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Artigo

PERGUNTE E RESPONDEREMOS 516/junho 2005

Ciência e Fé

 

Os mistérios do universo:

 

SEREMOS OS ÚNICOS NO UNIVERSO?

 

Em síntese: Dois cientistas de língua inglesa publicaram importante livro que analisa as condições para que surja e persista a vida como a conhecemos e concluem que dificilmente fora da Terra se terão realizado ou se realizem tais condições. Conseqüentemente o gênero humano seria uma realidade singular em todo o universo conhecido. Não fica excluída, porém, a possibilidade de vida diferente daquilo que entendemos por tal vocábulo.

* * *

O paleontólogo Prof. Peter Ward e o astrônomo Dr. Donald Brownlee publicaram um livro que, traduzido para o português, tem por título "Sós no Universo?" e o sub-título "Por que a vida inteligente é improvável fora do planeta Terra?". Por "vida" entendem o que designamos por tal vocábulo; não é excluída a possibilidade de vida em sentido diferente do nosso ou com outras exigências de temperatura e ambiente.

Para que tenha origem e persista a vida como a conceituamos, os autores apontam doze requisitos cuja realização é imprescindível. O Dr. Joaquim Blessmann reproduz com suas palavras esses requisitos no seu artigo intitulado "Seremos os únicos no Universo?" e publicado na revista CULTURA E FÉ n° 107, pp. 49-53, páginas das quais vão extraídos os seguintes tópicos:

"Peter Ward é paleontólogo e Donald Brownlee astrônomo. Eles admitem que não podem provar que sejamos os únicos, mas consideram que há grande probabilidade que assim seja. 'Somos produto de um lance de sorte, uma combinação única de fatores que não se repetem em nenhum outro lugar do universo conhecido', disse Ward em uma entrevista a Veja (VEJA, 2000, p. 11).

Manifestaram suas dúvidas sobre a difusão de vida complexa no universo, tão apregoada na época, e decidiram escrever um livro no qual exporiam suas razões para julgarem muito rara a vida complexa. Eles definem como 'vida complexa' a dos animais e a das plantas superiores, em contraposição à 'vida bacteriana'.

Os autores, como bons cientistas, porém advertem para as limitações de suas idéias [WARD e BROWNLEE, 2.000, p. 309]:

'O grande perigo para a nossa tese [...] é que ela seja um produto de nossa falta de imaginação. Pressupomos neste livro que a vida animal será de algum modo semelhante à da terra. Adotamos a posição talvez chauvinista de que a vida terrestre é o único tipo de vida, que as lições da terra são não apenas guias, mas também regras. Pressupomos que o DNA é a única maneira, em vez de apenas uma das maneiras. Talvez a vida complexa [...] esteja tão amplamente distribuída como a vida bacteriana e tenha uma constituição igualmente variável. Talvez a Terra não seja rara afinal, mas somente uma variante em um agrupamento quase infinito de planetas com vida. Contudo, não acreditamos nisso [o grifo é nosso], pois há tantos indícios e interferências [...] de que isso não ocorre'" (pp. 49s).

Voltemos ao que dizem Ward e Brownlee. Mesmo sem "catástrofes globais" há uma série de requisitos astronômicos que devem ser satisfeitos para que se possam desenvolver organismos mais complexos, e que são apresentados por estes autores:

-   O planeta deve estar orbitando em torno de uma estrela com emissão de energia relativamente constante por bilhões de anos. Isto exclui planetas que orbitem em torno de estrelas variáveis, ou em torno de sistemas estelares duplos ou triplos: seria muito mais provável a emissão de jatos de energia que esterilizariam a vida nascente ou acabaria com vida mais evoluída, porventura existente.

-   Além de condições estáveis por longos períodos, a vida animal (como a conhecemos, salientam Ward e Brownlee ao longo de todo o livro) necessita de condições benignas e muito específicas. É necessário oxigênio. E decorreram cerca de dois bilhões de anos até que fosse produzida a quantidade de oxigênio necessária para a existência de animais na Terra.

-   O planeta deve orbitar a uma distância conveniente da estrela, de modo a permitir a existência de água líquida, sem a qual a vida animal complexa, como a da Terra, não pode existir.

-   O impacto de asteróides e cometas deve ser relativamente raro. Esses impactos podem causar extinções em massa. Para manter essa taxa de impacto baixa, é necessário que o material 'solto' no sistema estelar (que não se aglutinou para formar planetas, ficando avulso na forma de asteróides e de cometas) seja relativamente pouco.

-   O tamanho e a localização dos demais planetas no sistema estelar influem em muito. No caso do nosso sistema estelar (o sistema solar), os planetas gigantes, principalmente Júpiter, estão na distância correta e têm o tamanho apropriado para atraírem para si os elementos soltos no sistema solar. Para a Terra, comentam Ward e Brownlee, 'há indícios de que o gigantesco planeta Júpiter agiu como um apanhador de cometas e asteroides [...]. Júpiter, portanto, reduziu a taxa de eventos de extinção em massa, podendo ser uma importante razão pela qual a vida superior conseguiu se formar e, depois, se sustentar neste planeta' [WARD e BROWNLEE, 2000, p. 21].

-   No sistema solar só a Terra e Plutão têm uma lua proporcionalmente tão grande, quando comparada com o planeta em torno do qual orbitam. O tamanho de nossa Lua e a distância em que ela está estabilizam a inclinação da Terra. E essa inclinação é tal que as estações não são por demais rigorosas.

-   A Terra é o único planeta com placas tectônicas, que causam o movimento dos continentes. E, segundo os autores justificam mais adiante, placas tectônicas e Lua grande são, em seu entender, essenciais para o surgimento e persistência da vida.

-   O sistema solar apresenta um alto e incomum teor de elementos pesados (como carbono, ferro e muitos outros) que são indispensáveis para a vida.

-   Sistemas planetários com planetas gigantes em órbitas que se afastam muito da circular (altamente elípticas) originam ambientes instáveis, não propícios à vida complexa. Além do que, alguns planetas podem ser lançados fora do seu sistema estelar.

-   A massa do planeta deve ser capaz de reter atmosfera e oceanos, bem como de gerar o calor necessário para a chamada 'tectônica das placas'. Para que elas se movimentem é necessário um núcleo sólido-pastoso.

-   Os oceanos devem estar na medida certa: nem em excesso nem muito pouco.

-   A localização do planeta na galáxia é também importante. Nos centros das galáxias e em galáxias com um número relativamente muito grande de estrelas (os aglomerados globulares), os 'choques' entre estrelas bem como o grande número de supernovas (estrelas que explodem) não fornecem condições estáveis por longo tempo (alguns bilhões de anos) que são necessárias para o aparecimento de vida complexa. Por outro lado, na região externa das galáxias a maioria das estrelas é pobre em metais necessários à vida. Não há sequer a quantidade deles necessária para a formação de planetas como a Terra." (pp. 51-53).

 

Deve-se observar que a fé católica não faz objeção à hipótese de existirem seres inteligentes em outros planetas. Há mesmo autores que julgam que a enorme quantidade de matéria espalhada pelo universo exige a presença de seres intelectuais; estes, percebendo a grandeza e a beleza do cosmos, seriam os encarregados de louvar a Deus por suas maravilhas. Todavia a palavra decisiva nessa área fica à ciência. Caso existam seres extraterrestres, serão criaturas do mesmo Deus que fez o mundo presente.

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