PERGUNTE E RESPONDEREMOS 518 – agosto 2005

Comunhão dos Santos:

OS IRMÃOS SE APROXIMAM

Nos últimos tempos a imprensa noticiou três fatos de particular importância para o Diálogo Ecumênico. Ei-los tais como chegaram à Redação de PR:

I. TEÓLOGOS ANGLICANOS RECONHECEM A IMACULADA CONCEIÇÃO E A ASSUNÇÃO CORPORAL DE MARIA

Os anglicanos são os cristãos que se separaram da Santa Sé em 1534, porque o Papa Clemente VII não concedeu o divórcio ao rei Henrique VIII da Inglaterra. O monarca declarou-se então Chefe da Igreja na Inglaterra, dando origem à Comunhão Anglicana. A princípio o Anglicanismo tencionava ser apenas um cisma, sem alteração de Credo. Com o tempo, porém, sofreu infiltração protestante, da qual resultaram reservas frente à doutrina mariológica.

Após o Concílio do Vaticano II (1962-1965) constituiu-se uma Comissão de teólogos católicos e anglicanos (ARCIC) destinada a estudar os pontos controvertidos, dissipando eventuais equívocos. Tal Comissão já produziu vários trabalhos importantes, fruto de convergência doutrinária das duas partes. Um dos documentos de maior relevo é a recente "Declaração de Seattle" (cidade onde foi concluída a sua redação em fevereiro 2005), que trata de dois artigos capitais da doutrina mariológica: a Imaculada Conceição e a Assunção corporal de Maria Santíssima. Eis como a FOLHA DE SÃO PAULO transmitiu a notícia em 17/05/05:

«Texto supera divisão cristã sobre Maria

Após anos de discussão sobre Maria, mãe de Jesus, líderes das Igrejas Católica e Anglicana disseram ter concordado que os ensinamentos católicos sobre a Imaculada Conceição e a Assunção de Maria aos céus são consistentes com as interpretações anglicanas da Bíblia. A conclusão está em documento conjunto intitulado "Maria: Graça e Esperança em Cristo", que agora será analisado pelo Vaticano e pela Comunhão Anglicana. Caso o documento seja aceito, terá sido superado um dos maiores obstáculos doutrinais entre anglicanos e católicos. Historicamente, os anglicanos não aceitam esses dogmas alegando que não há referência direta a eles na Bíblia».

A Agência de Informações ZENIT informa que não se trata de um acordo entre as autoridades supremas do Catolicismo e do Anglicanismo, mas de um documento que será estudado oficialmente por ambas as partes em vista de eventual aprovação oficial. - Como quer que seja, o passo foi de grande valor para o diálogo com as Confissões protestantes em geral.

II. A COMUNHÃO DOS SANTOS

(via internet)

Scott Hahn e sua esposa Kimberly eram teólogos protestantes que, estudando a Sagrada Escritura e a doutrina católica, com o fim de combater a Igreja, acabaram não só se convertendo ao Catolicismo como ainda arrastaram consigo vários de seus colegas, que tentavam impedi-los. O casal é autor de - atenção para o trocadilho - "Rome Sweet Home: Our Journey to Catholicism", ou seja: "Roma, aprazível lar. Nosso roteiro para o Catolicismo".

Entre outros, Scott Hahn escreveu o artigo "SANTOS IRMÃOS", que comenta o texto de Hb 11, 1-12, 5, donde deduz a realidade da Comunhão dos Santos. Eis como procede:

O capítulo 11 de Hebreus percorre a galeria dos heróis da fé desde Abel até os Macabeus. O v. 39 encerra este percurso notando:

"E, não obstante, todos eles, se bem que pela fé tenham recebido um bom testemunho, apesar disso não obtiveram a realização da promessa. Pois Deus previa para nós algo de melhor, para que sem nós não chegassem à plena realização".

Assim toda a história é marcada por uma grande expectativa de consumação e plenitude. Em conseqüência escreve Scott Hahn:

"Observe que o autor de Hebreus relembra tudo isto para nos inspirar a seguir o exemplo deles. Isto vai ser uma consideração fundamental para entender a base lógica bíblica para a veneração dos santos. Exemplos heróicos inspiram virtudes heróicas. Vejamos Hebreus 12: "Portanto, também nós, com tal nuvem de testemunhas ao nosso redor, rejeitando todo fardo e pecado que nos envolve, corramos com perseverança para o certame que nos é proposto, com os olhos fixos naquele que é o autor e realizador da fé, Jesus, que, em vez da alegria que lhe foi proposta, suportou a cruz, desprezando a vergonha, e se assentou à direita do trono de Deus".

Todo o quadro em Hebreus 12 é o de uma grande corrida, e quem está na multidão? Todos os santos. E o que eles compõem? Versículo 1: “uma nuvem de testemunhas".

Todavia, se os santos não sabem o que nós estamos fazendo, e nós não temos idéia do que eles estão experimentando, ou seja, se não temos contato ou comunicação, este tipo de descrição é apenas uma metáfora fraca e estranha. Mas não é este o caso. Outra é a realidade espiritual compreendida com os olhos da fé, os olhos que estão abertos para as verdades desta grande declaração do Credo: "Creio na comunhão dos Santos".

E como é que se pode ter comunhão com pessoas com as quais não se tem comunicação? Como se pode estar em comunhão com pessoas com as quais nada partilhamos em termos de experiência diária? Eu não estou dizendo que Nosso Senhor nos mandou ter conversações diárias. Certo, algumas pessoas são dotadas de revelações místicas. Mas sempre que alguém disser: "Bem, você está se comunicando com os mortos e isto é pecado julgado pelo Antigo e pelo Novo Testamento porque é divinização... feitiçaria ou sei lá o quê", você responde: "Eles não estão mortos. Eles estão mais vivos do que nós. Benditos aqueles que morreram no Senhor". Por quê? Porque suas obras os acompanham ao céu. Os santos do Antigo Testamento tiveram que esperar pelo Messias, mas esta espera já passou. Aqueles santos martirizados estão com Nosso Senhor e com uma multidão, e eles torcem por nós.

A veneração dos santos não transgride a situação de Cristo nosso único mediador

Quero que vocês saibam que os santos não são uma rota alternativa para se chegar até Deus. O fato é que existe um único mediador entre Deus e o homem, que é o homem Jesus Cristo. Paulo não poderia ter deixado isto mais claro: "Há um só mediador entre Deus e os homens, um homem, Cristo Jesus". Mas, católicos ou não, se alguém vos pedir que rezeis por eles, que intercedais por eles a Deus, sairás por aí, dizendo: "Como se atreve a debilitar a única mediação de Jesus Cristo, o único Sumo Sacerdote?" Claro que não. Por quê? Porque diz Paulo nos primeiros quatro versículos anteriores a 1Tm 2, 5: "Eu recomendo, pois antes de tudo, que se façam pedidos, orações, súplicas e ações de graças, por todos os homens".

Nós imitamos Cristo. Então, se O vemos honrando aqueles que morreram pela verdade, aqueles que professaram a fé com muito sofrimento, nós fazemos aquilo que Cristo faz e glorificamos aqueles que Ele glorifica. Aqueles que Ele bendiz, nós bendizemos.

Esclarecendo: a Teologia ensina que o próprio Cristo quer dar aos homens a graça de compartilhar a sua intercessão.

Scott Hahn se revela um sábio mestre.

III. LUTERANOS FINLANDENSES QUEREM FAZER PARTE DA IGREJA CATÓLICA

"Os luteranos finlandeses querem fazer parte da Igreja Católica de Cristo", afirmou o bispo luterano de Helsinki, o reverendo Eero Huovinen, esta quarta-feira, 25/05/05 no Congresso Eucarístico Nacional italiano que se desenvolve em Bari. O representante dessa confissão cristã reformada interveio na Jornada dedicada ao ecumenismo pelo Congresso Eucarístico, que o Papa Bento XVI encerrará este domingo, 29/05.

Após explicar que Martinho Lutero não queria fundar uma nova Igreja, mas simplesmente renová-la, o reverendo reconheceu: "Nós, os luteranos finlandeses, desejamos formar parte da Igreja Católica de Cristo".

O bispo luterano de Helsinki explicou que, junto aos católicos e outros cristãos luteranos, celebrou em 2005 os 850 anos da Igreja Católica na Finlândia, que representa 84% da população do país.

"Junto às irmãs e aos irmãos católicos, rezamos para poder ser uma só coisa em Cristo", sublinhou Huovinen.

Dado que o tema do Congresso Eucarístico é o Domingo, o reverendo afirmou que "sem o sacramento da santa Eucaristia, sem Cristo e sem Deus", não se pode viver.

De fato, recordou, Deus não só criou o domingo para que os homens descansem, mas para a santificação, como recorda o terceiro mandamento.

"O domingo é o dia da ressurreição de Cristo e a Eucaristia é o sacramento da presença real de Cristo", sublinhou Huovinen.

"A unidade não se realiza sem a verdade e o único caminho é a verdade e a caridade", afirmou.

"Desde o fundo de meu coração, concluiu o bispo luterano, quero antecipar o dia no qual luteranos e católicos, juntos, possam unir-se em uma forma visível".

 

Fonte: Agência Zenit.

Dom Estêvão Bettencourt


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