PERGUNTE E RESPONDEREMOS 377 – outubro 1993

Livros em Destaque

 

Unidade na Pluralidade, por Alfonso Garcia Rubio. Ed. Paulinas, São Paulo 1989, 135x210 mm, 578 pp.

O subtítulo do livro soa "O ser humano à luz da fé e da reflexão cristãs". A obra vem a ser um tratado de Antropologia Teológica, que abrange diversos aspectos da temática, de maneira erudita e profunda, numa perspectiva quase enciclopédica. O autor cita as teorias existentes sobre os vários pontos do tratado, às vezes de maneira tal que o leitor dificilmente consegue depreender a posição finalmente adotada pelo Pe. Garcia. Pode-se dizer, porém, que, embora exponha muitas sentenças nem sempre ortodoxas, o autor guarda a reta doutrina de ponta-a-ponta em seu livro. Os dois segmentos nevrálgicos do tratado de Antropologia Teológica são: o da constituição psicossomática do homem (corpo e alma distinguem-se entre si?) e o do pecado original. No tocante ao primeiro, o autor combate veementemente o dualismo (a matéria seria má, e o espírito bom), mas defende a dualidade (a matéria e o espírito se diferenciam um do outro, mas sem antagonismo ontológico); "não é lícito passar do dualismo ético para o dualismo metafísico" (p. 90); por conseguinte, a ressurreição dos seres humanos em geral se dará no fim dos tempos como ensina a Escritura (cf. Jo 60,40; 1Cor 15,22s; 1Ts 4, 15-17), e não logo após a morte do indivíduo,

Quanto ao pecado original, o autor disserta longamente sobre o assunto; mas conserva os elementos ensinados pelo magistério da Igreja: elevação dos primeiros pais ao estado de justiça original (ainda que concedida em gérmen ou em princípio apenas) e perda desse dom interior por causa da soberba e desobediência dos primeiros pais; nos descendentes de Adão e Eva o pecado original não é culpa pessoal, mas a carência da justiça original, que os primeiros homens deviam ter guardado e transmitido (cf. pp. 559-562).

Cremos que o livro apresenta páginas muito úteis e profícuas ao estudioso, mas é de leitura pesada por causa de fatores vários: excessiva preocupação com a necessidade de evitar o dualismo (antagonismo) entre corpo e alma, preocupação que leva o autor a explicações sutis (cf. pp. 258-292); o leitor pouco conhecedor do assunto pode facilmente concluir que o Pe. Garcia professa o monismo "corpo-alma" — o que na verdade não é o pensamento do autor. Registram-se também elucubrações longas demais sobre civilização industrial (cf. pp. 30-65), América Latina e política (cf. pp. 406-430)... O autor tenciona abordar todos os aspectos do tratado; parece que o faria com mais proveito para o leitor, se escrevesse obra mais enxuta e clara.

E.B.


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