BíBLIA (3131)'
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EPÍSTOLA DE SÃO TIAGO

A Epístola de Tiago distingue-se entre todas as outras epístolas apostólicas por três características: 1° Sendo essencialmente moral, tem pouco de especificamente cristão e, pelo conteúdo e pela forma, marca como que a passagem do Antigo para o Novo Testamento. 2° Manuseia, porém, a língua grega com raro bom gosto e mestria. 3? De estilo epistolar, tem quase somente a saudação inicial; falta-lhe a conclusão e na maior parte usa de um tom exortativo semelhante ao dos livros sapienciais, especialmente os Provérbios e o Eclesiástico.

Como para estes livros, também da Epístola presente não se deve pretender uma ordem rigorosa. As reflexões ou lições morais sucedem-se como lhas sugeria ao autor o seu zelo impetuoso. Podem-se, todavia, reduzir a três argumentos gerais: a verdadeira alegria (1,2-25), a verdadeira religião (1,26-3,12), a verdadeira sabedoria (3,13-5,12). Fecham--nas algumas recomendações para com o próximo. Dividi-la-emos, pois, em três partes e um apêndice.

I parte: A verdadeira alegria consiste em suportar as tribulações e tentações

(1,2-8.12-18), a pobreza (1,9-11), e na prática do bem (1,19-25).

II parte: A verdadeira religião consiste concretamente em evitar a ambição mundana (2,1-13); nas boas obras (2, 14-26); em refrear a língua (3,1-12).

III parte: A verdadeira sabedoria consiste em refrear as paixões (3,13-4, 12); em desprezar as riquezas (4,14-5, 6); na paciência (5,7-12).

Apêndice: Ministério de assistência aos enfermos (5,13-15), de oração (5, 16-18), de correção fraterna (5,19-20).

Tanto do endereço (1,1) como do conteúdo, pejado de frases e de idéias do Antigo Testamento, transparece de modo claro que a epístola é dirigida aos judeu-cristãos disseminados entre as populações de língua grega.

O autor, que a si mesmo se denomina (1,1) "Tiago, servo de Deus e de nosso Senhor Jesus Cristo" e que evidentemente goza de autoridade no seio da comunidade israelita, ê com toda a probabilidade o mesmo Tiago que conhecemos através dos Atos e das epístolas de S. Paulo, distinto do apóstolo homônimo, filho de Zebedeu (At 12,2;17), e personagem influente da cristandade de Jerusalém (ibid., 15,13; Gál 2,9). Ê também "irmão do Senhor" (Gál 1,19), isto é, primo de Jesus Cristo (cf. Mt 12,46-49, nota). Pela história eclesiástica, sabemos que foi bispo de Jerusalém (Eusébio, Hist. Ecl., II, 1,2-3) e que foi morto pelos judeus, por ódio contra a fé, no ano 62 (Flávio Josefo, Antigüidades, XX, 9,1; Hegesipo, apud. Eusébio, Hist. Ecl., II, 23).

Questão bem distinta e de solução menos fácil, mas também de menor importância para o estudo da nossa epístola, é a de determinar se o seu autor deve ser identificado com aquele "Tiago, filho de Alfeu", que em todas as listas dos doze apóstolos do Senhor (Mt 10,3 e paralelos; At 1,13) é colocado em nono lugar. A maior parte dos exegetas católicos toma partido por essa identificação.

No entanto, no mencionado ano do martírio do nosso autor, temos a época mais recente em que se pode colocar a composição da epístola. Mas o caráter arcaico que frisamos e a ausência de qualquer alusão à questão agitada no Concílio de Jerusalém, no ano 50 (At 15,1-29), aconselham-nos a remontar a uma época bem anterior, mais ou menos ao ano 48 ou 49. Seria, portanto, esta Epístola um dos primeiros escritos canônicos do Novo Testamento. A dificuldade mais forte que se costuma opor a data tão remota, — isto é, a de que o passo de 2,14-26 seja uma polêmica direta contra uma falsa interpretação da doutrina exarada por S. Paulo em Rom 4,2-5 e que, portanto, a epístola de Tiago é posterior à Epístola aos Romanos (escrita no ano 57 aproximadamente), — repousa sobre um confronto superficial e sobre uma compreensão inexata dos dois textos.

 


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