ESCRITURAS (1086)'
     ||  Início  ->  
Artigo

A unidade protestante e o livre-exame da Bíblia



Algumas pessoas podem se perguntar como Lutero pensava que a unidade cristã seria preservada se sua nova crença descartava a autoridade papal ou qualquer outra mediação humana deixada por Cristo? Descartava a Igreja visível como intermediária? Se cada fiel agora era livre para interpretar a Revelação de Deus conforme suas luzes privadas? Bom. Primeiro que Lutero, ao início, não pensou nisso. Não pensou nessas consequências. No entanto, com o passar dos anos, não demorou muito para essa óbvia indagação surgir em seu espírito. Deus nos deu a razão e ela, volta e meia, vai nos questionar. Inevitável.

A resposta que Lutero dá a essa óbvia pergunta que o intelecto faz é de uma ingenuidade e simplicidade que lembra o jardim de infância: cada fiel, recebendo o Espírito Santo pelo batismo, ao ler a Escritura, seria iluminado pelo mesmo Deus. Como Deus é um só, Ele mesmo se encarregaria de iluminar corretamente cada fiel, sem precisar de uma Igreja visível, uma autoridade humana, o que garantiria a unidade na Fé nessa “igreja invisível”. Simples assim. Ingênuo assim. Cândido assim.

Ora, já no tempo da "reforma" foram surgindo inúmeras ramificações protestantes diferentes. Bastar estudar a "reforma" e constatar isso. Não estou opinando. História. Fato.

Lutero chegou a ficar tão irritado com isso que seu discípulo, Melanchthon, chamava-o ironicamente de "o Papa de Wittenberg". Numa tentativa desesperada de garantir o mínimo de unidade religiosa, Lutero foi se tornando sempre mais intolerante com quem interpretasse diferente dele. "Meu juízo e o juízo de Deus são a mesma coisa", dizia Lutero. "Quem não crê como eu está condenado ao inferno". Detalhe, jamais Santo algum proferiu algo assim. São Francisco de Assis, por exemplo. Os Santos todos acreditavam que a verdade estava fora deles. Estava na Igreja. Lutero não. "Quem não crer COMO EU está condenado ao Inferno". "O MEU JUÍZO e o juízo de Deus são a MESMA COISA".

Visitem um hospício. Lá os senhores encontrarão pacientes que acreditam piamente serem Napoleão Bonaparte em pessoa.

Uma afirmação categoria assim proferida pelo autor da livre interpretação é algo perturbador para mim. Para qualquer pessoa que não adote o fideísmo e acredite que a razão deve iluminar também a Fé, dando-lhe harmonia e coerência.

Atualmente, há mais de dezenas de milhares de seitas protestantes. Todas interpretando. E com doutrinas divergentes. De duas uma. Ou Deus errou, deixando de dar a mesma luz para todas essas seitas, ou Lutero não passa de mais um charlatão da fé. Um Pedir Mais Cedo com grife. Um Silas Malacheia ou qualquer outro "pastor" idealizador da chamada "teologia da prosperidade", que faz da religião um grande supermercado, em que cada fiel vai pegando "o que convém", segundo sua visão subjetiva.

Aliás, protestantes ditos “tradicionais” não podem criticar esses novos fundadores de comunidades, pois eles estão interpretando também. É a visão deles da Escritura. Católicos podem criticar, pois não acreditam em livre interpretação. Só a Igreja possui essa autoridade, segundo os católicos. Ninguém mais.

Marcus Grodi, ex-ministro protestante formado em Teologia e Bíblia, resume bem a problemática. Percebam em seu testemunho como foi a RAZÃO que o fez abandonar sua crença:

Vídeo do testemunho do ex-pastor Marcus Grodi: http://www.youtube.com/watch?v=nr-XuRM1GW4

Ele fez os estudos de teologia no seminário protestante Gordon-Conwell em Boston, Massachussetts.

Marcus afirma: “Eu só quis ser um bom pastor”, mas um dia se perguntou: “Eu estou ensinando a verdade ou o erro? Como eu posso estar seguro se em outras igrejas a mesma leitura Bíblica tem várias interpretações diferentes?”.

Essa última indagação deveria ser feita por cada fiel protestante. Como ele pode estar certo que a SUA interpretação é a correta, visto não haver, segundo eles, mediação humana deixada por Cristo? Ninguém com autoridade para ter a palavra final, com a ajuda da graça divina? Qual o parâmetro de julgamento? A Escritura, diria o protestante. Ok, mas interpretada por quem? Por cada fiel. E voltamos a andar em círculo....


Artigos no site do ex-pastor Marcus Grodi.


Didacus Hff


Como você se sente ao ler este artigo?
Feliz Informado Inspirado Triste Mal-humorado Bizarro Ri muito Resultado
5 0
PUBLICAR - COMENTAR - EMAIL -  FACEBOOK 
#0•A3838•C908   2017-01-07 18:03:51 - Convidado/Vini Silva
A Palavra de Deus sempre veio acompanhada do Poder do Espírito Santo que foi quem inspirou os Homens de Deus a escreverem a Bíblia, por isso sempre foi vontade do Pai a livre interpretação, pois na verdade vem do Espírito Santo, infelizmente após o surgimento da seita de Constantino a ICAR no século IV, Roma tentou manipular a Palavra de Deus que é livre, fazendo milhões de pessoas de escravas de suas doutrinas pagãs. Quem é de Deus aprende de Deus e não de meia duzia de líderes religiosos.

Responder

#1•R908•C909   2017-01-08 09:53:13 - Convidado/Claudio Maria
A essas acusações grosseiras respondemos com Pedro:

Pedro afirma claramente que pessoas pouco instruídas ou não firmes podem deturpar as escrituras para a própria ruína:

S. Pedro:
“Assim vos escreveu também o nosso caríssimo irmão Paulo, segundo a sabedoria que lhe foi dada, falando-vos dessas coisas, como faz também em todas as suas cartas. Nelas há, porém, alguma coisa difícil de compreender, que as pessoas pouco instruídas ou pouco firmes deturpam, como fazem também com as outras escrituras, para sua própria ruína” (2Pd 3, 15-16).

Ou seja,......

Ler mais...  -  Responder

:-)