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Artigo

PERGUNTE E RESPONDEREMOS 522 – dezembro 2005

Tentando desvendar o mistério:

 

"A LUZ DO ALÉM"

por Raymond A. Moody Jr.

 

Em síntese: O Dr. Raymond Moody Jr. tem-se dedicado aos depoimentos de pessoas que fizeram a experiência de quase-morte. Dizem que, em seu estado de coma, a alma ou o núcleo da personalidade, dotado de corpo espiritual, saiu do corpo físico, vagueou pelo espaço, atravessou um túnel e compareceu diante de seres luminosos, em meio aos quais havia um Ser de Luz por excelência; foram induzidas a fazer uma recapitulação de sua vida e, depois, obrigadas a retornar ao corpo físico. - O próprio Dr. Moody Jr. apresenta explicações científicas para tais experiências, as quais dissipam a tese de que a alma saí fora do corpo. Crê, porém, que nenhuma delas elucida devidamente o fenômeno, que ele julga ser um passeio pelo além. - O presente artigo, após relatar os depoimentos de pacientes e a interpretação dada pelo Dr. Moody Jr., tenciona dissipar a concepção segundo a qual a alma possa vaguear fora do corpo, entrar num túnel e num jardim e, finalmente, voltar ao corpo.

 

O Dr. Raymond A. Moody Jr. M.D. é o autor de uma obra intitulada 'Vida depois da Vida". Publicou posteriormente "A Luz do Além. Novas Revelações", livro editado em tradução brasileira no ano de 1990 (2a edição da Ed Nórdica. O livro refere depoimentos de pessoas que passaram pelo estado de quase-morte (EQM) e dele retornaram; dizem ter vagueado pelo espaço. O Dr. Moody Jr. dá crédito a esta alegação, que ele propõe como verídica em seu livro.

 

Vamos, a seguir, passar em revista o conteúdo de "A Luz do Além" e apresentar algumas reflexões sobre tal obra.

 

1. O conteúdo do livro

 

Por duas décadas o Dr. Moody Jr. se dedicou à ausculta de depoimentos emitidos por pessoas que passaram por estado comático e dele retornaram. Está convicto de que "existem várias pessoas comuns que estiveram à beira da morte e que relatam vislumbres miraculosos de um mundo além, um mundo fulgurante de amor e compreensão, que somente pode ser alcançado por meio de uma excitante viagem através de um túnel ou passagem.

 

Esse mundo é habitado por pessoas já falecidas, parentes e amigos, todas envoltas em uma gloriosa aura de luz, e governado por um Ser Supremo, que orienta o recém-chegado numa recapitulação de sua vida, antes de enviá-lo de volta para a terra.

 

Após o retomo, as pessoas que 'morreram', nunca mais foram as mesmas. Elas retomam a vida em sua totalidade, e exprimem a crença de que o amor e o conhecimento são as coisas mais importantes dentre todas, pois são as únicas que podemos levar conosco" (pp. 11 s).

 

Eis alguns dos relatos mais interessantes:

 

"Eu ouvi eles dizendo que meu coração havia parado, mas eu estava lá em cima, observando. Eu flutuava perto do teto, e, quando vi o corpo, não sabia que era o meu. Mas, depois, o reconheci. Saí da sala e vi minha mãe do lado de fora. Perguntei a ela por que estava chorando, mas não pôde me ouvir. Os médicos pensaram que eu estava morta.

Então, uma linda senhora surgiu e me ajudou, pois ela sabia que eu estava amedrontada. Nós passamos por um túnel e chegamos no céu. Havia flores lindas por lá. Eu estava com Deus e Jesus. Eles disseram que eu teria de voltar para junto de minha mãe, porque ela estava muito triste. Disseram que eu tinha de viver a minha vida. Então, voltei e acordei.

O túnel que atravessei era longo e muito escuro. Passei por ele numa grande velocidade. Havia uma luz, no fim. Quando a vi, fiquei muito contente. Gostaria de voltar para lá, por algum tempo. Quero voltar para a luz, quando morrer... A luz era muito brilhante" (p. 60s).

 

Eis outro relato:

 

"Eu estava terrivelmente doente, com problemas cardíacos, ao mesmo tempo em que minha irmã se encontrava em coma diabético em outra parte do mesmo hospital. Deixei o meu corpo e fui para o alto da sala, onde fiquei observando os médicos trabalharem.

De repente, dei-me conta de que conversava com minha irmã, que ela estava lá em cima, junto comigo. Nós éramos muito ligados, e ficamos conversando sobre o que acontecia lá embaixo, até que ela começou a afastar-se de mim.

Tentei segui-la, mas ela me disse para permanecer onde estava. 'Ainda não é a sua hora', disse ela. 'Você não pode ir junto comigo, porque ainda não é a sua hora'. Então, foi se afastando cada vez mais, desaparecendo numa espécie de túnel, e eu fiquei lá, sozinho.

Quando acordei, disse aos médicos que a minha irmã tinha morrido. Eles negaram, mas, como insistisse, mandaram uma enfermeira verificar. Ela realmente havia morrido, como eu já sabia" (p. 150).

 

Há também o caso de quem foi parar no inferno por engano:

 

"Um homem relatou que, durante a segunda de suas três EQM foi levado, por engano, para o inferno. Sua entrevista foi bastante interessante e esclarecedora:

 

'Resposta: A segunda experiência foi diferente, eu desci por uma escadaria! Lá embaixo era escuro, havia pessoas berrando e gemendo, era quente, elas queriam beber água...

Então, alguém aproximou-se de mim, não sei dizer quem era, puxou-me de lado e disse: 'Você não tinha que estar aqui. Você vai ter que subir de volta'.

Pergunta: Foram essas as palavras que ele usou?

Resposta: Sim. 'Você vai ter que subir de volta. Não queremos você aqui embaixo, porque não é malvado o bastante'.

Pergunta: Você primeiro experimentou a escuridão e, então...

Resposta: Escuridão total. Primeiro, nós descemos... a escuridão era total.

Pergunta: Você desceu por um túnel?

Resposta: Não era um túnel, era mais do que isso, era algo imenso. Eu flutuava para baixo... Havia um homem esperando. Ele disse: 'Não é este'.

Pergunta: Você podia ver as pessoas que estavam gritando?

Resposta: Vi uma porção de gente lá embaixo, berrando, gemendo...

Pergunta: Elas também estavam vestidas?

Resposta: Não, não, não. Nenhuma roupa.

Pergunta: Estavam nuas?

Resposta: Sim.

Pergunta: E você pôde calcular quantas pessoas havia lá?

Resposta: Oh, Cristo, era impossível contá-las.

Pergunta: Milhares?

Resposta: Eu diria que, para mim, eram quase um milhão.

Pergunta: Oh, deveras? E todas elas pareciam realmente infelizes?

Resposta: Estavam infelizes e cheias de ódio. Elas me pediam água. Não tinham água.

Pergunta: E havia alguém que as ficava observando?

Resposta: Sim, ele estava lá. Com os seus chifrinhos...

Pergunta: Ele tinha chifres! Você... quem você acha... você reconheceu esse ser?

Resposta: Oh, sim! Eu o reconheceria em qualquer parte.

Pergunta: Quem era ele?

Resposta: O diabo em pessoa!'

 

Experiências como esta são raras. Os pesquisadores de Evergreen compararam sua pesquisa com a minha e a de Ring, e verificaram que apenas 0,3% de toda a amostragem descreveu sua experiência de quase-morte como sendo 'infernal'" (p. 32s).

 

1.2. Notícias complementares

 

São três as principais notas que completam os relatos atrás transcritos:

 

1.2.1. Corpo espiritual

 

Em estado de coma, dizem, o núcleo da personalidade do paciente ou o seu corpo espiritual deixa o corpo físico. Esse corpo espiritual é capaz de falar, de tocar corpos físicos. Acontece, porém, que ninguém ouve o que diz como ninguém é afetado pelo toque físico; "quando tencionam tocar fisicamente, as mãos de quem vagueia atravessam o braço da pessoa que ficou na terra, como se ali nada existisse" (p. 17), ou "como se tivesse a consistência de uma gelatina muito rarefeita, cujo interior parecia ser percorrido por uma corrente elétrica" (p. 17).

 

"Uma pessoa a quem entrevistei há vários anos, disse que examinou, com todo cuidado, suas mãos, enquanto permanecia nesse estado, e viu que elas pareciam ser formadas de luz, com minúsculas estruturas no seu interior. Ela pôde ver as delicadas linhas de suas impressões digitais e tubos de luz dentro dos seus braços" (p. 19).

 

Para corroborar suas idéias acerca do "corpo espiritual", Moody Jr. cita São Paulo, que em 1Cor 15, 35-52 se refere a soma pseumatikón no sentido, porém, de corpo penetrado pelo Espírito Santo (noção inexistente nos relatos de Moody Jr.).

 

1.2.2. A arquitetura do Além

 

O Além parece ser, segundo os relatos em pauta, uma nova edição do aquém, melhorada e ampliada:

 

"Comecei a persuadi-lo a contar-me sua experiência. Então, ele me disse que, após ter morrido, flutuou fora do seu corpo e viu, embaixo, o médico massageando o seu peito para fazer seu coração funcionar novamente. Sam, neste estado alterado, tentou pedir ao médico que parasse de golpeá-lo, mas ele não lhe deu nenhuma atenção.

Neste ponto, Sam teve a experiência de mover-se, rapidamente, para cima, vendo a Terra distanciar-se cada vez mais.

Ele, então, atravessou um túnel escuro e foi recebido, no outro lado, por um grupo de 'anjos'. Perguntei-lhe se esses anjos possuíam asas e ele respondeu que não.

'Eles brilhavam', disse, 'eram luminescentes, e todos pareciam ter muito amor por ele'.

'Tudo, naquele lugar, estava cheio de luz', disse. E, por toda parte, viu lindas cenas campestres. Esse lugar celestial tinha uma cerca em torno. Os anjos disseram-lhe  que, se ele atravessasse aquela cerca, não mais poderia retornar à vida. Depois, um ser de luz (Sam chamou-o de Deus) disse-lhe que teria de voltar e retornar ao seu corpo.

'Eu não queria voltar, mas ele me obrigou', disse Sam" (p. 58).

 

Estas concepções diferem radicalmente do que diz o texto bíblico, onde lemos as palavras de São Paulo: "O que os olhos não viram, os ouvidos não ouviram, e o coração do homem não percebeu, eis o que Deus preparou para aqueles que O amam" (1Cor2, 9). - Nem o inferno é um precipício requentado por fogo escaldante. Ver a propósito nosso Curso de Escatologia, Módulos 15, 16 e 17.

 

1.2.3. Concepções religiosas

 

O autor do livro afirma que relatos semelhantes ou mesmo idênticos foram proferidos tanto por pessoas de fé como por incrédulos. Todavia os mórmons são especialmente propensos a aceitar a veracidade de tais depoimentos e a emitir impressões desse tipo. Diz R. Moody:

 

"Existem muitas religiões no mundo que aceitam prontamente as EQM como um portal para o mundo espiritual. A mais proeminente das religiões ocidentais a fazer isso é a Igreja dos Santos dos Últimos Dias, mais comumente conhecida como Igreja Mórmon.

 

A doutrina mórmon considera a EQM um pequeno vislumbre do mundo dos espíritos. Eles acreditam que o mundo dos espíritos é uma dimensão que não pode ser percebida pelos vivos, sendo habitada por aqueles que deixaram o seu corpo físico.

 

O Journal of Discourses, um comentário sobre as crenças mórmons, escrito pelos membros mais velhos da igreja, diz que o corpo espiritual mantém os cinco sentidos do corpo físico (visão, audição, tato, paladar e olfato), embora tenha outras 'faculdades excepcionais' e a capacidade de considerar muitas idéias diferentes, ao mesmo tempo. Ele também pode mover-se com a velocidade da luz, ver em muitas e diferentes direções ao mesmo tempo, e comunicar-se de outros modos que não a palavra. É imune a doenças e ferimentos" (p. 82).

 

Segundo Moody Jr., a experiência de quase-morte ensina a relativizar os Credos religiosos: "Religião diz respeito à capacidade de amar, e não a doutrinas e seitas" (p. 81).

 

Em suma, tal é o conteúdo do livro "A Luz do Além" de Raymond Moody Jr. Sugere algumas

 

2. Reflexões

 

Proporemos três considerações.

 

2.1. O Pressuposto Antropológico

 

Segundo Moody Jr., o ser humano tem dois corpos: o material e o espiritual, sendo este último penetrado por luz brilhante. - Ora tal concepção difere da noção cristã, que, sem dúvida, é mais racional e menos fantasiosa.

 

Em perspectiva cristã, diz-se que o homem consta de corpo material e alma espiritual. A alma é o princípio vital do corpo. Este consta de elementos minerais (cálcio, ferro, potássio, hidrogênio, oxigênio...) que não funcionam como tais, isoladamente, mas como elementos integrantes da carne, dos ossos, da cartilagem... do corpo humano; são reduzidos, pelo princípio vital que os anima, à unidade do organismo; é a alma ou o princípio vital que dá o modo especificamente humano às ações e reações de tais elementos. Se a alma se separa do corpo físico, ainda que por alguns instantes, o organismo perde a sua unidade e se decompõe em seus elementos integrantes isolados. Nos casos de coma profundo, a alma não se separa do corpo, mas nele permanece latente, incapaz de se manifestar porque o organismo está afetado por grave enfermidade. Somente a fantasia (aliás, muito compreensível e espontânea) pode dizer que o eu do homem se separa do seu invólucro físico ou se "liberta das suas amarras" (p. 18) para pairar no ar "como um balão que voa livre depois que o seu cordão é cortado" (p. 18). Na verdade o ser humano não é um anjo que pilota a nave do seu corpo nem é um atleta que dirige o seu coche, mas é um todo uno, em que corpo e alma se integram e se complementam mutuamente, embora a alma, sendo espiritual, seja imortal e possa continuar a viver sem corpo, desde que este se ache mortalmente lesado e incapaz de ser sede da vida humana.

 

Por estas razões são inaceitáveis as concepções antropológicas de Moody Jr.; o corpo não é, como se lê à p. 79, "uma casa para o espírito".

 

2.2. O Além

 

É espontâneo ao ser humano conceber o Além à semelhança do aquém; seria uma nova edição revista e corrigida do aquém. Ninguém tem clara noção de algo que transcenda os limites da corporeidade. Diz a Filosofia que "nada há no intelecto que não tenha passado pelos sentidos"; por isto mesmo as nossas mais elevadas e puras concepções trazem sempre a conotação do material e corpóreo... Todavia a sã razão e a fé nos dizem que tudo o que é material, é limitado e sujeito a desgaste, frustrando quem da matéria pretende fazer a resposta aos seus anseios. O Além há de ser o encontro com a Verdade sem falsidade, com o Amor sem traição, com a Bondade sem deficiência, com a Vida sem ameaça de morte - o que supera longe as possibilidades da matéria. É por isto que a espontânea concepção de um parque luminoso e ameno há de ser ultrapassada pela consciência de que o ser humano tem a capacidade do Infinito, do qual só podemos ter pálida noção na vida presente.

 

2.3. A elucidação do fenômeno

 

Se a explicação dos relatos não pode ser deduzida da hipótese de uma viagem fora do corpo, pergunta-se: como então elucidar o fenômeno de tais depoimentos?

 

O próprio Dr. Moody Jr., às pp. 147-166 do seu livro, analisa explicações diversas para o fenômeno; todavia não as endossa. Eis, porém, que, dentre todas, merece especial atenção a que parte do inconsciente coletivo de Carl Gustav Jung, que Moody Jr. não aceita, mas que parece muito plausível e cabal para esclarecer os fatos relatados. Ei-la:

 

"O grande psicoterapeuta Carl Jung observou que muitos mitos e crenças semelhantes podem existir em culturas diferentes, ainda que estas não tenham nenhuma ligação entre si. Por exemplo, a história da criação é quase a mesma para os índios papagos e para os antigos gregos.

 

Jung denominou a teoria global de inconsciente coletivo e as instâncias individuais de arquétipos. São respostas programadas de todos os seres humanos. Um exemplo simples de um arquétipo é 'mãe'. Em qualquer cultura, o emprego desta palavra evocará significativos bastante similares, uma universalidade básica.

 

Embora o próprio Jung tivesse passado por uma EQM, ele não correlacionou a experiência ao inconsciente coletivo. Mas seus seguidores estabeleceram uma ligação entre as EQM e os arquétipos, já que se trata de uma experiência que ultrapassa as barreiras culturais e raciais, contendo, essencialmente, os mesmos elementos, para homens e mulheres de todas as épocas.

 

A experiência arquetípica por excelência poderia dar-se deste modo: uma pessoa tem um sonho que contém elementos ausentes da sua experiência consciente, mas que são similares a outros, encontrados na mitologia ou em antigos ritos. Estes elementos inexplicáveis são os arquétipos.

 

Alguns dos seguidores de Jung acreditam que a proximidade da morte, ou uma experiência de quase-morte, faz com que essas imagens arquetípicas, que se encontram no subconsciente profundo, sejam evocadas. Essas imagens são basicamente as mesmas para toda a humanidade: experiências de túnel, seres de luz, recapitulações de vida, etc."(p. 162s).

 

Após expor o raciocínio, observa Moody Jr.:

 

"Esta é uma teoria difícil de refutar, especialmente porque não passa disso: uma teoria. E, como as outras aqui apresentadas, tem um grão de verdade. Mas o maior problema é que ela não explica as experiências de separação do corpo. Enquanto isto não for feito, nenhuma teoria será totalmente válida para mim" (p. 163).

 

Na verdade, a impressão de que a alma ou o núcleo da personalidade se separa do corpo não é difícil de se explicar. Com efeito; é muito espontâneo ao ser humano imaginar que está planando no espaço, principalmente se consideramos que vivemos numa época em que a aeronáutica se tem desenvolvido a ponto de permitir a astronáutica e até... a asa-delta. O adolescente se diverte lançando seus papagaios e seus balões ao ar. Além do quê, é muito freqüente ouvir-se dizer que "o céu está lá em cima e o inferno lá em baixo". Tais concepções, embora sejam rejeitadas pela razão do adulto, não deixam de habitar o seu inconsciente e bem podem vir à tona numa fase de perda do controle do indivíduo sobre si mesmo, como é geralmente o estado patológico. Mais: a idéia de um túnel que separa o mundo menos bom do melhor, também é espontânea.

 

Desta maneira os maravilhosos relatos de experiência de quase-morte perdem seu caráter fantasioso e contribuem para corroborar a noção de que o inconsciente é muito rico em idéias e imagens e também muito poderoso para orientar ou desorientar o comportamento do ser humano.

 

 

Dom Estêvão Bettencourt (OSB)


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