Pergunte e Responderemos - Sinais - Cristãos perseguidos - por Estêvão Bettencourt

PERGUNTE E RESPONDEREMOS 539/2007
Mundo Atual

Ajuda à Igreja que sofre:
CRISTÃOS PERSEGUIDOS

Em síntese: A Associação "Ajuda a Igreja que sofre" foi fundada há cerca de sessenta anos para atender às necessidades da Igreja que padece perseguição nas diversas partes do mundo. Segue-se um relatório desse sofrimento dos fiéis cristãos católicos perseguidos no mundo inteiro.
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Tanto no Oriente muçulmano e budista quanto no Ocidente secularizado tem-se registrado a perseguição explícita ou sorrateira à Igreja Católica: um ou outro tópico dessa situação vem à tona através da imprensa, mas dificilmente se faz idéia da gravidade da situação. Eis por que a Associação "Ajuda à Igreja que sofre" (AIQS), fundada para socorrer os irmãos carentes espiritual e materialmente pelo Pe. Wearnnfied, publicou recentemente um quadro geral das circunstâncias ingratas em que vivem tantos irmãos; tem por autor o Sr. Laurence Stemler, responsável pelo Serviço de Informações da AIQS1.
Publicamos, a seguir, alguns traços do quadro geral, aptos a suscitar orações e interesse concreto pela boa causa,
Distinguem-se três partes do balanço: a primeira é mais geral, a segunda e a terceira detêm-se na China e no Egito.

1. Pelo mundo em geral

Não só o Oriente muçulmano e budista se opõe à Igreja, mas também o Ocidente laicizado faz algo de semelhante.
Com efeito, ocorrem assassinatos, furtos, violações e danificações de igrejas não só em Cuba e na China por influência do marxismo, mas também nos países ocidentais acontecem fatos que explicita ou implicitamente exprimem aversão à Igreja por parte de facções ou de autoridades governamentais. Seja citado entre outros o caso da parte setentrional da ilha de Chipre dominada pelos turcos maometanos: as igrejas aí se tornaram urinários públicos, piscinas ou casas de uso profano. No Paquistão, o cristão recém-batizado é expulso da sua família e da sua aldeia, ficando sujeito a um processo devido a "ter cometido uma blasfêmia".
Considerando especialmente a França, dita "a Filha Primogênita da peja" (porque os francos se converteram ao Cristianismo no século V ' Aide à l'Église em Détresse, 29 rue du Louvre 78750. Paris’ sem passar pelo arianismo) registraram-se as seguintes dolorosas ocorrências: assassinato de Mons. Joacqun em Paris e de um pároco da aldeia em Chalon sur-Saone. A seguir, foram violentamente agredidos fiéis católicos que celebravam o primeiro weekend de fevereiro em zona rural; a capela de São Guenael de Gutschrift (em Morbihan) foi profanada assim como cinco outras capelas na mesma região no decorrer de dez dias numa superfície de 30 km aproximadamente. Por sua vez, o satanismo ou o culto a Satanás invadiu lugares de culto católicos, levando e pisoteando objetos sagrados. Opressores estes aos quais se associaram bandos de muçulmanos.
Mons. Ricard, presidente da Conferência dos Bispos da França, protestou contra os meios de comunicação social, que noticiam quase exclusivamente o que se opõe a Doutrina da Igreja ou o que pode atenuar a dignidade do sacerdócio católico. São suas palavras textuais:
"O propósito da mídia é servir-se de tudo que possa alimentar a aversão à Igreja ou desabonar o celibato dos clérigos. São fornecidos ao público dados incertos, suficientes porém para atiçar as paixões".
Na Espanha o Governo quer retirar das escolas públicas o ensino da religião, pensa também em reformular os subsídios que o Estado concede à Igreja, usando porém de linguagem elegante e aparentemente amiga.
Na Inglaterra as estatísticas revelam que vai aumentando o número de agressões às igrejas e aos templos. O mesmo ocorre na França, houve quem caricaturasse a figura do Papa Bento XVI como Novo Hitler sem que a opinião pública protestasse; o presidente Jacques Chirac não se manifestou como, aliás, se manifestara em protestos contra injúrias cometidas contra Maomé na Dinamarca. Houve quem contestasse as bandeiras postas em sinal de luto por ocasião da morte do Papa João Paulo II. Nos Estados Unidos existe intenso clamor para se retirar a Bíblia das repartições públicas, como acontece com os crucifixos em países de origem católica.
Como se vê, não se trata sempre de perseguir o catolicismo como catolicismo, mas sim de impugnar expressões do genuíno cristianismo. A Moral católica é um dos pontos mais visados por recusar o aborto, a eutanásia direta, os "casamentos gays", a manipulação de embriões... A Igreja aceita ser assim perseguida por fidelidade a Cristo. A instituição AIQS procura minorar os efeitos da perseguição no plano material como também no espiritual. É excitada a solidariedade de todos os cristãos.

2. Na China

A China conta 1.300.000.000 de habitantes, dos quais 20% professam a antiga religião chinesa, 9% são budistas, 1% é de muçulmanos e ainda 1 % é de católicos. A Igreja na China está dividida em Igreja patriótica, controlada pelo Governo e impedida de ter contato com a Santa Sé, e Igreja Católica Romana. Deve-se contar um total de 10 a 15 milhões de católicos, dos quais 4 ou 5 milhões dependem da Igreja Patriótica.
Oficialmente existe na China liberdade religiosa, mas as instituições religiosas devem ser todas registradas, de modo que ficam sob o controle do Partido Comunista. Junto com a Arábia Saudita e a índia, a China é dos países mais hostis à religião católica.
Não é proibida a Bíblia na China, mas só se reconhecem edições da Bíblia produzidas em tipografias chinesas.
Os cidadãos religiosos não têm o direito de se inscrever no Partido Comunista nem de exercer cargos de alta responsabilidade. Os estrangeiros missionários têm raio de ação muito limitado. Os encarceramentos são constantes. Todavia nos últimos tempos têm-se registrado conversações entre Roma e Pequim quanto ao reconhecimento da Igreja oficial; por conseguinte em 2000 estavam presentes a uma audiência geral do Papa em Roma 28 sacerdotes ditos "patrióticos'. Estuda-se o restabelecimento das relações diplomáticas - o que Pequim só aceitará se a Santa Sé renunciar a reconhecer a República de Taiwan (antiga ilha Formosa).
As comunicações internet estão sob o absoluto controle do Estado. As informações de fora custam para penetrar na China.
Em particular diga-se algo sobre os encarceramentos.
Ao menos dois Bispos estão presos: o de Band Ing Mons. Tiago Su Zhimim, e seu auxiliar, Mons. Francisco Na Shuxin, detidos em 1996 e 1997. Aos menos treze outros Bispos estão impedidos de exercer seu ministério. Cerca de vinte sacerdotes estão encarcerados ou desaparecidos sob a acusação de haver celebrado Missa ou pregado um Retiro. A pena mínima para os eclesiásticos é três anos de prisão. A perseguição é ora mais intensa, ora menos de acordo com as regiões. Quanto à Igreja Patriótica, a Santa Sé reconhece mais de três quartos dos 74 Bispos.
Sigamos o calendário dos encarceramentos.
Natal 2004. Em Pequim os fiéis puderam assistir à Missa da meia-noite, mas no interior do país a perseguição se fez sentir. Assim na aldeia de Linjtayuan (província de Zhejiang) a polícia interveio para impedir os preparativos da vigília do Natal; o Pe. João Wang foi detido como clandestino; mas após a partida dos policiais os fiéis entraram na igreja e festejaram o Natal numa comunidade de 2000 pessoas.
As autoridades chinesas parecem mestras em enganar a opinião pública. Assim em julho de 2005 anunciaram a possível reabertura do mosteiro de Nan Chong, mas pela sexta vez em um ano prenderam Mons. Zhiguo, bispo de Zhengding.
6 de janeiro 2005. A prisão de Mons. Jia Zhiguo, Bispo desde 1980. Passou vinte anos em cárcere por recusar aderir à Igreja Patriótica.
20 de março de 2005. Encarceramento de Mons. Tiago Lin Xili, com 86 anos de idade.
30 de março de 2005. Encarceramento do Pe. Zhao Kexun, que celebrava a Missa em seu domicílio.
No dia seguinte, foi preso Mons. Yao Xiwanzi, com oitenta anos de idade, por recusar aderir à Igreja Patriótica.
Abril 2005. Encarceramento de dois bispos e um leigo. No dia 27 sete sacerdotes fiéis a Roma são presos, mas libertados em 3 de maio.
10 de maio de 2005. Havia quatro anos que se achava desaparecido Mons. Shi Enxiang, de 83 anos de idade. Pequim afirmou nada saber sobre esse misterioso desaparecimento, mas a Igreja supõe que tenha morrido no cárcere.
17 de maio de 2005. Pequim afirma ser sincera quando fala de relações diplomáticas com a Santa Sé, mas exige que esta rompa com Taiwan.
8 de setembro. Nova tentativa de aproximação diplomática. Roma convidou quatro bispos chineses, dos quais dois pertencentes à Igreja Patriótica para irem a Roma. Os responsáveis da Igreja clandestina se mostram apreensivos e Pequim julga que tal gesto foi uma "falta de respeito".
16 de setembro. É recusado o passaporte a uma delegação do Conselho Cristão que devia ir a Roma para participar de Colóquio Ecumênico cuja temática seria a China.
Outubro. Mesma recusa aos Bispos que deviam participar do Sínodo Mundial dos Bispos. Pequim não esclarece o porquê da recusa.
18 de novembro. Encarceramento e espancamento de seis sacerdotes clandestinos.
16 de novembro. Em Xiam, dezesseis religiosas franciscanas que tentavam impedir a destruição de uma escola existente num terreno confiscado à Igreja foram espancadas por homens uniformizados, devendo algumas delas ser hospitalizadas.
16 de dezembro. Cerca de trinta homens enfrentam e atacam uns cinqüenta católicos (sacerdotes e leigos) que tentavam defender o título de propriedade da Igreja Católica sobre determinado bem imobiliário.

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3. Egito: um Islamismo violento

O Egito conta 75 milhões de habitantes, dos quais 85% são muçulmanos e cerca de 15% cristãos, cuja maioria é de coptas (separados de Roma)1.
A Constituição do país garante igualdade de direitos a todos os cidadãos independentemente das suas crenças religiosas. Na realidade, porém, a situação é diferente.
Os cristãos são tratados como cidadãos de segunda categoria; quem se converte ao Cristianismo é muitas vezes processado como traidor. Aos cristãos não é possível chegar a postos de alta responsabilidade administrativa.
A visita de João Paulo II em 2002 contribuiu para aliviar as tensões, mas isto foi de curta duração. Há grupos muçulmanos ativistas (os irmãos muçulmanos) que se impõem ao próprio Estado: as autoridades governamentais se intimidam diante desses extremistas, pois não querem parecer traidoras.
Em conseqüência é proibida a construção de igrejas mesmo no Alto Egito, onde reside bom número de cristãos. Caso venha a existir um imóvel cristão, é imediatamente construída uma mesquita ao lado, cujo minareto deve sempre ser mais alto do que último andar do local cristão. Muitas (dezenas ou centenas) mulheres ocidentais cristãs são guardadas em semi-liberdade; foram para o Egito a fim de se casar com "o príncipe egípcio encantado", mas vêem-se encerradas em casa, sem documentos de identidade e sob vigilância da guarda.
Mais graves são o rapto e o estupro de jovens cristãs de menor idade, obrigadas por força a se casar com muçulmanos. As autoridades conscientes, nada fazem em contrário. Tal política é suficiente para afugentar os cristãos do Egito. Em suma, a sociedade muçulmana é controlada por uma espécie de "polícia religiosa", que denuncia todo infrator por ocasião do Ramada.
Eis algumas datas mais notáveis:
Maio de 2005. No Cairo, um cristão recém-convertido foi enviado a um hospital psiquiátrico por seus familiares. Prometeram-lhe a liberdade caso voltasse ao Islã. Foi libertado no dia 9 de junho.
21 de setembro. Por não usarem o véu, três jovens estudantes cristãs foram apunhaladas nas costas por islâmicos extremistas no recinto mesmo da Faculdade de El Mina no Alto Egito.
Outubro. Desencadeia-se uma onda de violência contra os cristãos por causa de um DVD que propõe um cristão convertido ao Islã; o chefe lhe pede que vá incendiar igrejas e matar sacerdotes. No dia 19 uma religiosa é apunhalada frente a uma igreja. Cerca de 5000 muçulmanos atiram pedras contra uma igreja em Alexandria. A polícia os dispersa com gases lacrimogêneos. Poucas horas depois em quatro bairros da cidade a celeuma impera. Ao todo, sete prédios são saqueados, inclusive o hospital dos coptas. Pranteia-se a morte de três pessoas, os ferimentos de vinte policiais e a queima de seis carros.

4. Conclusão

Estes tristes feitos são relatados (e muitos outros ainda o poderiam ser) não simplesmente para comover os corações, mas principalmente para suscitar respostas concretas.
Como se vê, no mundo inteiro há irmãos nossos que sofrem heroicamente, ignorados por grande parte da comunidade católica. Importa, pois, que esta reaja. Como?
- pela oração em favor da Igreja que sofre no mundo inteiro: a oração é a alavanca de todas as horas, sempre eficaz;
- o amor à Santa Mãe Igreja levará o fiel católico a procurar atender, na medida do seu possível, às necessidades dos irmãos sofredores, enviando algum donativo à instituição "Ajuda à Igreja que sofre", a qual tem filial em São Paulo (capital):
Rua Carlos Vitor Cocozza, 1459 - Vila Mariana São Paulo - SP CEP 04017-090 Fones: 0800 77 09927 /55xx11 5904-3740 Fax: 55xx11 5573-5005 www.aisbrasil.org.br

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APÊNDICE: SURPRESA
O JORNAL O GLOBO, edição de 11/02/07, p. 12 trazia a seguinte surpreendente notícia:
RELIGIÃO, A ESCOLHA DE 300 MILHÕES NA CHINA
Segundo pesquisa, número de chineses que afirmam professar uma féé3vezes maior que o estimado pelo governo
Gilberto Scofield Jr. Correspondente

PEQUIM. Apesar dos anos de ateísmo comunista e da firme convicção de que, seguindo o pensamento de Karl Marx, "a religião é o ópio do povo", o governo da China descobriu surpreso que a quantidade de chineses que se dizem religiosos é três vezes maior do que as estimativas oficiais. Segundo pesquisa da East China Normal University, de Xangai, nada menos que 300 milhões de chineses com mais de 16 anos possuem hoje uma religião, em contraste com os 100 milhões que o governo de Pequim sempre mencionou como o número de religiosos do país.
O mais interessante é o crescimento do cristianismo, apesar de a China não ter relações com o Vaticano e da forte perseguição aos católicos e protestantes que não seguem as orientações do Partido Comunista.
Pequim sustentava até agora que o número de cristãos era de 16 milhões. Mas a pesquisa mostra que 12% dos chineses são cristãos, ou seja, 40 milhões de pessoas. O estudo, conduzido pelos professores Tong Shijun e Liu Zhongyu, é o primeiro levantamento sério sobre religião no país e foi realizado a pedido do próprio governo da China.
Bem dizia Tertuliano (t 220): "O sangue dos mártires é semente de cristãos" (N.d.R.)

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1 Coptas são os cristãos que em 451 se separaram de Roma por não aceitarem o Concilio de Calcedônia. Hoje estão muito perto do Catolicismo.

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