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Artigo

PERGUNTE E RESPONDEREMOS 012 – dezembro 1958

 

A Igreja Católica é criação da Idade Média?

GATO (D. F.): O amigo pergunta que razões têm os positivistas para dizer que a Igreja Católica é uma criação da Idade Média.

 

Eis como Augusto Comte procurava justificar a afirmação acima.

Distinguia entre Cristianismo e Catolicismo (ou Igreja Católica). O primeiro lhe parecia ser um movimento religioso animado por fervor muito espontâneo, não coibido por leis e autoridades religiosas. No séc. XI, dizia Comte: o Cristianismo se tornou Catolicismo, isto é, em virtude da ação de Carlos Magno (+814) consumada por S. Gregório VII  (+1085) recebeu sua organização social, sua constituição e sua autoridade visível, enfim a disciplina que impõe normas ao fervor religioso. O Catolicismo, para Comte, representava o gênio social aplicado à religião; por isto o Catolicismo, com sua hierarquia sacerdotal, era altamente conceituado pelo filósofo, que, ao contrário, desprezava o que ele chamava o Cristianismo.

 

Que dizer dessa teoria?

 

A distinção entre Cristianismo e Catolicismo é vã; este segundo título apenas põe em realce uma modalidade do primeiro, ou seja, o aspecto de mensagem universal de Cristo. O Cristianismo, desde os seus inícios até hoje, foi e é animado por duas forças: o fervor místico ou o amor, e a lei ou o direito. Desde os tempos de São Paulo se notam entre os cristãos os inícios de organização hierárquica e o exercício de autoridade visível (cf. principalmente as epístolas a Timóteo e Tito; 1 Cor 11-14). Está claro que somente com o decorrer dos tempos e o aumento numérico do povo cristão é que se puderam afirmar plenamente a autoridade o a organização no Cristianismo. — Sem disciplina nem legislação expressa por uma autoridade visível, o entusiasmo religioso degenera em culto de fantasias e aberrações. E, a autoridade visível no Cristianismo, foi o Senhor mesmo quem a instituiu, prometendo-lhe ao mesmo tempo a assistência necessária para se tornar autêntica intérprete da Verdade (cf. Mt. 16,18s; Lc 22,29; Jo 21,15-17).

 

Dom Estêvão Bettencourt (OSB)


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