PERGUNTE E RESPONDEREMOS 380 – janeiro 1994

Entrevista revolucionária:

 

ABORTO NAO É PECADO?

 

Em síntese: A Irmã Ivone Gebara propugna o aborto numa entrevista a VEJA de 6/10/93. A sua posição, aparentemente compassiva para com as mulheres grávidas carentes, redunda em maiores males para a sociedade, pois o aborto é violência e homicídio. Ora não se dá remédio a um mal mediante outro mal. Em vez de pleitear a legalização do aborto, deveriam os pensadores e as autoridades civis planejar os meios de permitir que a mulher, vítima de gravidez indesejada, possa dar à luz sem sofrer os graves traumas do aborto; uma vez gerada a criança, seria entregue a famílias ou a instituições públicas que a educariam, aliviando a respectiva mãe. A legalização do aborto abre brecha para que a mulher seja mais ainda vítima de sérios abusos, como atestam os jornalistas Michael Litchfield e Susan Kentish em seu livro "Bebês para queimar. A indústria do aborto na Inglaterra". A Igreja Católica é contrária ao aborto não por motivos culturais e contingentes, mas por fidelidade à lei de Deus, que proíbe matar o inocente; a Moral Católica está baseada nos ditames de Deus, que fala não somente através do Evangelho, mas também mediante a lei natural, que é a mesma para todos os homens e todos os tempos.

 

A revista VEJA de 6/10/1993, pp. 7-10 publicou uma entrevista da Irmã Ivone Gebara relativa ao aborto. Esta Religiosa, nascida em São Paulo e residente em Recife (PE), fez declarações que contradizem frontalmente à Moral Católica: o aborto seria lícito e não pecaminoso; a Igreja deveria adaptar-se ao mundo de hoje; os preceitos da Ética Católica seriam ditados por pessoas que não conhecem a problemática social de nossos dias, etc. Tais afirmações merecem atenção, pois não são exatas e podem iludir os leitores. Eis por que nos voltamos agora para o assunto.

 

1. ABORTO: LÍCITO OU PECAMINOSO?

 

O aborto é um homicídio, pois em nossos dias, após os estudos do Dr. Jérôme Lejeune, está comprovado que no concepto se acha toda a programação de um novo ser humano; basta alimentar e proteger esse fruto da união do espermatozóide com o óvulo para que se tenha uma criança; ainda que seja do tamanho de uma cabeça de alfinete, o concepto é verdadeiro ser humano. A propósito vejam-se as declarações do Dr. Jérôme Lejeune em PR 305/1987, pp. 457-461.

 

Por conseguinte, essa nova criatura tem direito à vida, como o tem qualquer pessoa inocente (ainda que seja deficiente físico ou mental). Quem pleiteia o aborto, não pode combater a pena de morte, sem caírem incoerência; aliás, é mais grave matar um inocente do que matar um criminoso.

 

Vê-se, pois, que a prática do abortamento é pecaminosa, pois fere a lei de Deus: "Não matar" (Ex 20,12). Por esta razão a Igreja se opõe ao aborto. Aliás, o preceito divino de não matar está incutido na própria consciência de todo homem; é um ditame da lei natural, lei natural que não somente o cristão é capaz de perceber, mas também todo e qualquer ser humano. A lei natural é universal; é ela que, incutida pelo Criador no íntimo do homem, preceitua: "Não matar, Não roubar, Não mentir, Respeitar pai e mãe...".

 

Vê-se também que a rejeição do aborto não depende de alguma cultura contingente ("fabricada ao longo dos séculos", como diz a Ir. Ivone Gebara) ou da mentalidade de clérigos ou de alguma fase da história da Igreja; ela é anterior ao próprio Cristianismo. Observa-se mesmo que, vinte séculos antes de Cristo, o mais antigo código de leis gerais que se conhece, o Código Sumérico, condena o aborto. Quatro séculos antes de Cristo, Hipócrates, o grego, conhecido como o pai da Medicina moderna, condenou o aborto e a eutanásia ([1]) . Para repudiar a prática do aborto, não é necessário apelar para princípios religiosos.

 

Quanto à Bíblia, ela professa a realidade da vida humana do feto no seio materno. Assim, por exemplo, na época de Antíoco Epifanes (século II a.C.) a mãe dos heróis Macabeus descreve a grandeza da vida contida em seu ventre como dom de Deus (cf. 2Mc 7,20-23); Jeremias foi escolhido por Deus antes de nascer, ainda no ventre materno (cf. Jr 1,5); João Batista exultou no seio materno por ocasião da visita de Maria, portadora de seu Divino Filho (cf. Lc 1,41). O Evangelho condena o morticínio dos inocentes quando refere o diálogo entre o jovem rico e Jesus; Este apresenta ao seu interlocutor o caminho para entrar na vida: "Não matarás, não adulterarás, não roubarás..." (Mt 19,18; cf. Ex 20,12-16; Dt 5,16-20). Precisamente porque "prega a misericórdia e a construção do ser humano" (como diz Ivone Gebara) é que o Evangelho rejeita o aborto. Não somente a mãe é ser humano; o filho também o é, de modo que qualquer proposta de violência ou morticínio fere o Evangelho e a construção do homem.

 

Aliás, Ivone Gebara reconhece textualmente:

 

"Outro dia socorri uma mulher que abortou e fiquei impressionada ao ver o feto. É um bebezinho, é como se estivéssemos tirando a chance de aquela vida florescer. O aborto é violento. É sempre uma opção traumática, nunca um caminho de alegria. Mas é uma violência que existe e como tal deve ser legislado" (p.8).

 

Na verdade, um mal (a gravidez indesejada) não se remedia com outro mal (a violência e o homicídio). O aborto só contribui para aumentar a cota de violência existente em nossa sociedade. Em vez de oficializar e "legalizar" a violência e o morticínio, devem as autoridades civis pensarem atender às gestantes, a fim de que não sejam constrangidas ao aborto; este traumatiza profundamente a mulher. Tendo dado à luz, a mãe que não possa guardar seu filho, deveria poder contar com o auxílio da sociedade e do Estado para que lhe seja assegurada a subsistência e a educação. A adoção de filhos por parte de casais beneméritos é altamente louvável.

 

 

2 ADAPTAR A MORAL À VIDA CONTEMPORÂNEA

 

É frequente dizer-se que a Igreja deveria "adaptar a Moral a vida e às carências dos homens" (Ivone Gebara).

 

Não há dúvida, a Moral tem que levar em conta as circunstâncias em que se encontram os indivíduos, mas ela não se define apenas mediante circunstâncias contingentes; ela traz em si elementos perenes, que são precisamente os da lei natural ou da lei de Deus. Está claro que as sucessivas épocas da história ajudam a explicitar e compreender melhor a lei natural; esta pode ser adaptada aos tempos em aspectos secundários, nunca, porém, em seus termos essenciais. É de notar que toda evolução de um ser vivo, para ser autêntica, deve olhar tanto para o presente e o futuro como para o passado. Quem corta a continuidade com o passado, perde a sua identidade, transforma-se em outra coisa; é preciso sempre voltar às fontes e às raízes para guardar a própria autenticidade. Por isto a Moral Católica não pode ser definida apenas pelo contexto dessas diversas fases da história nem por plebiscito ou pelo voto da maioria, mas ela faz ressoar valores perenes a ser encarnados na diversidade das molduras da história.

 

Com outras palavras: retroceder ou recuar no tempo nem sempre é condenável. Há mesmo um recuo obrigatório, que é o do retorno às origens para revigorar a própria identidade.

 

 

3. E AS MULHERES POBRES?

 

Ivone Gebara trabalha em bairro pobre do Recife, onde tem contato com mulheres pobres, que muito a impressionaram:

 

"Meu convívio com as mulheres pobres de Càmaragibe me levou a refletir mais sobre esse assunto. As mulheres são extremamente pobres, são vendedoras de bolo e lavadeiras. Elas não têm informações para desenvolver sua vida sexual de forma saudável. Não sabem como evitar filhos e, mesmo que o soubessem, não teriam condições financeiras para fazê-lo porque não dispõem de assistência. Essa situação me levou a uma posição pragmática de defesa do aborto" (p. 8).

 

Uma situação de pobreza sempre toca muito a quem a observa; suscita o desejo de atendimento pronto. 0 aborto, porém, não é a solução adequada por motivos diversos: 1) é morticínio, é violência, como dito, o que agrava a situação geral da nossa sociedade; 2) não toca na raiz fundamental do problema, pois sugere que as mulheres pobres podem continuar desinformadas e incultas, procurando os prazeres sensuais ou deixando-se atrair por eles, na falta de melhor ocupação do tempo.

 

A autêntica solução consiste em

    de imediato, promover a alimentação e a educação dos filhos de tais mulheres grávidas mediante obras sociais adequadas, a fim de que essas crianças possam nascer e viver como é de direito;

    a médio prazo, oferecer educação e instrução à população carente do Brasil, a fim de que tome consciência da dignidade humana e trace uma escala de valores correspondente a essa convicção. A educação é o problema no 1 do Brasil; quem tem um pouco de escola, sabe valorizar a vida humana, cuida de sua saúde e adquire habilitação para um emprego mais satisfatório. Como se compreende, porém, a educação, por ser tão importante e valiosa, exige mais esforço e dinheiro do que a prática do aborto.

 

Não há Moral especial para a classe pobre como não a há para a classe rica. Tanto ricos como pobres estão sujeitos à lei natural e ao respeito à vida do inocente.

 

Verdade é que o abortamento se tornou meio de enriquecimento em países nos quais foi legalizado. A compaixão dos legisladores para com as mulheres grávidas descontentes tornou-se exploração grosseira da mulher em geral. É o que relatam os jornalistas ingleses Michael Litchfield e Susan Kentish em seu interessante livro "Babies for burning" (Bebês para queimar), das Edições Paulinas 1977, livro que é apresentado às pp. 26-39 deste fascículo.

 

 

4. DUALISMO GREGO E CRISTIANISMO

 

a) Em determinada passagem de sua entrevista, declara Ivone Gebara:

 

"A tradição cristã se constitui sobretudo a partir do século III de nossa era, época marcada pelo dualismo grego. A Igreja apresentava o homem como um pecador em oposição ao Deus bom, o corpo em oposição ao espírito. Explicava o mundo de uma forma dual: céu/inferno, bem /mal. Essa espécie de antropologia dualista fez a Igreja considerar o homem melhor que a mulher. Automaticamente o sacerdócio é dado aos homens, mas as mulheres têm de conquistá-lo. É um comportamento discriminatório, fruto de uma concepção equivocada tanto do ser humano como de Deus" (p. 10).

 

Ora a Tradição cristã começa com Jesus Cristo e os Apóstolos. Nos três primeiros séculos, os cristãos tiveram que enfrentar doutrinas dualistas oriundas tanto da filosofia grega quanto do Gnosticismo. O dualismo consistia em afirmar que a matéria, como tal, é má e o espírito, como tal, é bom; haveria bondade e maldade na constituição mesma dos seres. Ora os doutores da Igreja sempre se opuseram ao dualismo; basta ler as obras de S. Ireneu (Contra as Heresias), Tertuliano (Contra Marcião, Sobre a Ressurreição da Carne, Sobre a Carne de Cristo), Clemente de Alexandria (Exortação aos Gentios), Hipólito (Philosophumena)... O dualismo nunca foi cristão.

 

Todavia entre o dualismo e o monismo (= a redução à unidade) existe a dualidade; esta distingue dois elementos um do outro, sem os opor entre si. É o que ocorre entre o homem e a mulher; não estão em dualismo, mas também não em monismo, e, sim, em dualidade; distinguem-se um do outro, sem antagonismo.

 

Ora a Igreja, que não professa o dualismo, professa a dualidade. O corpo e a alma são distintos entre si, mas complementares um para o outro. Este modo de ver é verídico e cristão. Não há por que o censurar.

 

No plano moral ou ético, não há dúvida de que estão em oposição o pecado e a virtude. O inferno é o estado de alma decorrente da impenitência final; o céu é o estado correspondente ao amor de Deus exercitado até o último momento. A distinção e a oposição entre o bem e o mal no plano da Ética é imprescindível, se não se quer dizer que a honestidade e a desonestidade são equivalentes entre si.

 

b)   O fato de que as mulheres não são ordenadas como os homens presbíteros, nada tem que ver com dualismo ou com discriminação. Deve-se, antes, à instituição realizada por Jesus Cristo; este só chamou para a Última Ceia e a ordenação aí conferida seus Apóstolos, nem mesmo sua Mãe Santíssima. A Igreja sempre observou o exemplo do Divino Mestre, conferindo o sacramento da Ordem tão somente aos homens; até hoje ela guarda fielmente esta praxe, embora isto a sujeite a mal-entendidos. De resto, como escreve o S. Padre João Paulo II em sua Carta sobre a Dignidade da Mulher, o que faz a grandeza de uma pessoa não são as funções que ela exerce, mas a sua virtude e a sua santidade (cf. n9s 26-27). Alguém pode ocupar elevados cargos, mas ser monstruoso no plano ético, ao passo que uma pessoa virtuosa é sempre grande, quaisquer que sejam as suas atribuições.

 

c)   O celibato e a virgindade (a vida una ou indivisa), abraçados por amor do Reino dos céus, são inestimáveis valores, que São Paulo muito recomenda em 1Cor 7,25-35. Significam a concentração de toda a capacidade de amar em torno de Jesus Cristo e da sua obra salvífica; aqueles e aquelas a quem Deus concede tal carisma, hão de valorizá-los adequadamente, felizes por poder viver a sua vocação; sejam para o mundo um sinal..., sinal de que os bens definitivos já entraram na história da humanidade e podem satisfazer plenamente às aspirações de quem os reconheça e cultive. Conscientes disto, desde os primeiros séculos, os presbíteros da Igreja abraçaram espontaneamente o celibato; o primeiro Concílio (regional) que legislou sobre o assunto, foi o de Elvira (Espanha) no começo do século IV. Até hoje a Igreja conserva a praxe do celibato sacerdotal, certa de que contribui para a maior disponibilidade dos ministros de Deus para o seu serviço a Cristo e à Igreja.

 

 

5. O AVANÇO DO PENTECOSTALISMO

 

Ivone Gebara julga que este avanço "se deve, em parte, ao fato de que o pentecostalismo tem apelos que respondem às necessidades da população cada vez mais carente. Promete as soluções de curto prazo".

 

É inegável o crescimento das denominações pentecostais e de outras que apregoam curas, milagres, revelações, fim do mundo iminente... O seu avanço, em grande parte, se deve a fatores emocionais, pouco ou nada racionais ou lógicos; muitas pessoas, carentes de ajuda e desiludidas dos meios convencionais (medicina, economia, política...), se voltam para soluções mágicas, "maravilhosas", que são "imediatas", mas ilusórias, porque baseadas em sugestionamento e afetividade momentânea. A religião não é, em primeira instância, uma terapia ou um meio de resolver problemas; é, sim, o culto a Deus prestado de acordo com a mensagem revelada por Deus; este culto não pode deixar de beneficiar o ser humano, pois "conhecer a Deus é viver, e servir a Deus é reinar" (Missal Romano); milagres e curas podem ser obtidos pela oração, mas não são o objetivo principal da fé e da prática religiosas.

 

Não poucas das pessoas que deixam o Catolicismo para procurarem alguma nova corrente religiosa a resposta para as suas dificuldades, arrependem-se de o ter feito, pois se sentem frustradas e vazias. A razão e a lógica têm que orientar as emoções; não podem ser sufocadas pelo sentimentalismo mais ou menos cego, sem grave detrimento para o crente.

 

De resto, verifica-se que, por trás das soluções imediatas oferecidas pelo protestantismo, há, não raro, desonestidade e crime. É o que se depreende de uma reportagem do jornal O GLOBO de 10/10/93, pp. 14s, que evidencia certa conivência de templos e pastores protestantes com o narcotráfico:

 

Evangélicos e traficantes fazem pacto nas favelas

Para garantir seu crescimento e a criação de cinco templos por semana no Rio, as igrejas evangélicas adotaram uma tática de conivência com os traficantes nas favelas. Na chacina de Vigário Geral, uma família de crentes foi morta porque escondia traficantes em casa; na Favela do Coroado, em Acari, o bunker do tráfico ficava sobre um templo evangélico. A pregação contra as drogas é cautelosa. O pastor Odalírio Luís da Costa, que atua em dez favelas, admite já ter alimentado traficantes. O presidente da Associação Evangélica Brasileira, Caio Fábio, aconselha os pastores a evitarem qualquer confronto com o tráfico e a manterem distância da polícia, "que é a quadrilha oficial”.

 

Crescimento das igrejas protestantes em favelas criou uma convivência forçada entre tráfico e religião

 

Traficantes usam templos evangélicos como escudo

 

A morte de uma família de crentes na chacina de Vigário Geral e a destruição a granadas da fachada de um templo na Favela do Coroado, em Acari — onde, no andar de cima funcionava o bunker dos traficantes — começou a manchar de sangue a trajetória dos evangélicos nas favelas do Rio. Quem poderia supor que o dono do tráfico de uma favela da Zona Norte escolhesse a casa de uma família de crentes para se esconder ou ainda que em cima de um templo funcionasse um quartel-general do tráfico? Mesmo parecendo insólita, a convivência nas favelas do Rio de um grupo que prega contra o vício e de outro que vive do vício já se tornou uma rotina.

 

— Os traficantes querem a igreja na favela porque ela é a aparência do bem. A igreja significa que o bem está ali e, com o bem na favela, a polícia se afasta. E eu quero o traficante pertinho de mim, sem ser conivente — discorre o pastor Odalírio Luís da Costa, que através de uma rede de rádio comunitária atinge dez favelas da Zona Norte, onde estão presentes 25 templos evangélicos — e apenas uma igreja católica.

 

O crescimento da religião evangélica — em três anos foram fundados, em média, um templo a cada dia útil, sendo a maioria deles nas comunidades mais pobres — e a máxima de, a qualquer custo, pôr em prática a missão de evangelização ("levar Cristo a todos, sem olhar a quem") criou uma convivência íntima entre os dois grupos.

 

No andar de cima, drogas; no debaixo, orações

 

Abraçada à Bíblia, Josefa de Jesus Costa ouviu mais do que viu durante as quatro horas de tiroteio entre a polícia e os traficantes da Favela do Coroado, em Acari, há pouco mais de 15 dias. Os traficantes estavam sobre o telhado de sua casa. Josefa, fiel da Igreja Pentecostal Voz da Salvação — que funciona exatamente ao lado de sua casa e também embaixo do bunker dos traficantes —, foi ferida por estilhaços de granadas. Seu marido, Manoel Avelino Costa, foi ferido na perna. A Bíblia foi manchada de sangue e as paredes do seu quarto têm as iniciais da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), pichadas por policiais. Josefa e Manoel já estavam, no dia seguinte, ajudando a preparar o templo para mais um culto.

 

— Nunca soube que em cima de meu telhado e da igreja estava escondido um grupo de traficantes — diz Josefa.

A deputada Benedita da Silva alega que casos como esse, em que traficantes ocupavam o prédio de uma igreja evangélica, são exceções:

 

— Mas essa história vai servir de lição para os crentes.

 

São estas algumas ponderações que a entrevista de Ivone Gebara nos sugere. A fé católica não fecha os olhos à miséria da população brasileira; muito ao contrário...; e precisamente por causa disto é avessa à oficialização da violência e do morticínio em nossa sociedade.

 

APÊNDICE

 

Em certa Faculdade de Medicina, um professor propôs aos seus alunos um caso a resolver. Pedia-lhes que indicassem o conselho a dar a uma senhora grávida do quinto filho nas circunstâncias abaixo:

 

O marido sofria de sífilis, e ela de tuberculose. Seu primeiro filho nascera cego; o segundo morrera; o terceiro nascera surdo; o quarto era tuberculoso. Ela estava pensando seriamente em abortar o quinto filho. Que caminho deveria ela tomar?

 

Com base nos dados apresentados, a maioria dos alunos opinou que o aborto seria a melhor alternativa.

 

O professor então respondeu aos estudantes:

 

"Se vocês disseram sim à idéia do aborto, acabaram de matar o grande compositor Ludwig van Beethoven, que viveu 57 anos (1770-1827). Quando tinha aproximadamente trinta anos, começou a ficar surdo, e morreu sem poder ouvir suas obras mais amadurecidas, que são de alto valor musical (Nona Sinfonia, Missa Solene, os últimos Quartetos para Cordas)".

 

Na verdade, o pai de L. van Beethoven era sifilítico, sua mãe tuberculosa, seu primeiro irmão cego de nascença, o terceiro surdo e o quarto tuberculoso, sendo que o segundo morreu logo depois do nascimento. Não obstante, L. van Beethoven foi considerado um menino-prodígio, que se apresentava como pianista, e aos quatorze anos de idade era organista assistente da Capela do Eleitor de Bonn (Alemanha).

 

 

Dom Estêvão Bettencourt (OSB)



[1] "Há mais de vinte séculos, os médicos dos países civilizados adotaram o juramento de Hipócrates. Ora Hipócrates tornou a Medicina uma profissão honrada justamente por separar o 'matar' e o 'tirar a vida'do 'curar' e salvar a vida'. O juramento de Hipócrates diz expressamente: 'Não darei à mulher pessário abortivo'. Da mesma forma a Declaração da Associação Médica Mundial em Genebra: 'Hei de manter o mais absoluto respeito pela vida humana, a partir do momento de sua concepção e, mesmo sob ameaça, não farei uso dos meus conhecimentos médicos contrariamente às leis da humanidade'" (Urbano Zilles, Homem e Mulher no Caminho da Vida,p. 40).


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