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Artigo

Pergunte e Responderemos - Ciência e Fé - A fé, santo remédio - por Estêvão Bettencourt

PERGUNTE E RESPONDEREMOS 539/Maio 2007
Ciência e Fé

"A tua fé te salvou":

"A FÉ: SANTO REMÉDIO''
(revista Religiões)

Em síntese: É freqüente dizer: "A tua fé te salvou", como se qualquer tipo de crença fosse uma eficaz terapia. - Em resposta deve-se notar que: 1) a fé, de modo geral, tem um efeito tranqüilizante, que facilita a reação do organismo à enfermidade (efeito natural, meramente humano); 2) a fé põe em contato com Deus numa atitude de oração; há um só Deus (revelado por Jesus Cristo), que pode levar em consideração a sinceridade ou boa fé de quem lhe pede a cura. Assim Deus pode restituir a saúde mesmo a quem professe uma crença falsa, não em virtude dessa crença falsa, mas levando em conta a sinceridade e candura de quem o roga. Evite-se o relativismo religioso.
* * *
A fé é, por vezes, apresentada como terapia que salva pacientes de qualquer Credo. A afirmação é ambígua, podendo sugerir relativismo religioso. Eis por que será, a seguir, considerada.

1. O Problema
A revista RELIGIÕES, edição de julho 2005. dedica seu fascículo ao tema "A Fé que cura", com o subtítulo: "A crença ajuda você a vencer uma doença? As várias religiões dizem que sim. Saiba como.
Eis algumas das afirmações encontradas no corpo da revista:
"Fé: Santo Remédio: Curas surpreendentes podem acontecer aos doentes que buscam - e encontram - nas crenças religiosas uma saída para seus problemas. O primeiro passo é acreditar (p. 8).
"As religiões fazem com que a pessoa descubra que ela não é apenas um corpo doente, mas um ser inteiro que possui alma. Essa alma também precisa de uma fonte de energia, assim como o corpo precisa dos medicamentos, afirma a especialista em Psicologia Social Cleide Canhaas. É aqui que entra a fé - e os rituais de cura, que variam de crença para crença. Pode ser um passe, uma Missa celebrada exclusivamente para os enfermos, um mantra específico, as preces dos grupos judaicos de healing (cura), Johrei... (p. 22).
Que diz a medicina?

"Para a medicina, a cura pela fé é controversa, uma vez que não há estudos científicos conclusivos... A maioria dos médicos, porém, admite que crer é fator fundamental no tratamento; aqueles que cultivam a religiosidade têm mais força para enfrentar a doença e, por isto, ficam bons mais rápido.
Não há uma explicação médica para as curas milagrosas. A maioria dos casos, se forem estudados cuidadosamente, talvez revele remissão espontânea da doença, algo natural do organismo, que nada tem que ver com milagre" (p. 25).
Diante da problemática assim proposta, pergunta-se:

2. Que dizer?
A fé produz dois efeitos:

1) um efeito natural, psicológico. Ela tranqüiliza, despertando confiança e esperança; o crente sabe que está sob a proteção de Deus e que
nada lhe poderá subtrair essa tutela: ora esta paz interior favorece a recuperação da saúde, possibilitando mais enérgica resposta do organismo à
moléstia.
É o que médicos e psicólogos reconhecem, atribuir à fé um papel importante no tratamento dos seus cadentes... importante no plano meramente natural, como catalisador das funções do organismo;

2) um efeito sobrenatural. A fé põe o crente em contato com Deus numa atitude de oração, à qual Deus atende até mesmo de maneira milagrosa (quando isto condiz com o bem do orante).
Mas dirá alguém: há muitos deuses; cada qual atendendo aos seus fiéis?
Respondemos: há um só Deus, o qual se revelou aos homens mediante Jesus Cristo e a sua Igreja. Muitos O conhecem, porque Ele foi anunciado, e O invocam, obtendo dele grandes graças. Outros não O conhecem ou mal O conhecem ou chegam a negá-lo; aderem a falsos credos ou a errôneos sistemas de cosmovisão; fazem-no, porém, de boa fé, ou candidamente, julgando que o erro é a verdade. Também a estes Deus pode responder, concedendo a graça de uma cura não por causa do erro que professam, mas por causa da sinceridade com que o professam. O milagre é um sinal (semeion) de Deus, sinal que é resposta a um anseio profundo ou que ilumina as mentes abunubiladas por dúvidas; no caso de ser o milagre concedido a uma pessoa não católica, ele não confirma o Credo dessa pessoa, mas responde com solicitude paterna aos desejos dessa pessoa reta e sincera; é um sinal que revela a paternidade de Deus ou confirma-a na mente do orante. A fé não salva, mas geralmente é condição para que Deus salve.
É preciso notar, porém, que fora da Igreja Católica há facilidade excessiva em proclamar milagres, quando não há senão fenômenos parapsicológicos. É necessário distinguir com exatidão uma coisa da outra. Pode-se crer que em muitos dos casos apontados como milagrosos, não há mais do que fenômenos parapsicológicos ou psicológicos.

3. Completando...
A concepção de que a fé salva é alimentada particularmente pela suposição de que a doença é causada pelo Maligno ou como castigo de Deus.
A revista em foco diz à p. 23: "Para a maiona das igrejas evangélicas, muitas enfermidades estão relacionadas a algum grau de possessão demoníaca. Por isto são comuns as chamadas sessões de ‘descarrego’ ou libertação, voltadas para os doentes".
A propósito dizemos que a doença é um fenômeno natural, que tem sua explicação na própria fragilidade do corpo humano. Supor origem diabólica para as enfermidades só contribui para agravar a situação do paciente, apavorando-o inutilmente. O que o demônio quer, antes do mais, é induzir o homem ao pecado.
Por isto as moléstias têm que ser submetidas aos cuidados dos médicos, que aplicarão critérios científicos e racionais no tratamento das mesmas.
Verdade é que em 2Cr 16, 12 se lê: "Asa teve uma doença muito grave nos pés; mesmo então na doença não recorreu ao Senhor, mas aos médicos".
Significa isto que não se deve recorrer aos médicos na doença, mas somente à oração e a meios religiosos (curandeiros, por exemplo)?
Respondemos: o caso de Asa era um caso especial. O rei adoeceu em castigo de seu desprezo pela palavra de um profeta enviado pelo Senhor; em conseqüência, para ser curado, deveria fazer penitência e não se eximir desta transferindo seus interesses para a medicina. Tal caso é exceção, e não paradigma.
A Escritura faz o elogio do médico.
"Rende ao médico as honras que lhe são devidas, por causa de seus serviços, porque o Senhor o criou... A ciência do médico o faz trazer a fronte erguida; ele é admirado pelos grandes" (Eclo 38, 1.3).

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