A DESOBEDIÊNCIA SELECTIVA DOS BISPOS PORTUGUESES

Em Outubro de 2006, o Papa Bento XVI, através de um decreto da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, instruiu as conferências episcopais para promoverem, nos casos devidos, a alteração da tradução da fórmula da Consagração do Sangue na Santa Missa para "entregue por vós e por MUITOS" ("pro multis"), em lugar de "entregue por vós e por TODOS."

Argumenta-se que:

a. Os Evangelhos Sinóticos (Mateus 26,28; Marcos 14,24) fazem referência específica a “muitos” (πολλων = pollôn) pelos quais o Senhor oferece o Sacrifício, e essa formulação foi enfatizada por alguns estudiosos bíblicos em conexão com as palavras do profeta Isaías (53, 11-12).

b. O Rito Romano em Latim sempre disse "pro multis" e nunca "pro omnibus".

c. As anáforas dos diversos Ritos Orientais contêm o equivalente verbal do latim "pro multis" nas suas respectivas línguas.

d. “Por muitos” é uma tradução fiel de "pro multis", ao passo que “por todos” é, ao invés, uma explicação do tipo que pertence propriamente à catequese.

e. A expressão “por muitos”, embora permaneça aberta à inclusão de cada pessoa humana, reflete também o facto de que essa salvação não é efetuada de um modo automático, sem o concurso da vontade ou a participação de cada um; pelo contrário, o fiel é convidado a aceitar na fé o dom oferecido e a receber a vida sobrenatural que é dada àqueles que participam neste mistério, pondo também isso em prática na vida, para ser contado no número daqueles “muitos” aos quais o texto faz referência.

f. De acordo com a Instrução Liturgiam Authenticam, deve haver o esforço para uma maior fidelidade aos textos latinos contidos nas edições típicas.

Conclui, então, o Prefeito que «as Conferências dos Bispos daqueles países onde a fórmula “por todos” ou sua equivalente está atualmente em vigor são, portanto, requisitadas a realizar a catequese necessária aos fiéis sobre essa questão nos próximos um ou dois anos, para prepará-los para a introdução de uma tradução vernacular precisa da fórmula pro multis (ou seja, “por muitos”, “per molti”, etc.) na próxima tradução do Missal Romano que os Bispos e a Santa Sé aprovarem para uso em seu país.»

Em muitos países, os Bispos obedeceram e promoveram as alterações «requisitadas». O prazo era 2008! Não era um convite, mas uma ordem clara, fundamentada e legítima da Santa Sé. Nove anos depois, a Conferência Episcopal portuguesa continua sem obedecer, num ato incompreensível de rebeldia.

E no Brasil, o que fizeram? Nada.

Fonte: Católica Conect


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