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Artigo

PERGUNTE E RESPONDEREMOS 388 – setembro 1994

Tentando levantar o véu.

 

CAMPANHAS CONTRA A AIDS NA CONTRAMÃO

 

Em síntese: Dr. Hélio Begliomini, como médico pós-graduado pela Escola Paulista de Medicina, julga que o recurso a camisinhas e preservativos é ineficaz para evitar a propagação da AIDS; aliás, a experiência mesma mostra que a doença se alastra sempre mais. Preconiza, pois, uma medida mais radical no combate a tal moléstia, ou seja, a mudança de costumes da nossa sociedade libertina, mudança sem a qual é inútil qualquer campanha de prevenção. De resto, observa o Dr. Begliomini que tais campanhas, enquanto favorecem indiretamente a propagação da AIDS, proporcionam negócios altamente lucrativos a todas as empresas que de algum modo estão ligadas ao exercício da sexualidade.

 

O Dr. Hélio Begliomini, já conhecido por sua colaboração com PR, é pós-graduado pela Escola Paulista de Medicina e médico do Hospital do Servidor Público do Estado de São Paulo (HSPE-FMO). Preocupado com a difusão da AIDS, escreveu um artigo que vai, a seguir, publicado, e no qual denuncia a ineficácia das campanhas ditas "de prevenção contra a AIDS"; a moléstia tem-se propagado sempre mais. E propõe como solução radical para o problema a mudança de costumes libertinos da nossa sociedade. Nota outrossim que, enquanto as campanhas "preventivas" não surtem os almejados efeitos, propiciam negócios altamente lucrativos a firmas ligadas ao exercício da sexualidade. Dai' o título do artigo abaixo, que, aliás, faz eco a três outros artigos deste fascículo.

 

 

CAMPANHAS DE PREVENÇÃO DA AIDS NA CONTRAMÃO. A QUEM INTERESSAM?

 

Infelizmente uma das poucas posições de destaque ocupadas pelo Brasil no cenário internacional se refere à grande incidência de portadores da Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS). Os dados são alarmantes e, segundo os especialistas, a cifra de pessoas contaminadas com o vírus é ao redor de três a quatro vezes aquela sabidamente conhecida através da notificação compulsória. Este número representa, de fato, um grande "exército", apto a atacar "invisível" e "silenciosamente" seus adversários sadios, como se estivesse implantada em cada um deles uma bomba mortal, programada para explodir cinco ... sete ... ou dez anos mais tarde.

 

Torna-se fato inconteste que a grande maioria dos portadores do vírus da Al DS adquiriu sua condição através de distúrbios do comportamento: quer por meio de relações sexuais descompromissadas, múltiplas e/ou promíscuas, quer através da utilização de drogas injetáveis. Paralelamente, temos assistido a um investimento maciço em campanhas ditas "de prevenção" nos mais diversos e persuasivos matizes de veículos: jornais, panfletos, outdoors, cinema, teatro, televisão, vídeos, fitas, rádio, revistas, boletins etc.

 

Curiosamente, as pesquisas divulgadas pelos especialistas no assunto demonstram que a AIDS continua crescendo alarmante e celeremente, apesar dos esforços empreendidos em termos de prevenção.

 

Parece que os grupos de risco (homossexuais, heterossexuais promíscuos, e drogados) não estão, em sua maioria, preocupados com a doença e sua transmissibilidade. Para alguns, disseminar a doença torna-se até manifestação de revolta por ter contraído uma enfermidade incurável. Estariam as campanhas preventivas mal orientadas? Dirigidas de forma inadequada? Sem suficiente penetração nos meios visados? Tudo indica que não. Parece, sim, que a população mais susceptível é dominada por uma mentalidade alienada e distorcida dos padrões da normalidade. Tal fato é muito bem alimentado por uma sociedade essencialmente egoísta, consumista e hedonista, onde levar vantagem sobre outrem passa a ser o objetivo primordial do indivíduo. Ademais, a acentuada solidão em que vivem os cidadãos dos grandes centros urbanos, aliada à miséria cada vez mais presente, ao lado do despreparo educacional, favorecem a busca de alternativas alienantes, mais fáceis, e nem sempre honrosas. Por sua vez, a situação torna-se mais favorável numa sociedade "conformada", onde as pessoas se omitem, e não se posicionam a favor do bem. Talvez se ludibriem numa falsa liberdade, segundo a qual cada um é dono de si, podendo fazer o que bem quiser, desde que não incomode os outros. A AIDS parece ilustrar um vetusto e popular aforisma que diz que a "liberdade de um começa onde termina a do outro". Mas qual é a sua medida ética?

 

Após estas considerações, faz-se necessário perguntar: A quem se destinam as campanhas de prevenção da AIDS? — Constata-se que são um negócio altamente lucrativo para empresas ligadas ao sexo nas suas mais diversas formas de atuação, sempre oferecendo empregos diretos e indiretos.

 

As indústrias de preservativos, apenas um exemplo, têm suas metas super-atingidas e nunca venderam tanto quanto em nossos dias. Acrescenta-se a este fato que, num sistema de Governo acostumado a receber propinas através da participação nas transações de quaisquer espécies de projetos, obras e compras de mercadorias, a falta de ética parece pairar não mais em receber porcentagens, mas no definir o elevado montante dessas porcentagens.

Paralelamente, vários médicos "opinion makers" e profissionais relacionados à área da saúde têm sido muito solicitados para falar, aqui e acolá, sobre a situação sombria da AIDS. Tais andanças, se não representam real beneficio à prevenção deste inexorável flagelo, pelo menos proporcionam bons dividendos políticos e promocionais aos seus protagonistas e promotores.

 

Conseqüentemente, faz-se mister acrescentar uma frente a mais, e sólida, na batalha contra a AIDS. Desta vez, através da genuína divulgação dos bons costumes. Pouco vale tão somente informar, mas vale muito formar pessoas. Números e estatísticas que não visam ao homem na sua integralidade, são um irracional saco vazio. Portanto, querer prevenir a AIDS sem explícito, rígido e firme combate ao consumo de drogas e à danosa prática sexual irresponsável, com seus múltiplos meandros e nuanças de apresentação, é, no mínimo, incoerente e inconseqüente. Nisto os experts deveriam concordar. Aliás, não se requerem apenas técnicas, mas, sim, homens íntegros e corajosos para mudar os rumos.

 

Até hoje não se descobriram medidas científicas para se obter a cura e a tão sonhada profilaxia da AIDS. E necessário, porém, que se compreenda que uma enfermidade certamente mortal, disseminada, em sua maior parte, por desvios comportamentais, deve ser combatida lucidamente por uma mudança de costumes.

 

Portanto, querer prevenir a AIDS distribuindo preservativos e ofertando seringas descartáveis aos respectivos grupos de risco é, ao mesmo tempo, estimular a frouxidão de costumes, a debilidade de caráter e, indiretamente, a própria disseminação da doença. É querer equipar um carro de corrida com pára-choques de borracha e orientar o piloto a dirigi-lo na contramão em plena competição. Chegará a salvo através das múltiplas e repetitivas oportunidades de acidente, apesar das placas de sinalização e de sua "proteção"?

 

 

Dom Estêvão Bettencourt (OSB)


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