PERGUNTE E RESPONDEREMOS 543/setembro 2007

Mundo Atual

Será possível?

 

UMA IGREJA DEMOCRÁTICA

 

Em síntese: Democracia quer dizer "governo do povo pelo povo". Ora a Igreja não se enquadra neste conceito, pois Ela não tem origem na vontade de um povo que resolve constituir-se em autarquia e viver segundo os ideais meramente humanos que tal população concebe.

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A Redação de PR recebeu de Mons. M. M. Leonard, Bispo de Namur (Bélgica), a seguinte mensagem, que apresentamos traduzida do francês e que será brevemente comentada.

 

UMA IGREJA DEMOCRÁTICA?

Em virtude dos seus fundamentos mesmos, a Igreja não pode ser democrática, porque não procede da autodeterminação dos homens como ocorre em qualquer democracia, mas Ela só existe por iniciativa que não procede dela mesma. Não fomos nós que decretamos a Encarnação do Filho de Deus. Também não decretamos a existência de Deus nem decretamos o nosso vir-a-ser ou a nossa criação nem o fato de que Deus se fizesse homem para que o homem se torne filho adotivo de Deus. Não fomos nós que decidimos que a Igreja haveria de existir. Somos dependentes de uma dádiva, de um presente; por conseguinte a Igreja em sua base não é democrática. Se Ela fosse uma sociedade pura e simplesmente democrática, haveria muito tempo que Ela teria abandonado a Revelação Divina.

Com efeito, se, no decorrer da história, se pusesse em votação a questão de saber se Jesus é verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem e se Deus é realmente trinitario, haveria muito tempo que os homens se teriam desembaraçado da Trindade e da Encarnação, porque teria havido uma maioria de pessoas que teriam pensado: "Bem podemos dispensar-nos de tais convicções". A Igreja existe e é fiel à doutrina tão somente porque Ela não pousa apenas sobre procedimentos democráticos.

 

Comentando

Se democracia é o governo do povo pelo povo, como indica a etimologia deste vocábulo, a Igreja não se enquadra neste conceito. Na verdade, democracia supõe uma multidão de pessoas que resolvem viver em sociedade por iniciativa própria ou por consentimento tácito e conseqüentemente escolhem seus governantes. Ora a Igreja não se deve à livre iniciativa dos homens; Ela é Ek-klesia ou Convocação. Por sua livre vontade Deus concede aos seres humanos a graça de pertencer ao seu povo santo (cf. 1 Pd 2,1 -7). Por isto não pode ser equiparada às sociedades que os homens fundam e governam como melhor lhes parece. O Bispo Mons. A.M. Leonard observa que, se fosse entregue ao mero arbítrio dos homens, a Igreja daí resultante teria posto de lado verdades fundamentais da Revelação Divina como sendo teorias dispensáveis à vida cotidiana dos seres humanos.

É muito a propósito que o Bispo de Namur oferece estas considerações, que contribuem para mais ainda compreendermos e valorizarmos a autoridade e o magistério da Igreja, à qual Jesus prometeu sua assistência infalível até o fim dos séculos (cf. Mt 28, 18-20).

Positivamente falando...

A Igreja não é uma democracia, mas é um Sacramento, o que significa que Ela é uma realidade divino-humana pela qual Deus comunica a graça aos seus fiéis. É o Senhor Deus quem dirige a Igreja mediante instrumentos humanos, cuja fragilidade às vezes é bem visível, mas que não impedem chegue a graça de Deus a quem se dispõe a recebê-la dignamente. Por isto as autoridades da Igreja não são meros representantes do povo católico, não são deputados,... mas são pastores que o Espírito Santo vai acompanhando através de altos e baixos.

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