REVISTA PeR (2984)'
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Artigo

PERGUNTE E RESPONDEREMOS 344 – janeiro 1991

Testemunhos impressionantes:

Vitimas da Pornografia

Em síntese: As páginas subseqüentes apresentam quatro depoimentos de homens e mulheres norte-americanos a respeito da violência criminal decorrente do uso da pornografia nos Estados Unidos. Esta tende a escravizar e bestializar o ser humano, principalmente o masculino, levando-o a praticar todo tipo de torpeza com a mulher: "Te amarei até te matar" é o título de um filme norte-americano posto em cartaz no Brasil.

As mulheres vítimas da pornografia se queixam da conivência da Polícia e da inércia das autoridades governamentais. Aliás, a Indústria pornográfica é sustentada não só pela cobiça do prazer cego e anti-humano, mas também pela perspectiva do lucro financeiro; a indústria rende US$ 8 bilhões por ano nos Estados Unidos! — Daí a urgência de que a opinião pública desperte para os graves males oriundos da pornografia e exija dos meios de comunicação social, especialmente das emissoras de televisão, mais respeito aos indivíduos e às famílias do Brasil. Ao Governo toca, sem demora, tomar providências eficazes.

 

A opinião pública no Brasil está muito impressionada pela violência que ocorre em assaltos, sequestros, homicídios. . . Mas pouco se importa com a pornografia que, na verdade, está muito ligada à violência, como estímulo à mesma. A associação de pornografia e violência foi experimentada e documentada nos Estados Unidos: neste país as vítimas da pornografia têm sido tão numerosas que foram chamadas a depor perante a US. Attorney General's Commission on Pornography (1) nos anos de 1985 e 1986. Esses testemunhos foram reunidos e publicados em dois volumes, num total de 1957 páginas. Desses dois volumes a Sra. Phyllis Schiafly fez um excerto intitulado Pornography Victims, editado por Crossway Books, Westchester, Illinois, First Printing 1987, obra de 282 páginas.

(1) Comissão do Departamento de Justiça do Governo Federal norte-americano relativa à Pornografia.

 

A Sra. Dra. Phyllis Schlafly é portadora de doutorado em Direito pela Universidade de Washington, Presidente do Eagle Forum, uma organização pró-Família, e membro da Comissão do Bicentenário da Constituição dos Estados Unidos (por nomeação do Presidente Reagan). Em 1977 foi apontada pelo Good Housekeeping como uma das dez mais admiradas mulheres do mundo.

Extrairemos de tal livro quatro depoimentos dos mais significativos. De antemão saiba o leitor: esses testemunhos relatam os fatos de maneira muito crua e realista, podendo mesmo chocar pessoas impressionáveis. Todavia, como diz Ingrid Horton à p. 79, o dever de dizer a verdade para evitar que as vítimas se multipliquem, levou as pessoas a narrar detidamente as peripécias violentas a que foram submetidas por causa da pornografia. É unicamente o amor à verdade e ao desmascaramento de uma trama perversa que nos leva a reproduzir os relatos mais crus neste fascículo de PR.

Segundo a mesma Sra. Ingrid Horton, "pornografia são fotografias ou escritos que relatam comportamento erótico no intuito de provocar excitação sexual" (p. 73).

1. Testemunhos

1.1. Depoimento de Mary Steinman (Chicago 25/07/85)

"Nasci em Omaha, Nebraska. Fui vítima de abuso sexual em minha própria família no lar, quando tinha três anos de idade. Meu pai trouxe uma mala cheia de fotografias e revistas pornográficas. Desde os primeiros anos, ele me ensinou a praticar sexo oral com ele. Ele me pendurava de cabeça para baixo num cubículo e empurrava chaves de parafuso para dentro de mim. Às vezes ele as aquecia antes de as usar.

Ele revia as suas fotografias pornográficas quase todos os dias, a fim de colher inspiração para o que haveria de fazer comigo ou com uma de minhas irmãs. Ele me amarrava as mãos e os pés e me tapava a boca para ensinar-me que menina grande não grita. Dizia-me que eu era muito feliz por ter tal pai, que me ensinava os fatos da vida.

Muitas das fotografias que ele tinha, eram de mulheres reduzidas à escravidão, com mãos e pés amarrados e a boca tapada. Lembro-me da fotografia de uma mulher que tinha uma corrente em torno do pescoço, as mãos e os pés amarrados respectivamente à cabeceira e aos pés de uma cama. Algumas das fotografias mostravam adultos a fazer sexo com crianças e crianças a fazer sexo com crianças. Tinha também um monte de fotografias apresentando sexo em grupo.

Meu pai colocava um cavalete junto à cama; pendurava-lhe uma fotografia e, como um professor, dizia-me: 'Eis o que vais aprender hoje'. A seguir, ele praticava comigo o que a imagem ensinava. Quando eu tinha quatro anos de idade, meu pai me alugou a outras pessoas para que praticassem sexo comigo.

Comigo ia também uma parte de sua coleção pornográfica, cujo aluguel estava incluído no preço do contrato e que lhe devia ser restituída. Este abuso continuou até os meus quatorze anos de idade.

Não tive infância. . . Eu não era senão instrumento de pornografia para uso de meu pai. . . Por causa destes abusos, hoje sou radicalmente contrária à pornografia e, por causa da pornografia, não tenho prazer no sexo. A palavra amor me é extremamente dolorosa. Meu pai dizia que me amava, e o seu amor me feria.

Apareci em numerosos programas de rádio e televisão, tanto nacionais como locais, a fim de ajudar outras vítimas infantis de abusos sexuais e para informar o público a respeito dos perigos do uso da pornografia.

Viajei por todo este país. Encontrei muitas vítimas de abusos sexuais em idade infantil, e verifiquei que em todos esses casos, como no meu caso, o uso da pornografia foi um denominador comum. . . Julgo que ela deveria ser abolida. Se a pornografia é inofensiva, então eu e os milhões de outras crianças vítimas de abusos no país somos culpadas da onda de erotismo que existe naqueles que abusaram de nós. Mas nós não somos culpadas; a pornografia é culpada, e nós, como crianças, somos os objetos inocentes da cobiça transviada de adultos. Não existe pornografia inofensiva, como não é inofensivo o abuso de crianças, o rapto e o assalto sexual. A pornografia cria um círculo vicioso de geração a geração".

 

1.2. Testemunho de Sara Winter (Washington D. C, 19/06/85)

"Eu fui obrigada a praticar a prostituição desde os treze anos de idade. Fui uma das muitas moças que fugiram de casa na década de 1960. Minha única experiência sexual, antes disso, ocorrera com um menino da minha idade. Eu também fora vítima de abuso sexual aos doze anos. Na primeira noite que passei longe de casa, fui raptada. Na segunda noite fugi da casa aonde os meus raptores me tinham levado. Na terceira noite, estava andando pelas ruas com a mente confusa quando fui colhida por um homem.

Confiei-lhe os meus problemas. Ele quis levar-me consigo. Enquanto permaneci com ele, tratou-me relativamente bem. Era gentil comigo, dava-me alimento e dizia ser solícito para comigo. Mas ele também me deu drogas e tirou fotografias de mim desnuda. Após umas poucas semanas, ele me vendeu a um proxeneta (cáften). Eu não percebi, a princípio, o alcance desse gesto. . . Bob, a quem fui vendida, tentou seduzir-me. Pois que lhe resisti, ele me violentou e me disse que eu havia de trabalhar para ele como prostituta.

Nos primeiros tempos de minha convivência com ele, roubou meus documentos, minhas jóias e minha roupa. Fui repetidamente surrada e violentada. Ele ameaçou minha vida e a vida de minha família. Mais de uma vez ele prometeu contatar minha família e dizer à minha mãe que eu era uma prostituta ou entregar-me às autoridades, que, dizia ele, haveriam de me deixar encarcerada até os vinte e um anos de idade. Ele alegava que o escândalo destruiria a minha família. Eu lhe dava crédito.

Agora reconheço que eu estava profundamente traumatizada por minha falta de liberdade, pela violência e os espancamentos. Ele controlava todos os aspectos da minha conduta. Ele chegou a pintar meus cabelos e a mudar a minha aparência. Eu nunca tinha dinheiro; era ele quem comprava os alimentos que eu comia e as vestes que eu usava. Eu nunca escapava dos olhares dele, a não ser quando eu estava 'trabalhando' e ele estava um pouco à distância.

Esse tipo de cerceamento não é coisa rara. Aconteceu a outras mulheres que eu contatei. . .

Às vezes, quando um proxeneta me levava para um bar, onde outros proxenetas mostravam as suas mulheres, não nos era permitido falar umas com as outras. . . Cada vez que uma mulher falava, era profundamente humilhada e espancada por ter infringido uma regra imaginária de silêncio e porque o seu proxeneta havia definido que ela se comportara mal. Nós éramos entregues de proxeneta a proxeneta. Os proxenetas nos usavam para pagar as dívidas que eles tinham uns com os outros. Nós éramos levadas à força para a rua ou para lugares estratégicos. A mulher que fosse assim levada, tinha a única esperança de que o seu raptor a recolhesse. Quem quisesse fugir, corria o risco de ser colhida por um proxeneta ainda mais brutal.

Era horrível a sorte da mulher que fosse recapturada por seu proxeneta originário; ele a punia de maneira selvagem por ter fugido com um homem, que na verdade a havia raptado. Em várias ocasiões tentei fugir do meu primeiro proxeneta. Mas, como eu era uma adolescente sem recursos, longe da minha família e acreditando que eu era uma grande criminosa, não era difícil ao meu proxeneta levar-me de volta para sua casa. Ele me puxava a força pelas ruas, pelos restaurantes e os táxis, injuriando-me o tempo todo, enquanto eu gritava por socorro. Ninguém queria envolver-se com o problema.

Os homens que me compraram. . . eram figuras salientes no setor dos divertimentos e no nosso Governo. A maioria deles tinha seus cinqüenta, sessenta anos. Tinham filhas e netas da minha idade. . . Era claro que não usava da minha liberdade; era sempre recoberta de feridas e contusões. Os homens julgavam isso repugnante e me admoestavam a respeito. Era cada vez mais claro que eu era sexualmente inexperiente. Eu não sabia o que fazer. Por isto eles recorriam à pornografia para me ensinar o comportamento sexual, e diziam-me que fizesse como as mulheres das fotografias faziam, e usavam-me.

Um dos homens que eu via regularmente, possuía uma vasta coleção de impressos fotográficos para adultos e para crianças.. . Cada vez que meu proxeneta o avistava, ele mostrava fotografias pornográficas de mim e de outra mulher. Ele também fazia vídeotapes dos atos sexuais que se realizavam sob a sua direção. Esta prática se prolongou por um ano na freqüência média de uma vez por semana.

Meu proxeneta me obrigou também a fazer o papel de um macho castrado. Tinha então por clientes uma média de dez a vinte homens. O jogo começava com a exibição de uma série de filmes pornográficos para os homens; depois disso, uma outra mulher e eu tínhamos sexo com esses homens. Isto realizava-se em lugares públicos, salas de diversões, bares. . . Eu era forçada a cumprir contratos, que tinham seu cenário nos grandes hotéis de Nova Iorque, com a participação de centenas de profissionais liberais, doutores, juristas. .. Os filmes que eram previamente exibidos, davam o estilo e a modalidade dos atos sexuais que nós havíamos de realizar, minha companheira e eu..

Havia um apartamento na parte ocidental de Nova Iorque para o qual eu era enviada freqüentemente. Lá havia geralmente dois ou três homens. Depois que eu fazia sexo com eles, eles me fotografavam em várias posições pornográficas. Como eu era uma menina, eu não os chamava pornografistas, mas me referia a eles como fotógrafos.

Somente quando me tornei adulta e lancei um olhar retrospectivo, tomei consciência de que o apartamento onde havia aquela cama e o aparato fotográfico respectivo, era um recinto de produção pornográfica ilegal.

Em certa ocasião, uma outra menina e eu fomos levadas a um apartamento em New Jersey para encontrar-nos com alguns homens. Disseram-nos que eram verdadeiros gângsteres e que devíamos ser gentis para com eles. Quando chegamos, fomos levadas a um quarto onde havia um conjunto de luzes e o equipamento para filmar. Mandaram-nos realizar uma cena de lesbianismo. Após quinze minutos, deram-nos ordem de vestir-nos e fomos devolvidas a Nova Iorque. Foi somente mais tarde que eu tomei consciência de que fora usada na confecção de um filme comercial.

Muita gente pensa que mulheres e meninas como eu, usadas pela pornografia, consentimos nessa humilhação e nesses abusos; mas só há consentimento se há liberdade de escolha; eu, porém, era escrava de um proxeneta. Não creio que possa haver consentimento da parte de uma menina entregue às mãos de figuras do crime em New Jersey a altas horas da noite. — Talvez alguém pergunte por que é que eu não recorria à Polícia pedindo ajuda. Na verdade, eu não teria que me deslocar para ir ao Distrito Policial do meu quarteirão; os policiais estavam no meu apartamento todas as semanas para pagar o aluguel da minha pessoa.

Quando eu tinha dezesseis anos, fui enviada pelo Juizado para a Prisão Juvenil. Esse encarceramento equivaleu a um pesadelo de abusos sexuais nas mãos dos funcionários exploradores. Uma jovem queixou-se dos abusos aos seus pais no dia da visita. Na noite seguinte, deram-lhe um castigo exemplar; ouvíamos seus gritos e gemidos a noite inteira. A versão oficial, na manhã seguinte, relatava que ela tentara fugir, fora capturada e levada para o isolamento.

Pouco depois, fui transferida para um lugar de diversões. Quando avistei uma oportunidade, fugi. Mas era claro para mim que o Serviço Social da comunidade não estava preparado para me proteger, e as autoridades não somente não me protegeriam, mas até me explorariam. Não havia meio de me desvencilhar da prostituição.

Meu último proxeneta era um pornografista, o mais brutal de todos. Ele dominava três meninas ou mulheres constantemente. Todas as noites éramos colocadas diante de uma tela sobre a qual eram apresentados filmes pornográficos; ele queria-se excitar dessa maneira. . .

Uma manhã, depois de haver 'trabalhado' a noite inteira, entrei no meu quarto de dormir e vi as paredes recobertas de sangue e uma mulher semiconsciente caída no chão com feridas e contusões. Seus olhos estavam inchados e o sangue lhe corria das pernas. Meu proxeneta a espancara com uma vassoura. Deu-me ordem de tomar conta dela para que não fugisse. Quando ele caiu no sono, eu a deixei fugir. Paguei muito caro por tê-lo feito. Ele me bateu com um chicote de cavalo e violentou-me. Fez um filme recordando o acontecimento e sadicamente o exibia a nós de quando em quando.

A maneira como esse homem conquistava mulheres para a prostituição, era pedir manequins para modelos através dos jornais.. .

Eu escapei da prostituição de maneira totalmente imprevisível e voltei a ser mulher. Enquanto me entreguei à prostituição e à pornografia, tomei drogas; eram-me fornecidas por meu proxeneta e eu as aceitava porque me aliviavam o sofrimento físico e emocional. Visto que eu me destruí pela heroína que consumi, eu já não interessava aos proxenetas para as suas artes; deixaram-me então em liberdade. Assim entre 18 e 19 anos, após cinco anos de prostituição, eu estava sem um vintém, sem casa e viciada pela heroína. Minhas coxas estão permanentemente marcadas pelas repetidas pancadas e chicotadas; como adulta, tomei conhecimento de que contraí doenças venéreas, porque meu proxeneta me forçou à vida sexual desde os treze anos.

Aos vinte anos, consegui libertar-me do hábito da heroína. Poucos anos depois casei-me com meu primeiro marido. Em breve, nosso relacionamento tornou-se um inferno. Era um homem alcoólatra e mau. A minha vida conjugal foi sendo espantosamente semelhante à minha vida na prostituição. . . Ele não era capaz de permanecer no mesmo emprego. . . Entregava-se à ira e me espancava sem piedade. Após os golpes, ele queria sexo.

 

A pornografia estava sempre em nossa casa. . .

Meu marido morreu antes dos 25 anos de idade num acidente automobilístico provocado pela embriaguez. Poucos meses antes, tomei conhecimento de algo que explicava a sua baixa estima de si mesmo, o seu alcoolismo e o seu ávido consumo de pornografia: sim, vi uma fotografia dele, como adolescente, numa exposição de figuras pornográficas...

A lei não leva em consideração mulheres e crianças que foram ofendidas como nós. Os adeptos da pornografia alegam que a Constituição lhes garante o direito de escolher tal material para leitura. Os produtores de pornografia afirmam que a Constituição lhes assegura o direito de ganhar dinheiro com a pornografia.. .

Quero saber quando o Governo dará atenção a mulheres como eu e aos meus direitos civis.. .

Para finalizar, eu quero dizer que a maioria das mulheres que experimentaram o que experimentei não são tão felizes quanto eu. Levei vinte anos para apagar o que foi feito em mim pela pornografia e a prostituição.

Mas ainda existe a pornografia. . . E sei que nada posso fazer contra ela. Vivo consciente de que neste momento os produtores de pornô podem usar esse material para humilhar a mim e à minha família. Sei que pode ser utilizado para prejudicar a minha vida profissional no futuro. Eu sei que esse material é protegido pela lei porque foi produzido poucos meses após os meus dezoito anos de idade. Já que pornografia é uma indústria que rende US$ 8 bilhões por ano, também sei que o que aconteceu a mim, continuará a acontecer a outras meninas e mulheres como eu. Continuarão a ser usadas e ofendidas, como eu fui usada e ofendida pela pornografia; e, se elas tiverem a sorte de escapar como eu, viverão sob a mesma ameaça de denúncia e de chantagem que pesa sobre mim".

1.3. Testemunho de Diann (Chicago, 24/07/85)

"Fui vítima de abuso sexual como adulta por parte de meu marido. Nós nos encontramos em 1978 e nos casamos no fim de 1979. Temos duas filhas na idade de um e quatro anos respectivamente. Eu era obrigada a realizar certas práticas sexuais fantasiosas que meu marido aprendera em muita leitura e em filmes pornográficos. Tinha ele especial interesse pela pornografia sádica e masoquista. Estava sempre disposto a dar-me surras e chicotadas. . .

Eu não tinha consciência de que estava sendo sexualmente explorada. . . Até o dia em que conversei com uma mulher que aconselhava outras mulheres; nunca censurei meu marido, que julgava que eu era uma esposa fria e pouco carinhosa.. .

A meu ver, as relações sexuais não eram saudáveis, mas eu não sábia como controlá-las. Tomei certas informações a respeito de abusos sexuais. E pensava: como poderia eu dizer que meu marido me ofendia, se ele me amava?

A pornografia parecia-me ser como a gasolina no motor. Meu marido fazia dela um instrumento. Ele me mostrava impressos pornográficos a fim de me persuadir de que estaria tudo muito bem se eu aparecesse nas bancas de jornais. Apresentando-me periódicos e o público que os procurava, ele me dava a entender que outras mulheres estavam envolvidas na prática sexual livre. Já que tanta gente era assim participante, por que é que eu não me daria por satisfeita como tantas outras mulheres?

Em conseqüência dessa insistência, eu concebi uma baixa estima de mim mesma. Sentia-me emocionalmente isolada por causa de medo e perplexidade. Eu não podia falar com a família a respeito dessas coisas. Durante certo tempo, os familiares me trataram como se eu estivesse sentindo a depressão posterior ao parto. . . Na verdade, não era depressão desse tipo o que eu sentia; era a reação diante do meu relacionamento sexual anormal.

 

No começo do nosso casamento, meu marido deu-me um ultimato: ou eu havia de satisfazer a todos os seus desejos sexuais fantasiosos ou eu teria freqüentemente relações com ele. Nossa vida sexual pareceu pautar-se pela literatura pornográfica e a fantasia, mais do que pelo amor que deve existir entre um homem e uma mulher.

Eu gostaria de ler um trecho do livro intitulado Strange Loves (Amores Estranhos), que esclarece como eu me sentia vítima do abuso:

'Talvez o amor Identificado com sexo apenas seja a verdadeira e única perversão. É coisa que ofende a nossa natureza de seres humanos.. . A perversão existe, se um dos parceiros julga que o outro é mero instrumento de prazer, ou também se o intercâmbio sexual é imposto na base dos direitos conjugais. Isto vem a ser violência legalizada'.

Esta mensagem é pesada, mas creio que deve ser levada em consideração. Estou certa de que não sou a única mulher vítima de abuses sexuais. Há mais casos estranhos, dada a influência das revistas pornográficas. As mulheres que posam para as revistas, a que ponto se estão degradado!

Nos três primeiros anos do nosso casamento, tínhamos relações sexuais três vezes por semana no mínimo; e, sempre que havia sexo, era precedido pela consideração de revistas".

 

1.4. Testemunho do Dr. Frank Osanka (Chicago, 25/07/1985)

"Sou-lhes muito grato pela oportunidade de partilhar algumas de minhas conclusões referentes ao nexo entre pornografia e criminalidade. Sou Presidente do Behavioral Consurtants em Naperville, Illinois.

O depoimento concerne a Thomas Schiro, que em janeiro de 1982 foi condenado à cadeira elétrica por ter seqüestrado brutalmente e estrangulado mortalmente uma jovem em setembro de 1981.

O primeiro contato de Thomas Schiro com a pornografia deu-se quando tinha menos de oito anos de idade. Descobriu dois dos filmes pornográficos que seu pai recolhera durante a segunda guerra mundial. A exibição de tais filmes motivou-o a masturbar-se e desenvolver nele a necessidade de procurar mais pornografia. Um dos filmes chamava-se Bedtime (Tempo de Cama) e apresentava um homem e uma mulher em várias posturas de relacionamento sexual. O aspecto mais significativo do filme era a descrição do corpo de uma mulher como sexualmente atraente; a câmara, porém, freqüentemente chamava a atenção para a face angustiada dessa mulher. A mensagem que o jovem Schiro deduzia era a de que as mulheres teriam prazer sexual no tratamento descrito. Só mais tarde ele se tornou consciente de que a maioria das mulheres não têm prazer em tal sofrimento e humilhação; mas, na idade de oito anos, ele não o podia averiguar porque cultivava necessidades sádicas de violentar mulheres, fosse em pensamento, fosse em atos.

Poucos anos depois, Schiro se acostumara a roubar ou comprar revistas pornográficas em lojas de drogas ou procurar tal material em depósitos de lixo. Com seus dez anos de idade, ele entrava furtivamente em sessões de filmes drive-in. Schiro acompanhava com a masturbação todas as exibições pornográficas a que assistia. Quando ele raptou e matou sua última vítima, ele se expusera a revistas, livros e filmes pornográficos. Muitos desses documentários incluíam atos de sadismo contra mulheres.

A evolução psicossexual de Schiro regrediu a tal ponto... que ele associava sempre masturbação e consideração de impressos pornográficos".

2. Reflexão final

Vários outros depoimentos se encontram no livro editado por Phyllis Schlafly. Os que transcrevemos já dão uma idéia do que contêm os demais. Deles sejam extraídas algumas linhas-mestras da problemática:

1)  A indústria pornográfica é altamente lucrativa. Rende US$ 8 bilhões por ano nos Estados Unidos. Por isto haverá sempre quem lute por sustentá-la, independentemente do mal que ela cause aos usuários. A cobiça do lucro prevalece sobre os mais nobres interesses ou mesmo sobre a dignidade da pessoa humana; esta se torna menos valiosa do que o dinheiro, aos olhos dos pornografistas.

2)  Há certa hipocrisia da parte dos produtores da pornografia, que a qualificam de inofensiva e a querem ver protegida pelas leis do Estado.

3)  O uso do material pornográfico escraviza e bestializa a pessoa humana, tornando-a sádica, desvairada ou mesmo assassina. Perverte radicalmente o conceito de amor. Não nos surpreende então que esteja sendo exibido nos cinemas do Brasil o filme norte-americano: "Te amarei até te matar". Os depoimentos atrás transcritos comprovam a existência desse tipo de "amor".

4)  Se a população do Brasil está tão revoltada contra os crimes de toda espécie que vêm ocorrendo na sociedade, a ponto de pensar na implantação da pena de morte, deveria dar muito mais atenção a um dos fatores mais provocadores de violência social, que é a indústria pornográfica. Esta se tornou uma escola de autodestruição dos indivíduos, das famílias e do país.

5) É, pois, imprescindível que os meios de comunicação social, entre os quais a televisão ocupa lugar eminente, tomem consciência de sua enorme responsabilidade. — Às autoridades governamentais compete vigiar para que esses poderosos canais deixem de ser tão deletérios como têm sido em nosso país. A vigilância governamental em tal caso nada tem de antidemocrático; é, ao contrário, um serviço de alto valor prestado ao povo brasileiro.

 

A propósito ver PR 341/1990, pp. 443-454.

 

Dom Estêvão Bettencourt


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