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Artigo

PERGUNTE E RESPONDEREMOS 520 – outubro 2005

Um testamento mais longo:

 

"MEMÓRIA E IDENTIDADE COLÓQUIOS NA TRANSIÇÃO DO MILÊNIO"

por João Paulo II

 

O Pe. Ney Brasil Pereira, Professor de Sagrada Escritura em Florianópolis (SC), amigo e colaborador de PR, enviou a esta revista uma recensão de sua autoria referente ao último livro publicado pelo Papa João Paulo II. Vão, a seguir, reproduzidos os principais tópicos desse trabalho, que a Redação de PR muito agradece ao respectivo autor.

 

MEMÓRIA E IDENTIDADE

 

Ainda sob o impacto do falecimento e dos funerais de João Paulo II em abril p.p., foi com emoção e curiosidade que li este seu último livro, que considero um verdadeiro "Testamento". De fato, mais que o breve Testamento formal, aberto poucos dias depois de sua morte, estes "Colóquios" nos revelam João Paulo II de corpo inteiro, com todo o seu legado de "Homem do Século".

 

Confesso que fiquei impressionado. Os capítulos se sucedem, breves e densos, brotados de perguntas formuladas pelo "Redator", que, não sei por quê, se mantém anônimo...

 

Sem contar o epílogo, que traz as reflexões do Papa sobre o atentado de que foi vítima em 1981, o livro consta de 25 capítulos, distribuídos em cinco partes. Na primeira, em seis capítulos, o Papa aborda o "mistério da Iniqüidade", partindo da experiência pessoal das duas "ideologias do mal" que devastaram a Europa no século XX. Título geral desses capítulos: "O limite imposto ao mal". Na segunda parte, em quatro capítulos, João Paulo II discorre sobre "Liberdade e Responsabilidade". Partindo do princípio de que "A liberdade é para o Amor", ele reflete sobre "o justo uso da liberdade", e dedica um capítulo ao 'mistério da Misericórdia". Na terceira parte, intitulada "Pensando Pátria', em cinco capítulos, o Papa discorre sobre os conceitos de Pátria, Patriotismo, Nação, Estado, Cultura. Na quarta parte, intitulada "Pensando Europa", em seis capítulos, João Paulo II reflete sobre "Pátria Européia", oferece uma síntese da "evangelização da Europa Centro-oriental", reconhece "frutos bons no terreno do Iluminismo", aborda a "missão da Igreja", a "relação da Igreja com o Estado", e situa "a Europa no contexto dos outros continentes". Na quinta e última parte, intitulada "Possibilidades e riscos", em quatro capítulos, ele reflete sobre "a Democracia contemporânea" e discorre sobre "a Memória materna da Igreja", concluindo com "a dimensão vertical da história da Europa".

 

Cito novamente o Redator, em seu Prefácio: "Testemunha particular dos acontecimentos do século XX, João Paulo II viveu, em primeira pessoa, as dramáticas e heróicas vicissitudes do seu país natal - a Polônia - ao qual continuou sempre ligado. Nas últimas décadas, foi também protagonista - primeiro como padre, depois como Bispo e, por último, como Papa - de muitos fatos da Europa e do mundo inteiro. Um ou outro aspecto destas suas experiências foi por ele incluído neste livro. A obra apresenta algumas experiências e reflexões que ele maturou pressionado por numerosas formas de mal, sem jamais perder de vista a perspectiva do bem, na convicção de que, no fim, este haveria de prevalecer. Passando em revista vários aspectos da realidade atual, o Santo Padre, numa série de 'colóquios na transição do milênio', deteve-se a refletir sobre os fenômenos do presente à luz das vicissitudes do passado, nas quais procurou descobrir as raízes do que acontece no mundo de hoje. Isto, para oferecer aos seus contemporâneos, como indivíduos e como povos, a possibilidade de, através de uma passagem em revista atenta da 'memória', chegarem a uma consciência mais viva da própria 'identidade'" (p. 9).

 

Aí está, no final do texto citado, o significado do título escolhido para o livro: Memória e Identidade". É uma relação que retoma várias vezes nas páginas destes "Colóquios", insistindo na necessidade de preservar e cultivar a memória - memória de um povo, de uma nação, de uma cidade, de uma família - para se manter a identidade...

 

Concluindo minha recensão destes "Colóquios na transição do Milênio", tornados mais eloqüentes ainda com a experiência pascal da morte e dos funerais de seu autor, resta-me convidar o leitor a que não deixe de lê-los. É um sábio que fala. Um homem com uma experiência humana diversificadíssima, que inclui uma infância sem os familiares mais próximos, uma juventude com trabalho braçal e estudos e atividades clandestinas, até o atentado sofrido e, nos últimos anos, a limitação dos movimentos com a doença progressiva... As amostras, evidentemente incompletas, desta recensão, o estimulem à leitura pessoal deste precioso Testamento. Testamento que é, ao mesmo tempo, um Testemunho.

 

 

Padre Ney Brasil Pereira ITESC


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