BíBLIA (2871)'
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Artigo

INTRODUÇÃO A JOSUÉ


O livro de Josué toma o nome do protagonista dos fatos nele contidos. Moisés, libertando o povo da escravi­dão dos egípcios, organizou-o na penín­sula do Sinai e o conduziu até às mar­gens do Jordão. Para continuar a mes­ma missão de Moisés, sucede-lhe Josué. Tinha na sua frente duas tarefas: ocupar a terra de Canaã ou Terra Prometida, expulsando os antigos habitantes, e di­vidir o país entre as várias tribos de Is­rael. O livro de Josué é a narração, ora pormenorizada e viva, ora esquema­tizada, desta grande empresa. Daí a divisão lógica do livro em duas partes: ocupação da Terra Prometida e sua par­tilha; segue-se um apêndice sobre os úl­timos fatos de Josué.

Os fatos aqui resumidos abrangem um período de cerca de 30 anos, como se pode inferir de dois indícios ofere­cidos pelo próprio livro. Josué, sendo quase da mesma idade de Caleb (Num 13,6-8; 14,6-38), tinha, no tempo do Êxo­do, aproximadamente 40 anos (Jos 14, 7); morreu com 110 anos. Tendo em conta os 40 anos passados no deserto, resulta que empreendeu a ocupação da Palestina aos 80 anos, sobrevivendo mais trinta.

Cronologicamente, esses 30 anos coincidiram com a época de 'el-Amarna se, conforme alguns, colocarmos o Êxodo no reinado de Amenófis II; se, confor­me outros, o colocarmos no de Menefta, então coincidiram com o fim do reina­do de Ramsés III (1198-1167) e de seus fracos sucessores. Duas indicações do próprio livro de Josué estariam a favor dessa data: não existe indício algum duma dominação dos egípcios na Pa­lestina; pelo contrário, encontramos fir­memente estabelecidos e fortalecidos os filisteus (13,2-3), dois fatos explicados pela decadência do Egito sob a dinas­tia (XX) dos Ramésidas.

O relato do glorioso passado visa à uma dupla finalidade: evidenciar a fi­delidade divina no cumprimento das suas promessas (vide 21,43) e agir so­bre o povo como um estímulo a repelir o desânimo no tempo da provação e a confiar fielmente no serviço do Senhor.

O livro de Josué foi considerado pe­las escolas críticas do século XIX, inti­mamente ligado ao Pentateuco. Os mes­mos documentos do Pentateuco teriam servido para a sua compilação, que se­ria obra de vários autores sucessivos, e cuja última redação teria visto a luz por volta dos séculos V ou IV a.C.

Hoje, a dita crítica modificou bastan­te a sua hipótese; começa-se, também por parte da maioria dos racionalistas, a considerar o livro de Josué como um livro independente; reconhece-se que a sua composição é diferente da compo­sição do Pentateuco, formando um con­junto distinto e bastante harmônico. É uma espécie de retorno ao que a tra­dição judaica e cristã sempre defen­deram.

Apesar dessas concessões, entretanto, não se deixa de impugnar, embora sem sólido fundamento, a unidade do livro e a sua origem antiga. É verdade que se encontram alguns trechos de estilo diferente, certas expressões e algumas repetições discordantes do corpo do li­vro, mas para explicar isso seria sufi­ciente supor um único autor que tenha aproveitado documentos parciais.

Da unidade do livro não se pode fa­cilmente chegar à determinação con­creta e segura nem da data de origem nem do autor. Alguns indícios levariam a concluir que o livro é anterior ao tempo de Isaías (cf. 8,28 com Is 10,28), de Salomão (16,10 com 1Rs 9,16), de Davi (15,63 com  2Sam 5,6-9). Não fal­tam, entretanto, dificuldades em contrá­rio, que podem, porém, ser adequada­mente solucionadas. Uma das principais é a repetição da fórmula: "até o dia de hoje" (4,9;5,9;6,25;7,26;8,29;9,27;10, 27;13,13;14,14;15,63;16,10;22,3.17), que faz supor se tenha passado um longo pe­ríodo de tempo entre os fatos e a com­posição do livro. Mas, os trinta anos de­corridos entre estes fatos e a morte de Josué são espaço de tempo suficiente para legitimar tais expressões.

A origem antiga do livro de Josué e o fim que o autor sagrado se propôs contribuem para fortalecer a autoridade do livro. Os seus relatos são confirma­dos, em muitos pontos, pelos documen­tos oficiais encontrados em 'el-Amarna, a oriente do Egito, bem como pelas es­cavações feitas na Palestina desde 1902 especialmente em Jericó, Betel, Gezer e Laquis, que nos revelaram vestígios da invasão dos israelitas, ou pouco antes.


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