BíBLIA (2911)'
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Artigo

EPÍSTOLA AOS FILIPENSES

S. Paulo levou a luz do Evangelho a Filipos na sua segunda viagem missionária (anos 50-53). Depois de ter confirmado na fé as Igrejas fundadas na sua primeira missão, Paulo nutria o desejo de passar para a Bitínia, juntamente com Silas e Timóteo; mas uma revelação divina conduziu-o a Trôade, onde, em visão, lhe foi mostrado um macedônio implorando o seu auxílio (At 16,9). Deus chamava-o a um novo e vasto campo de apostolado no continente europeu.

Aportou em Neápolis, hoje Kavala, de onde seguiu para Filipos, acompanhado pelos seus colaboradores, aos quais se unira também Lucas (At 16,10). Este último, testemunha ocular, narrados com cores vivas a pregação apostólica, os frutos das conversões, os incidentes extraordinários ocorridos, a prisão de Paulo e Silas, seus sofrimentos e a libertação milagrosa.

A Igreja de Filipos perseverou sempre firme na fé afeiçoada a Paulo, e ocupou o primeiro lugar no seu coração de pai. Visitou-a outras vezes, mais provavelmente quando, depois dos tumultos de Éfeso, passou para a Macedônia com destino à Grécia e, depois, no seu retorno (At 20,1-6), e quase certamente após a sua primeira prisão em Roma (1Tim 1,3). Paulo, que jamais aceitou ajuda das outras Igrejas, abriu uma exceção para a Igreja de Filipos, aceitando suas ofertas (4,16; 2Cor 11, 8-9). Assim quiseram proceder os Filipenses quando tiveram notícia de que o Apóstolo se encontrava preso por Cristo, e lhe envia um representante, Epafrodito, para levar-lhe os seus presentes e assisti-lo no cárcere. Recuperando-se Epafrodito de uma grave enfermidade e devendo retornar a Filipos, Paulo fê-lo portador de uma carta para essa comunidade cristã.

Essa Carta aos Filipenses foge ao ciclo das demais cartas paulinas e possui uma fisionomia inconfundível. Nela, Paulo não é tanto o doutor e o mestre, quanto o pai, a entreter-se afavelmente com seus caros neófitos; comunica-lhes suas notícias, exorta-os à virtude, propondo-lhes o exemplo de Jesus Cristo, previne-os contra os falsos irmãos e agradece-lhes a afetuosa generosidade. É a leitura da alegria cristã a transbordar do coração de Paulo prisioneiro, desejoso de transfundi-la no coração dos seus cristãos.

A autenticidade da Carta aos Filipenses é hoje admitida pela totalidade dos críticos, comprovada por todos os testemunhos extrínsecos e, acima de tudo, pelos caracteres paulinos intrínsecos, in-controvertíveis, que tornam impossível a hipótese de uma falsificação.

Foi escrita durante a primeira prisão romana, conforme a opinião tradicional, e inexistem razões plausíveis para afastar-se dela a fim de atribuí-la a uma suposta prisão em Éfeso. As alusões ao "pretório" (1,14) e à "casa de César" (4,22) entendem-se perfeitamente dentro da opinião tradicional. De resto (e isso parece decisivo), os Atos, que se estendem amplamente sobre os acontecimentos de Éfeso, não aludem sequer longinquamente à pretensa prisão de Paulo, que, ademais, deveria ter sido prolongada, como se depreende da nossa carta.

Filipenses tem grande valor apologético, levando-nos a apalpar o poder transcendente da mensagem de Cristo, anunciada pelos apóstolos, que em tão breve tempo transformou aqueles pagãos e os uniu a Cristo e entre si com um vínculo indissolúvel de caridade; leva-nos a conhecer o fervor daquela comunidade, que tem por fundamento a fé em Cristo Jesus e por norma constante de vida os seus ensinamentos e os seus exemplos.


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