BíBLIA (3933)'
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Artigo

PRIMEIRA EPÍSTOLA AOS CORÍNTIOS

Como hábil general, o Apóstolo procura os pontos mais estratégicos de onde, como de centros, se pudesse irradiar a luz do Evangelho. Por isso, na sua segunda viagem missionária deixa Atenas, onde a vã e soberba sabedoria humana era refratária à pregação do cristianismo, e parte para Corinto.

Corinto era a capital da província romana da Acaia. Isso devido à sua admirável posição, dominadora de dois mares, às letras e às artes, e sobretudo ao comércio e às riquezas que para lá afluíram da Itália e da Ásia. Era cidade muito florescente e importantíssima, freqüentada, especialmente por causa do comércio, por gente de todos os países, de todas as raças e de todas as camadas sociais. Havia também numerosos judeus que tinham aí também, como em outras cidades, pelo menos uma sinagoga. Corinto era proverbialmente conhecida por sua corrupção moral. Na Acro corinto, ao lado do culto de Isis e de Serápis, praticava-se o culto de Vênus Afrodite, que tinha aí o seu templo. Mil jovens sacerdotisas, cortesãs complacentes, eram adidas ao serviço da deusa do prazer.

No meio dessa grande população tão variada, constituída sobretudo de escravos e da plebe, Paulo deu início à sua pregação, como costumava fazer, na sinagoga dos judeus, mas entrando em graves dissensões com eles, dirigiu-se aos gentios (At 18,6). Sua pregação foi coroada de grande êxito.

Na terceira viagem missionária, o Apóstolo fixou sua residência particularmente em Éfeso, capital da província romana da Ásia. Mas, como um pai solícito pelas comunidades cristãs que fundara, mantinha-se sempre informado a respeito do seu estado, procurando ir ao encontro das suas dificuldades e mantê-las no fervor primitivo. Haviam surgido divisões entre os cristãos de Corinto: partidos mais inclinados a um do que a outro pregador do Evangelho.

Entretanto, uma delegação da mesma comunidade de Corinto, composta de Estéfanas, Fortunato e Acaio, foi a Éfeso, a fim de pedir a Paulo a solução de vários casos de consciência (cf. 16,17, nota).

Foi esse conjunto de circunstâncias que motivou a primeira Epístola aos coríntios.

Nela Paulo trata dos mais variados argumentos, começando, na primeira parte, por corrigir os abusos, para, na segunda, responder aos quesitos que lhe foram propostos. Mas como sempre costuma fazer, eleva-se de questões particulares a princípios e motivos gerais e sublimes, aos fundamentos da religião, ou melhor, pode-se dizer que une quase todas as questões, embora tão disparatadas, com o fio de ouro da doutrina do corpo místico, do qual Jesus é a cabeça e os cristãos são os membros.

A esta epístola conferem um interesse todo particular as preciosas notícias que nos oferece acerca da vida da Igreja apostólica a respeito da celebração do ágape e dos mistérios sagrados e a respeito dos dons carismáticos. Foi escrita em Éfeso, pouco depois das festas pascais (5,7), na primavera do ano 56, ou mais provavelmente do ano 57, poucos meses antes de o Apóstolo deixar a cidade (cf. 16,8).

Sumário

Saudação augurai (1,1-3) e agradecimento a Deus pelos benefícios que lhes concedeu (1,4-9).

I parte - reprovação dos abusos (1, 10-6,20).

1. Partidos que se formaram com relação aos diversos pregadores do Evangelho (1,10-17). Paulo pregou a doutrina da cruz com simplicidade, em oposição à sabedoria humana, que é contrária à sabedoria divina (1,18-2,11); ele a anuncia aos perfeitos e aos espirituais, e não aos carnais (2,12-3,4). Os pregadores são colaboradores de Deus, dispensadores dos seus mistérios, sujeitos ao juízo divino (3,5-4,5). Exorta a corresponder generosamente às fadigas dos apóstolos e ao afeto paterno dele, Paulo (4,6-13), e anuncia o envio de Timóteo e a sua própria ida (4,14-21).

2. A tolerância para com o incestuoso: censura por esse procedimento e excomunhão do escandaloso (5,1-8); como proceder com os pecadores públicos (5,9-13).

3. Os litígios entre os cristãos e o recurso aos tribunais pagãos (6,1-11).

4. O vício impuro (6,12-20).

II parte - resposta â diversas questões (cc.7-15).

1.  Matrimônio e celibato: legitimidade do matrimônio e direitos dos esposos (7,1-11); indissolubilidade do vínculo conjugal (7,1-14); caso de dissolução (7,15-17); circuncisão e escravidão (7,18-24); virgindade e viuvez (7,25-40).

2.  As carnes imoladas aos ídolos: normas a serem seguidas, tendo-se em conta os fracos na fé, para evitar todo o escândalo (c. 8); é preciso saber renunciar às coisas lícitas, às quais se tem direito (c. 9), e evitar atos idolátricos (10,1-13); casos práticos (10,14-11,1).

3.  Ordem nas assembléias litúrgicas: as mulheres usem o véu (11,2-16); abusos a se evitarem na celebração do ágape e dos mistérios sagrados (11,17-22); a instituição da eucaristia (11,23-34).

4.  Os carismas e seu uso: noções gerais sobre os carismas (12,1-30); a caridade é superior a eles (12,31-13,13); deve-se preferir o dom da profecia ao da glossolalia (14,1-25); regras que se devem seguir (14,26-40).

5.  A ressurreição dos mortos: certeza da ressurreição de Cristo, à qual está ligada indissoluvelmente a nossa ressurreição (15,1-34); o modo da ressurreição explicado com analogias tomadas das coisas materiais (15,35-49); a transformação dos corpos não é só possível, mas necessária (15,50-58).

Epílogo: o Apóstolo lembra a coleta pelos pobres de Jerusalém (16,1-4); anuncia seu projeto de uma viagem à Macedônia e à Grécia (16,5-12); recomendações particulares (16,13-18); saudações (16,19-20); assinatura autografa e votos (16,21-24).

 


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