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Artigo

A BÍBLIA, LEITURA E VOCÊ

 

A Bíblia Sagrada é um dos livros mais antigos que ainda existem e de longe o mais traduzido e distribuído do mundo. “É também o livro mais vendido de todos os tempos e aparece no topo da lista dos best-sellers todo ano”.

 

A idade e circulação da Bíblia, bem como sua afirmação de ser a Palavra de Deus, são ainda mais impressionantes levando em conta as muitas tentativas feitas durante toda a história para suprimi-la. “Nenhum livro despertou tanta oposição como esse; mas sobreviveu a todos os ataques, por mais intensos, engenhosos e persuasivos que tenham sido”, declarou Albert Barnes, insigne teólogo do século XIX.

 

Esse mesmo teólogo e escritor observou que é natural que as pessoas se interessem por qualquer coisa que tenha resistido a repetidos ataques. “Mas nenhum exército jamais sobreviveu a tantas batalhas como a Bíblia”, continuou Barnes, “Nenhuma fortaleza antiga resistiu a tantos sítios e ficou de pé diante dos estragos causados por guerras e pela passagem do tempo; e nenhuma rocha foi assolada por tantas correntes de água e ainda assim permaneceu imóvel”.

 

Muitos escritos antigos foram destruídos, perdidos ou simplesmente esquecidos, mas, apesar dos ataques violentos, a Santa Bíblia sempre sobreviveu. Enquanto algumas pessoas lutaram arriscando a própria vida para torná-la acessível às massas, outras arrancaram esse livro das mãos de leitores sedentos e o queimaram em público junto com seus donos.

 

O rei selêucida Antíoco Epifânio, que governou de 175 a 164 a.C. queria difundir a cultura grega, ou helenística, em todo seu império. Para isso, ele tentou impor a cultura e areligião gregas aos judeus.

 

Por volta de 168 a.C. Antíoco saqueou o templo de Deus em Jerusalém. Sobre o altar, ele construiu outro em honra ao deus grego Zeus. Antíoco também proibiu os Judeus de observarem o sábado e de circuncidarem seus filhos.

A desobediência era punida com a morte.

 

Um dos meios usados por Antíoco para exterminar a religião judaica foi tentar destruir todos os rolos da Lei. Embora sua campanha se estendesse por todo o Israel, Antíoco não conseguiu destruir todas as cópias das Escrituras Hebraicas. É provável que alguns rolos tenham sido bem escondidos em Israel para escapar das chamas, e tem-se conhecimento de que cópias das Escrituras Sagradas foram preservadas em colônias de Judeus fora de Israel.

 

O DECRETO DE DIOCLECIANO

 

Outro governante proeminente que tentou destruir as Escrituras foi o imperador romano Diocleciano. Em 303 a.C. ele promulgou uma série de decretos cada vez mas rígidos contra os cristãos. Isso resultou no que alguns historiadores chamam de “A Grande Perseguição”. De acordo com seu primeiro decreto, as cópias das Escrituras deviam ser queimadas e os locais de reunião dos cristãos deviam ser demolidos. Harry Y. Gamble, professor de estudos religiosos na Universidade da Virgínia, escreveu: “Diocleciano presumiu que todas as comunidades cristãs, não importavam onde estivessem, tinham uma coleção de livros e sabia que esses livros eram essenciais à sobrevivência dos cristãos”. O historiador eclesiástico Eusébio de Cesareia, Palestina, que viveu nesse período, escreveu: “com nossos próprios olhos vimos os oratórios inteiramente arrasados desde o telhado até os fundamentos, e as Divinas e Sagradas Escrituras entregues aos fogos nas praças públicas”.

 

Acredita-se que três meses depois do decreto de Diocleciano, o prefeito da cidade norte africana de Cirta, conhecida hoje como Constantine, ordenou que os cristãos entregassem todos os seus “escritos da lei” e “cópias das Escrituras”. Relatos do mesmo período contam que havia cristãos que preferiam ser torturados e mortos a entregar as cópias da Bíblia para serem destruídas.

 

Monsenhor Jonas Abib

Recebo grande número de cartas. Muitas pessoas me mandam bilhetes com pedidos de oração. Com muita frequência, o povo mais simples acaba escrevendo “ao Padre Jonas da Bíblia”. Ouvindo mal o meu nome, Jonas Abib, entendem “Jonas da Bíblia”. Não me aborreço de maneira alguma com isso. Pelo contrario, esse fato é para mim uma alegria. Vejo eu Deus dá aos simples uma intuição que os outros não têm, e eles acabam sendo os porta-vozes daquilo que o Senhor quer que eu seja. Eu rio e digo a mim mesmo: olha aí mais uma vez Deus falando através dos simples que você precisa ser realmente o “padre Jonas da Bíblia”.

Eis a principal regra de ouro: ler a Bíblia todos os dias. Sem exceção. Leia quando tiver vontade e quando não tiver também! É como remédio: com ou sem vontade, tomamos, porque é necessário. Com a Bíblia é a mesma coisa. E nos tempos em que vivemos isso é premente. Assim como você alimenta o corpo todos os dias, alimente diariamente o seu espírito com a Palavra de Deus.

Assim como tomamos banho todos os dias e, quando não podemos fazê-lo de manhã, à noite o corpo pede um banho, assim também se passa com a leitura da Bíblia: se você não conseguir ler durante o dia, sem que você se aperceba, o seu espirito ficará pedindo um banho da Palavra de Deus. Não deixe de dar ao seu espírito o que você dá ao seu corpo!

Tem gente que não consegue dormir sem tomar banho; essas pessoas se viram e se reviram na cama sem poder dormir. Que eu e você sejamos assim: que não possamos dormir sem o banho da leitura da palavra de Deus.

Escreve o Papa Francisco: “É indispensável que a Palavra de Deus se torne cada vez mais o coração de toda a atividade eclesial”, “o estudo da Sagrada Escritura deve ser uma porta aberta para todos os crentes” (Evangelii Gaudium, n° 174 e 175).

CONCLUSÃO

Dietrich Bonhoeffer escreveu aos alunos do seminário de pregadores da igreja confessante em Finkenwalde, na Pomerânia, em meados de 1937: “É graça a Deus uma comunidade poder reunir-se neste mundo, de maneira visível, em torno da Palavra de Deus e dos sacramentos. Nem todos os cristãos compartilham dessa graça. As pessoas presas, doentes, solitárias na dispersão, que pregam o Evangelho em terras pagãs sozinhas. Elas sabem que a comunhão visível é graça. (...) a presença física de outros cristãos constitui para o cristão uma fonte de alegria e fortalecimento incomparáveis. (...) Através da presença física do irmão, o crente louva o Criador, Reconciliador e Salvador, Deus Pais, Filho e Espírito Santo. Na proximidade do irmão cristão, o preso, o doente, o cristão na diáspora reconhece um gracioso sinal físico da presença do Deus triuno”. (1).

Embora a Bíblia continue sendo livro mais vendido no mundo – e a Versão Rei Jaime a mais popular -, o renomado professor Richard G. Moulton observou: “Já fizemos quase tudo o que era possível com esses escritores hebraicos e gregos... Nós os traduzimos [e] revisamos as traduções... Mas há ainda uma coisa a fazer com a Bíblia: simplesmente lê-la”.

Você lê a Bíblia Sagrada? Tem amor pela Palavra de Deus?

Pe. Inácio José do Vale

Professor de História da Igreja

Instituto Teológico Bento XVI

Sociólogo em Ciência da Religião

E-mail: [email protected]

 

Notas:

(1)     Fé Para Hoje, Março de 2012, p.7.

(2)    Abib, Jonas. A Bíblia no meu dia-a-dia. São Paulo: Edições Loyola/ Comunidade Canção Nova, 2011, pp.7 e 37.


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