de comunhão, haja outras paralelas em nível paroquial. Ver n° 22.

 

 

De modo particular requer-se a renovação da observância do domingo: frequentação da Santa Missa parte dos fiéis, objetivo este confiado à solicitude pastoral dos párocos. Ver n° 23.

 

V. Eucaristia, princípio e projeto de missão (n° 24-28)

 

Os discípulos de Emaús, tendo reconhecido Jesus Ressuscitado, logo se levantaram para dar a boa notícia: "O encontro com Cristo, aprofundado na intimidade eucarística, suscita na Igreja e em todo cristão a urgência do testemunho da evangelização"... "O envio dirigido aos fiéis no fim de cada Missa é um convite para trabalhar na difusão do Evangelho e na animação cristã da sociedade" (n° 24). Para que isto se realize, será necessário que cada fiel assimile, na meditação pessoal e comunitária, os valores que a Eucaristia exprime.

 

Um elemento fundamental do projeto de vida que a Eucaristia inspira, é a ação de graças. O ser humano não é auto-suficiente, como quer o materialismo, mas depende da graça de Deus: seja isto proclamando na família, na escola, na usina, nas mais diversas condições de vida. É para desejar que o Ano Eucarístico leve os cristãos a testemunhar com mais ardor a presença de Deus no mundo.

 

Mais: o projeto de vida que a Eucaristia transmite, implica o exercício da solidariedade... solidariedade com todos os homens, o que é especialmente valioso no mundo dilacerado de nossos dias. A Eucaristia é uma grande escola de paz em que homens e mulheres de diversos níveis e culturas se habilitam para agir nas respectivas comunidades. Ver n° 27.

 

Essa solidariedade deve tornar-se serviço no tocante aos mais necessitados. É preciso que o fiel católico se empenhe por construir uma sociedade mais justa e fraterna. Não sem motivo o evangelista São João apresenta Jesus a lavar os pés dos discípulos por ocasião da Última Ceia (cf. Jo 13, 1-20).

 

É para desejar que neste Ano Eucarístico várias dioceses e paróquias se associem entre si no atendimento aos irmãos mais carentes.

 

Conclusão

 

O Papa formula diversas conclusões pastorais decorrentes de quanto acaba de expor. Salienta especialmente a prática da Missa dominical e a adoração do Santíssimo fora da Missa.

 

Aos Bispos e ao clero em geral compete procurar planejar os exercícios de piedade e as atividades apostólicas que mais promovam o crescimento dos fiéis na fé e no amor.

 

O Corpo Eucarístico de Jesus é também o Corpo que nasceu de Maria Virgem (Ave verum Corpus natum de Maria Virgine). Que ela, pois, obtenha para todos os filhos da Igreja a graça de reconhecer sempre mais na Eucaristia a fonte e o ápice de toda a vida da Igreja.

 

Vaticano, 7 de outubro de 2004 João Paulo II


APÊNDICE

 

PARA VIVER O ANO EUCARÍSTICO

 

Nos dias 10 a 17 de outubro 2004 realizou-se em Guadalajara (México) um Congresso Eucarístico internacional precedido de um Simpósio teológico-pastoral. No decorrer das sessões deste, afloraram à consciência dos participantes algumas conclusões, que no dia 16/10/04 foram pelo Cardeal Tomko, Delegado Papal, submetidas a votação. Uma vez aprovadas tornaram-se resoluções do Congresso destinadas a fomentar a vivência do Ano Eucarístico 2004-2005.

 

Eis o respectivo texto:

 

1. Urge ressaltar a importância da Eucaristia dominical, parte central do Congresso.

2. Ressaltar novamente a festa e procissão de Corpus Christi (o Corpo e o Sangue de Cristo)

3. Revalorizar a adoração eucarística em todas as suas formas, incluída a Adoração Noturna.

4. Buscar a Comunhão frequente e digna, acompanhada do sacramento da Reconciliação.

5. Fortalecer o espírito de missão que nasce da Eucaristia.

6. Compartilhar com os pobres a mesa e a Missa, no serviço de caridade; unir o compromisso espiritual com a necessidade do pobre.

7. Renovar na Eucaristia a fé, o sacrifício, a comunhão e o serviço, como um sinal para a Igreja Católica e o mundo.

 


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