BíBLIA (2875)'
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Artigo

INTRODUÇÃO A BARUC


A respeito de Baruc, associado ao ministério de Jeremias, temos notícias seguras no livro deste profeta, especial­mente nos cc. 36,43,45. Sabemos daqui que foi arrastado à viva força pelos ju­deus rebeldes, juntamente com Jere­mias, para o Egito (Jer 43,5-7), mas do confronto de Jer 44,28 com 45,5 po­demos deduzir que mais tarde retornou à Judéia, donde pôde ir à Babilônia pa­ra consolar os exilados. Ali, efetivamen­te, o encontramos no início do pequeno livro que traz o seu nome.

 

Este compõe-se de três partes, niti­damente distintas:

1ª Prece pública, em prosa ritual (1, 1-3,8): a nação em peso reconhece ter merecido tantas desgraças e o próprio exílio, por causa dos pecados pessoais e dos antepassados; pede misericórdia e a cessação de tantos males.

2ª Elogio da sabedoria, em elevado es­tilo poético (3,9-4,4): na lei divina, que é concretamente a mais elevada sabedo­ria, está a verdadeira glória e felicidade de Israel; o exílio foi causado pelo abandono da mesma; cumpre voltar à perfeita observância da lei.

3ª Deplorada a amargura do exílio, anuncia-se a alegria do repatriamento (4,5-5,9), em prosa cadenciada, que, pe­lo fundo, recorda Is 40-66 e, pela forma, o estilo de Jeremias, oscilando, freqüen­temente entre a poesia e a prosa.

 

Como se vê, as três partes acham-se ligadas entre si pelo fundo histórico do argumento e sucedem-se em certa ordem lógica. No tocante à qualidade literária e à composição diferenciam-se, entretanto, notavelmente, de sorte que o exame intrínseco não oferece razões de­cisivas que abonem a unidade de au­toria de todo o livro. O testemunho ex­trínseco, dado no texto 1,1, para a atri­buição a Baruc, vale somente para a primeira parte, a qual está tão impreg­nada do fracasso de Jeremias, que, negá-la ao secretário do profeta, é o que de mais irrazoável possa haver.

 

Menos rica, mas não isenta de conta­tos com o livro de Jeremias, é a tercei­ra parte. Nada nos diz a respeito o be­lo poemeto central.

 

Todas as três partes foram originaria­mente escritas em hebraico, entre 582 e 540 a.C, aproximadamente. Provam-no as numerosas alusões ao exílio babilônico e os diversos equívocos das antigas versões, explicáveis unicamente por uma leitura ou interpretação incorreta de uma palavra hebraica, coisa que se nota igualmente em todas essas versões. O texto hebraico original, porém, foi perdido. Para nós, toma-lhe o lugar a versão grega dos LXX. Em segundo lu­gar vem a Pessitta siríaca, que também deriva do hebraico. Na Vulgata temos uma antiga tradução latina feita à base do grego e não retocada por S. Jerô­nimo.

 

Os judeus da Palestina excluíram Baruc do rol dos livros sagrados, e nisso foram seguidos também por alguns Pa­dres da Igreja, na antigüidade, e por todos os protestantes. Acolheram-no, ao invés, os judeus da diáspora, anexando-o ao livro de Jeremias no volume dos profetas maiores. Desta crença e costume tornou-se herdeira a Igreja cris­tã, razão por que vemos, desde o fim do séc. II, os Padres Atenágoras, Irineu, Clemente Alexandrino, citarem as pala­vras de Baruc com o nome de Jeremias. Nos cânones bíblicos das Igrejas do Oriente e do Ocidente, nos séculos se­guintes, o mais das vezes Baruc não é especificado (como também as Lamen­tações), justamente porque compreendi­do com Jeremias. O cânon do Tridentino nomeia-o expressamente: "Jeremias com Baruc". Destarte elimina-se qual­quer dúvida acerca do caráter divinamente inspirado deste opúsculo, tão breve quão rico de doutrina, não lhe faltando mesmo algumas raras belezas literárias.


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