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Artigo

PERGUNTE E RESPONDEREMOS 522 – dezembro 2005

JÁ... AINDA NÃO

 

Já... ainda não... Esta fórmula ambígua ou contraditória parece retratar bem a característica principal da vida do cristão sobre a Terra.

 

Com efeito, o fim de um ano dá origem a novo ano, novo ano que será assinalado pelos mesmos marcos do ano anterior: 1o de janeiro, Carnaval, Semana Santa... Esta verificação sugere a muitos a tese do eterno retorno: a história constaria de ciclos que retomam periodicamente e parecem agrilhoar o homem. Este se torna então ansioso por libertar-se do curso da história monótono e destituído de sentido. - A imagem que traduz tal concepção da história, é a da serpente que se enrosca e enrosca, mas não chega a termo algum, pois a cabeça acaba mordendo a cauda.

 

Esta noção depreciativa da história não é cristã. O cristão reconhece que a história é repetitiva: fim de ano - começo de ano indefinidamente. Mas ele sabe que a repetição é prenhe de sentido; uma forte tendência dinâmica a perpassa, e a leva a um grandioso termo final ou à plena vitória de Cristo sobre o pecado e a morte. São palavras de S. Agostinho:

 

"Passam os dias que vêm chegando, passam e voltam e anunciam o dia que não veio ainda nem passará, dia que não é anunciado pelo dia de ontem nem será expulso pelo de amanhã. Quando chegarmos a esse dia, unir-nos-emos a ele e também nós não passaremos mais".

 

A imagem que exprime a dinâmica da história é a de um cone que se vai abrindo regularmente. Nessa dinâmica do cone que se abre, voltam as mesmas grandes solenidades do passado -as o cristão as vivência cada ano com mais maturidade e profundidade: Natal, Páscoa, Pentecostes retomam sempre, iguais e não iguais a si mesmos, pois, cada ano estando mais próximo do termo final, o cotidiano se toma mais lúcido, mais penetrado pela eternidade.

 

Voltando à imagem do cone, diremos que ele começa num ponto frágil: o primeiro Adão, que reproduzia em miniatura os traços do segundo Adão (ver Rm 5, 14). Este vai-se formando através dos tempos. Sim; vai-se formando na história da humanidade inteira, que Ele recapitula e entregará ao Pai no fim dos tempos (ver 1 Cor 15,24-28). - Ele vai-se formando outrossim na pessoa de cada cristão: "Meus filhos, por quem sofro de novo as dores do parto até que Cristo seja formado em vós..." (Gl 4, 19).

 

Na base destas ponderações, podemos dizer que o nosso Natal 2005 será e não será o mesmo que em 2004,2003, 2002... Os textos e os símbolos serão os mesmos, mas através desses intermediários apreenderemos mais densamente o mistério do Amor que primeiro nos amou (ver 1 Jo 4,19) e que pede uma disponibilidade à altura do Grande Dom.

 

Vem, Senhor Jesus, e completa a tua obra em cada um de nós!

 

A TODOS FELIZ NATAL E ABENÇOADO ANO NOVO!

 

 

Dom Estêvão Bettencourt (OSB)


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