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Aulas: Teologia - Deus castiga? - por Padre Paulo Ricardo

Deus castiga?

Deus castiga, isso deve ficar claro desde o início. Ele castiga não apesar de ser um Deus de amor, mas exatamente porque é um Deus de amor. O que se deve entender, portanto, é em quê consiste o castigo.

O grande doutor da Igreja, Santo Tomás de Aquino, explica o que significa o castigo divino em sua obra Suma Teológica, quando fala sobre a vingança. Para ele, a vingança tem uma conotação diferente daquela que é usada atualmente - como um ato irracional -, trata-se de uma virtude e deve ser entendido como o castigo infligido para a conversão do pecador.

Deus ama o homem e, por causa disso, como um pai bondoso, permite o sofrimento para que o filho se volte para Ele. São inúmeros os casos de conversão ocorridas após um grande sofrimento, alguma perda ou doença. É verdade também que Ele procura atrair o homem com vínculos humanos de amor. Mas nem sempre funciona. Nem sempre a linguagem do carinho é entendida e, nesses casos funciona é preciso que o reto caminho seja ensinado por meio do limite, da disciplina.

Deus administra a questão do sofrimento da humanidade, quase da mesma forma que o homem administra um sistema penal, diz Santo Tomás, ou seja, penalizando as pessoas primeiro para que se convertam e segundo para evitar dificuldades na sociedade. O que justifica o castigo é a intenção.

"A vingança se consuma quando se inflige ao pecador um mal de pena. Por conseguinte, na vingança deve-se levar em conta o ânimo daquele que a exerce. Porque se a intenção dele recai principalmente sobre o mal daquele de quem se está vingando, e nisto se compraz, então isto é absolutamente ilícito, porque o fato de se comprazer com o mal de outrem é da ordem do ódio, que repugna à caridade, pela qual devemos amar todos os homens. E ninguém se desculpa alegando querer o mal daquele que injustamente lhe fez mal; da mesma forma que ninguém se desculpa de odiar aqueles que o odeiam." (Suma Teológica II-II, q. 108, a. 1)

Assim, é lícito castigar com limite, com moderação, com sabedoria, mas nunca por ímpetos irracionais. É necessário também enxergar nas desventuras da própria vida o cuidado e o amor de Deus, nesse mesmo sentido.

A misericórdia de Deus muitas vezes se manifesta em forma de castigo, de correção, de limite e de disciplina. Isso ocorre por motivos simples, mas contundentes: Ele ama seus filhos e quer o bem e a salvação de todos.

Padre Paulo Ricardo
Fonte: site Christo Nihil Praeponere

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