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Artigo

PERGUNTE E RESPONDEREMOS 506 – agosto 2004

POR QUE E PARA QUE EXISTO?

 

Em determinados momentos da vida afloram à minha mente certas perguntas de importância fundamental.

A primeira que me interessa é a da razão de ser da minha existência. "Não pedi para nascer". Por que então existo?

- Há quem diga que o mundo e o homem existem por acaso. - Mas, refletindo bem, vejo que o acaso não é um sujeito agente. O acaso supõe causas definidas que produzem um fenômeno imprevisto, ao qual dou o predicado de casual precisamente porque ignoro as suas causas. Por isto dizem sabiamente que acaso é o nome da nossa ignorância.

Na verdade, só posso explicar minha existência como produto de um Criador, que me concebeu em sua mente desde toda a eternidade e me tirou do nada quando o julgou oportuno. É a fé que afirma isto, mostrando-me a harmonia e a beleza do mundo que me cerca. Sou contemplado desde todo o sempre pelo amor de um Ser Supremo, que, sendo o Sumo Bem, é sumamente difusivo de Si.

E para que me criou? Ele não precisa de mim. Para que existo?

- Ele me criou para participar da sua bem-aventurança ou para ver a Beleza Infinita face-a-face ou, ainda, para usufruir "aquilo que o olho jamais viu, o ouvido jamais ouviu e o coração do homem jamais percebeu" (1Cor 2, 9). Esta é a razão da minha existência. Deve ser este também meu grande objetivo através dos afazeres de cada dia. As finalidades imediatas têm de estar subordinadas a esta Suprema Finalidade, da qual, aliás, já possuo um gérmen na vida presente. Com efeito; no Batismo recebi o Espírito Santo, que me fez filho no FILHO para poder clamar "Abbá, Pai" (Rm 8,15; Gl 4, 6).

Destas considerações surge a resposta a uma terceira pergunta básica: qual é o sentido desta vida? Esta vida na Terra é uma gestação não mais aos cuidados da minha mãe, mas aos cuidados de mim mesmo. Sim; compete-me desenvolver as virtualidades seminais que o Criador depositou no meu íntimo. Trabalhando e lutando diariamente, estou fazendo desabrochar a riqueza dos talentos em mim existentes a fim de me configurar à imagem do Primogênito (Rm 8, 29). Daí a importância do tempo que o Senhor Deus me concede; o tempo é a primeira graça, o dom básico dentro do qual vou-me construindo segundo a imagem do Cristo Jesus. Reflito, um tanto surpreso: ainda estou em gestação, em formação!...; sou chamado a atingir a estatura do Homem Perfeito que o Pai concebeu para mim desde todo o sempre; ver Ef 4, 13.

Estas reflexões me levam a uma prece: "Eu te dou graças, Senhor, por tão grandes benefícios. Jamais chegaria eu por mim mesmo a descobrir a tua benevolência. Em conseqüência, ouso pedir-te mais uma dádiva: não permitas que eu seja indiferente ao teu santo desígnio, numa vida rotineira ou superficial. Seja eu ardoroso na tarefa de me configurar ao teu Filho e assim chegar a contemplar o brilho da tua Face, razão suprema da minha existência!".

Dom Estêvão Bettencourt


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