BíBLIA (2604)'
     ||  Início  ->  
Artigo

PRIMEIRA EPÍSTOLA DE SÃO PEDRO


Das muitas alusões aos sofrimentos a que eram submetidos os cristãos, pode-se deduzir que esta Epístola foi escrita em tempo de perseguição, com o fito de confortar os fiéis e incitá-los a permanecerem firmes na fé. A esta, que é a principal finalidade da epístola, juntam-se muitas recomendações e exortações a uma vida santa, digna da condição de cristãos.

Introdução (1,1-12): Saudações (1, 1-2) e louvor a Deus pelas grandezas da fé e da salvação cristã (1,3-12).

I parte: exortação geral a uma vida santa, digna da condição de cristãos (1,13,2,10), e em particular à caridade fraterna (1,22-25).

II parte: como proceder com relação aos pagãos, especialmente para com os perseguidores (2,11-4,6): às autoridades (2,11-17); aos patrões (2.18-25); ao cônjuge (3,1,17); ao próximo em geral (3,8--12); paciência, nas perseguições (3,13--22); fuga dos vícios peculiares aos gentios (4,1-6).

III parte: vida interna da comunidade em vista do juízo divino (4,7-5,11): amor e auxílio mútuo (4,7-11); coragem nas perseguições (4,12-19); deveres do presbítero para com os fiéis e vice-versa (5,1-7); vigilância para todos (5,8-11).

Conclusão: saudações e votos (5. 12-14).

Como destinatários da Epístola são indicados, no cabeçalho, os fiéis dispersos nas regiões situadas no centro e ao norte da Ásia Menor e convertidos da gentilidade, em grande parte por obra de S. Paulo. Os cristãos eram aí mais numerosos do que em outros lugares e tinham mais que sofrer, tanto da parte do povo como dos magistrados pagãos. Os vários indícios convergem para os tempos que precederam ou se seguiram imediatamente à perseguição de Nero, isto é, por volta do ano 64 d. C.

O autor da epístola é, sem dúvida, S. Pedro, o príncipe dos apóstolos, que então se encontrava em Roma, e daí (cf. 5,13) escreveu aos longínquos fiéis da Ásia, embora não tenham sido convertidos por ele (2Pdr 3,2), servindo-se de Silvano (cf. 5,12), como escrivão, e talvez também como redator da epístola, notável não só pela força do pensamento, como também porque exarada em excelente grego.

Desde que se formou o cânon escriturístico do Novo Testamento, a presente Epístola foi incluída nele. Nenhuma dúvida, portanto, foi levantada contra a sua divina inspiração e conseqüente canonicidade. O mesmo se deve dizer a respeito da sua autenticidade, isto ê,,se teve como autor Pedro, cujo nome figura no seu cabeçalho. Não se opõe, a tal autenticidade, o concurso subsidiário de um amanuense ou redator, como foi mencionado acima com relação a Silvano.

Serve, ao invés, para confirmar tal autenticidade o confronto desta epístola com os discursos de S. Pedro, relatados nos At 2,14-36;3,12-26; 10,34-42. A doutrina é a mesma, idênticos são os conceitos, expressos até mesmo em raras e características locuções, sobre a pessoa de Jesus, a sua obra redentora, o seu soberano poder e a universalidade da salvação que ele veio trazer à terra. O autor da Epístola haure da fonte dos seus conhecimentos pessoais. Alguém notou que nela se encontram mais reminiscências dos Evangelhos, do que em todas as epístolas paulinas juntas. A nossa tem de comum tão somente a noção das ordens angélicas dos principados e potestades (3,22), mas, ao que parece, sem dependência direta. (cf. Col 1,16-17).


Pergunte e Responderemos
Como você se sente ao ler este artigo?
Feliz Informado Inspirado Triste Mal-humorado Bizarro Ri muito Resultado
6 0
PUBLICAR - COMENTAR - EMAIL -  FACEBOOK 

:-)