HOMILIAS (2159)'
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Artigo

Pregações: Homilias - Não pensas as coisas de Deus - por Padre Paulo Ricardo

Não Pensas as Coisas de Deus

Quando o amor veio ao mundo, nós o crucificamos. A partir disto, todas as vezes que rejeitamos a cruz estamos, na verdade, fugindo de nossa vocação mais autêntica, a de configurar-nos ao amor de Cristo.

O evangelho deste domingo é Mt 16,21-27.

No início do capítulo 16, temos:
Quem dizeis ser o filho do homem? Pedro responde 'tu és o Messias, o Cristo, o Filho de Deus vivo'. E Cristo responde 'tu és pedra e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja'.
O evangelho de hoje é a continuação desse episódio.
No versículo 17: 'não foi um ser humano que te revelou isso, mas o Pai que está nos céus'.
E no versículo 23: 'porque não pensas as coisas de Deus, mas sim nas coisas dos homens'.

Quando Pedro começa a pensar de forma humana, Jesus o denuncia com palavras duras: 'Vai para longe Satanás'!
Como fazer para evitar essa armadilha?
Assim que S. Pedro percebe que Jesus é o Messias, este logo em seguida se dá ao trabalho de esclarecer que Ele não é o messias esperado, mas o messias inesperado que deveria ser morto e ressucitado em três dias. E Pedro acaba considerando ruim o que é bom.
Esta é a chave de leitura do evangelho de hoje.
Por causa do pecado original temos uma forma de pensar que não é a realidade de Deus, que é a Verdade: pensamos que é ruim o que é bom e que é bom o que é mau.
A lei que está dentro de nós é fugir da dor e buscar o prazer. Nós fugimos da cruz, fugimos da dor.
Mas disse Jesus: 'quem quiser perder sua vida por causa de Mim vai salvá-la'. Ou ainda 'quem quiser me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga'.
Para isso precisamos mudar a mentalidade mundana. Jesus denuncia isso: 'Pedro, tu não penas nas coisas de Deus, mas nas coisas dos homens'. O mesmo Pedro que alguns versículos antes havia sido tão elogiado.

'Não vos conformeis com o mundo, mas transformai-vos renovando a vossa maneira de pensar para que possais julgar e assim saber o que é vontade de Deus, o que é bom, o que é agradável, o que é perfeito', diz S. Paulo na leitura de hoje.
Conformar-se aqui quer dizer aceitar a mentalidade do mundo. S. Paulo exorta à conversão.
Precisamos mudar nossa maneira de encarar a vida, não segundo a carne e o sangue, mas segundo a revelação do Pai do céu. Conversão é isso, uma nova mentalidade.
Deus nos revela que o caminho para a felicidade é o amor. E Ele revela isso quando seu Filho morre na cruz. Essa nova mentalidade não é fácil. O próprio Jesus no Horto das Oliveiras agonizou 'Pai afasta de mim este cálice'...
Quando Jesus manda Satanás se afastar, Ele o faz porque Ele também está sofrendo a tentação de se afastar da vontade do Pai.

E para que isso dê fruto em nossas vidas, o que fazer?
Na verdade, todo pecado, toda mentalidade mundana, é uma mentira.
A comparação mais clara que podemos fazer é com a de um drogado. Quem consome a droga quer ser feliz. No entanto, qualquer um é capaz de ver que o drogado está se detruindo. Ele queria se salvar e, no entanto, está se perdendo e está abraçando a própria destruição.
Todo pecado tem esse caráter da droga, essa característica de ser uma falsa promessa de uma felicidade vazia, essa mentalidade ilusória.

É a vida humana então um suicídio?
Não.
Deus quer que nossa vida seja como um sabonete que recebemos de presente.
Há 3 atitudes. As duas primeiras são extremas. Um extremo é guardar na gaveta por medo de perdê-lo. O outro extremo é jogar o sabonete dentro de um balde cheio de água onde o sabonete vai se dissolver e ninguém vai aproveitar nada. A terceira atitude é usar o sabonete de forma sábia, de forma produtiva e com um fim.
A nossa vida é um grande dom, presente de Deus, que nos é dada para que seja gasta de forma produtiva.
A mania da geração-saúde faz muitos viverem nas academias preocupadados com a saúde, bombados e sarados. No entanto, suas vidas são inúteis.
Esses têm corpos falsos.
O corpo verdadeiro é o do padre velhinho com calos nos dedos de girar o rosário e que passa horas no confessionário. Este não se poupou.

Façamos um exame de consciência: como é sua vida? Será o seu corpo verdadeiro? Consumido gradualmente para dar a vida?
Nosso Senhor nos alerta: não é possível ser feliz sem abraçar a cruz. O cristão sabe que atrás de toda cruz há a ressurreição e a verdadeira felicidade eterna.
A última palavra não é a sexta-feira santa, mas o domingo de Páscoa. Não haverá domingo sem passar pela sexta-feira.

Fonte: site Christo Nihil Praeponere

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