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Artigo

PERGUNTE E RESPONDEREMOS 532 – outubro 2006

Alerta:

 

DOENÇAS E INTERESSES ECONÔMICOS

 

Em síntese:-O artigo vem a ser um alerta apontando o fato de que certas firmas fabricantes de medicamentos se esmeram em denunciar doenças de todo tipo a fim de promover a venda de seus produtos farmacêuticos.

 

No jornal O GLOBO de 25/7/06, p. 30 lê-se o seguinte:

UE APOIA ESTUDO DE CÉLULA-TRONCO DE EMBRIÃO HUMANO

Decisão se opõe ao caminho escolhido pelos EUA, que vetaram pesquisas médicas defendidas por pacientes.

 

Indústria aplaude o resultado da votação

A despeito das limitações de financiamento, um porta-voz da Europabio - que representa as empresas de biotecnologia da Europa - afirmou que a indústria estava feliz com o resultado da votação. O orçamento de pesquisa da UE para o período 2007-2013 é de 57 bilhões de euros.

Esta notícia parece fazer eco a uma denúncia que pela internet chegou a PR e merece atenção, como se pode ver a seguir:

 

OS VENDEDORES DE DOENÇAS

As estratégias da indústria farmacêutica para multiplicar lucros espalhando o medo e transformando qualquer problema banal de saúde numa "síndrome" que exige tratamento.

Ray Moynihan, Alain Wasmes

 

Há cerca de trinta anos, o dirigente de uma das maiores empresas farmacêuticas do mundo fez declarações muito claras. Na época, perto da aposentadoria, o dinâmico- diretor da Merck, Henry Gadsden, revelou à revista Fortune seu desespero por ver o mercado potencial de sua empresa confinado somente às doenças. Explicando que preferiria ver a Merck transformada numa espécie de Wringley's - fabricante e distribuidor de gomas de mascar-, Gadsden declarou que sonhava, havia muito tempo, produzir medicamentos destinados às... pessoas saudáveis. Porque, assim, a Merck teria a possibilidade de "vender para todo mundo". Três décadas depois, o sonho entusiasta de Gadsden tornou-se realidade.

 

As estratégias de marketing das maiores empresas farmacêuticas almejam agora, e de maneira agressiva, as pessoas saudáveis. Os altos e baixos da vida tornaram-se problemas mentais. Queixas totalmente comuns são transformadas em síndromes de pânico. Pessoas normais são, cada vez mais, pessoas transformadas em doentes. Em meio a campanhas de promoção, a indústria farmacêutica, que movimenta cerca de 500 bilhões de dólares por ano, explora os nossos mais profundos medos da morte, da decadência física e da doença - mudando assim literalmente o que significa ser humano, recompensados com toda razão quando salvam vidas humanas e reduzem os sofrimentos, os gigantes farmacêuticos não se contentam mais em vender para aqueles que precisam. Pela pura e simples razão que, como bem sabe Wall Street, dá muito lucro dizer às pessoas saudáveis que estão doentes.

 

A fabricação das "síndromes"

 

A maioria de habitantes dos países desenvolvidos desfruta de vida mais longa, mais saudável e mais dinâmica que as de seus ancestrais. Mas o rolo compressor das campanhas publicitárias, e das campanhas de sensibilização diretamente conduzidas, transforma as pessoas saudáveis preocupadas com a saúde em doentes preocupados. Problemas menores são descritos como muitas síndromes graves, de tal modo que a timidez torna-se um "problema de ansiedade social", e a tensão pré-menstrual, uma doença mental denominada "problema disfórico pré-menstrual". O simples fato de ser um sujeito "predisposto" a desenvolver uma patologia torna-se uma doença em si.

 

O epicentro desse tipo de vendas situa-se nos Estados Unidos, abrigo de inúmeras multinacionais farmacêuticas. Com menos de 5% da população mundial, esse país já representa cerca de 50% do mercado de medicamentos. As despesas com a saúde continuam a subir mais do que em qualquer outro lugar do mundo. Cresceram quase 100% em seis anos - e isso não só porque os preços dos medicamentos registram altas drásticas, mas também porque os médicos começaram a prescrever cada vez mais.

 

De seu escritório situado no centro de Manhattan, Vince Parry representa o que há de melhor no marketing mundial. Especialista em publicidade, ele se dedica agora à mais sofisticada forma de venda de medicamentos: dedica-se, junto com as empresas farmacêuticas, a criar novas doenças. Em um artigo impressionante intitulado "A arte de catalogar um estado de saúde", Parry revelou recentemente os artifícios utilizados por essas empresas para 'favorecer a criação"dos problemas médicos. Às vezes, trata-se de um estado de saúde pouco conhecido que ganha uma atenção renovada; às vezes, redefine-se uma doença conhecida há muito tempo, dando-lhe um novo nome; e outras vezes cria-se, do nada, uma nova "disfunção'. Entre as preferidas de Parry encontra-se a disfunção erétil, o problema da falta de atenção entre os adultos e a síndrome disfórica pré-menstrual - uma síndrome tão controvertida, que os pesquisadores avaliam que nem existe.

 

Pode-se crer que a cobiça do dinheiro chega a tais requintes? -Digam-no os fatos acima.

 

 

Dom Estêvão Bettencourt (OSB)


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