Tomás de Aquino e o modo de estudar

 

SANTOS, Ivanaldo. Tomás de Aquino e o modo de estudar. In: Collatio, CEMOrOc-FEUSP / IJI - Universidade do Porto, n. 12, jul-set 2012, p. 65-75.

 

Ivanaldo Santos ([1])

 

Resumo:

Esse artigo tem como objetivo analisar o opúsculo filosófico, escrito no século XIII, O modo de estudar, de Tomás de Aquino. Nesse opúsculo ele deseje abarcar uma unidade temática dentro da vida. Por isso, além de dar conselhos práticos sobre como estudar, orienta os jovens a terem uma vida espiritual e procurarem ter uma vivência marcada pela virtude.

 

No Brasil e em outras regiões do planeta criou-se, principalmente no século XX, uma visão muito limitada de Tomás de Aquino, o grande mestre da escolástica medieval e do pensamento universal. Essa visão afirma, entre outras cosias, que o Aquinate é um racionalista radical, um mero comentador de Aristóteles e autor de apenas um livro, o qual é a Suma Teológica (cf. AQUINO, 2001a).

 

Uma visão muito simplista e reducionista do pensamento de um dos mais frutíferos e brilhantes pensadores da humanidade. Tomás de Aquino não apenas comentou a obra de Aristóteles, mas muitas vezes superou essa obra, como, por exemplo, no caso da felicidade última (cf. LIMA JUNIOR, 2001), como também conseguiu produzir um corpus filosófico extremamente rico e profundo.

 

Seria demasiado cansativo e praticamente impossível se falar e analisar todo o corpus filosófico do Aquinate. Um corpus que trata, entre outras questões, de temas muito variados, como a ética, a estética, a literatura e a teologia. Por isso, optou-se em se realizar um estreitamente temático e, com isso, ter um objeto de estudo mais esclarecido e esclarecedor. Por causa disso o objeto desse estudo é analisar o opúsculo O modo de estudar, de Tomás de Aquino.

 

De acordo com Faitanin (cf. 2009, p. 13-14), Tomás de Aquino, além de ter produzido grandes obras como a Suma Teológica, também escreveu uma série de pequenos livros, em latim opuscula, que versam sobre assuntos diversos e, ainda hoje, possuem grande interesse intelectual. Nesses pequenos livros o Aquinate abortou temas variados, como, por exemplo, o ser, a natureza, o mundo, a eternidade e os anjos. Há algumas discussões sobre a autenticidade de alguns desses livros, mas, de forma geral, os pesquisadores concordam que a grande maioria dos livros foram escritos pelo próprio Tomás.

 

Um dos temas que Tomás tratou nos opúsculos foi sobre o modo de estudar. Um tema extremamente atual que se localiza na interface, no campo da interdisciplinaridade, entre a filosofia, a educação e outras áreas das ciências humanas. As formas e as técnicas de estudar são apresentadas e debatidas desde os cursinhos pré-vestibulares e preparatórios para concursos até mesmo nos cursos de doutorado. O ato e as formas de se estudar é uma das questões que preocupam o homem desde a antiguidade. Na modernidade, época marcada pela cresceste preocupação com o saber, essa questão tornou-se quase uma obsessão. Por isso, não é exagero afirmar que o opúsculo produzido por Tomás de Aquino, no século XIII, em plena Idade Média, é um texto de suma importância e de externa atualidade.

 

Tomás escreveu o opúsculo “O modo de estudar” (De modo studenti), no formato de uma carta, como uma resposta a um pedido de um jovem pertencente à Ordem dos Dominicanos (OP), um certo “João, irmão caríssimo em Cristo” (AQUINO, 2009, n. 1). Vale salientar que essa era a ordem que o próprio Aquinate exerceu as funções de sacerdote, de pesquisador, de pensador e de professor. O João que é citado na carta é provavelmente um iniciante nos estudos teológicos e que deseja ter maior disciplina e eficiência no ato de estudar.

 

De acordo com Faitanin (cf. 2009, p. 57), não há como determinar, com certeza absoluta, a época em que Tomás compôs esse opúsculo, mas é possível, de forma didática, colocar esse texto dentro do período da segunda regência do Aquinate em Paris, que vai de 1268 a 1272. Foi nesse período que ele escreveu a questão 166 da IIa-IIac, da Suma Teológica. Essa questão versa sobre o ato de estudar, logo, se aproxima, de forma muito radical, do tema tratado no opúsculo.

 

O opúsculo O modo de estudar chama muito a atenção dos tradutores de Tomás de Aquino. Em grande medida isso se dá pela atualidade do tema abordado, pela forma didática em que foi escrito – o opúsculo é uma carta que contém dezoito parágrafos escritos de forma curta e sucinta – e pelos conselhos breves e práticos que nela estão contidos. Uma prova desse interesse é que no Brasil existem oficialmente duas traduções desse opúsculo. A primeira foi realizada por Luiz Jean Lauand (AQUINO, 1994) e a segunda por Paulo Faitanin (AQUINO, 2009).

 

As duas traduções são de ótimo nível e, com isso, apresentam o texto de forma clara e muito próximo da língua original em que foi composto, ou seja, o latim. Com isso, conseguem atingir o grande objetivo de uma tradução, ou seja, transcrever para outro idioma o conteúdo de um texto de forma que se aproxima, da forma mais radical possível, do original. No entanto, para a presente discussão, será utilizada a tradução realizada por Paulo Faitanin (AQUINO, 2009). Essa escolha se deu unicamente pelo fato dessa tradução ser a mais recente, ou seja, foi realizada em 2009. Não houve qualquer outro critério técnico que norteasse a escolha de uma ou outra tradução.

 

O opúsculo O modo de estudar, assim como todo texto produzido pelo Aquinate, apresenta-se de forma única, orgânica e, por causa disso, possui uma unidade temática. Didaticamente o texto pode ser dividido em dezoito pequenos parágrafos, são quase aforismos breves. No entanto, apesar dessa divisão, permanece a unidade temática que gira em torno de orientar o jovem irmão dominicano, conhecido como João, a como estudar e, ao mesmo tempo, aproveitar, da forma mais satisfatória possível, o saber.

 

Uma grande característica do pensamento de Tomás de Aquino é a unidade dos temas. Tomás vê o mundo e o homem essencialmente como uma unidade. Em Tomás não existe a divisão e a cultura do fragmento que são encontrados na modernidade. Nele não há, por exemplo, a divisão entre fé e razão, entre fé e política, entre ciência e fé, entre literatura e filosofia e coisas semelhantes. Para ele tudo está unido e relacionado. Por causa disso, é possível tratar de um tema de forma isolado, mas nunca isolá-lo dos demais temas que compõem a vida.

 

Em O modo de estudar Tomás segue esse princípio. Nesse estudo, ele deseja abarcar uma unidade temática dentro da vida. Por isso, além de dar conselhos práticos sobre como estudar, orienta os jovens a terem uma vida espiritual e procurarem ter uma vivência marcada pela virtude. Em Tomás não é possível, como acontece na sociedade contemporânea, separar a vida estudantil e a vida espiritual. Como demonstra Torrel (2008), a obra do Aquinate converge para uma reflexão espiritual. Apesar da diversidade de temas que ele discute e analisa, suas reflexões, quase sempre, caminham para uma síntese de cunho espiritual. Por exemplo, no opúsculo que é algo da análise do presente artigo, ou seja, O modo de estudar, o texto converge para o fato de que os esforços em estudar e buscar o saber devem ser orientados para os “frutos da vinha dos exercícios do Senhor” (AQUINO, 2009, n. 18).

 

Apesar de haver uma unidade temática no texto do Aquinate, é possível, do ponto de vista estritamente didático, encontrar, em seu interior, uma subdivisão temática. Essa subdivisão é calcada por dois subtemas, sendo eles: 1) Busca pelo conhecimento; 2) Vida espiritual. São subtemas que, como já demonstrado, caminham ruma a uma síntese de cunho espiritual.

 

No primeiro subtema, ou seja, a busca pelo conhecimento, encontra-se os parágrafos de números 1, 2, 3, 9, 10, 11, 14, 15 e 16, perfazendo um total de nove parágrafos.

 

Nesse subtema, Tomás coloca que se deve buscar, em primeiro lugar, o conhecimento. Não o conhecimento específico, como, por exemplo, conhecer um livro, uma disciplina acadêmica ou uma teoria, mas buscar o próprio conhecimento, a fonte maior de qualquer tipo de saber fragmentado. O Aquinate parte da máxima de Aristóteles, quando esse afirma, na Metafísica (I, 1, 980a), que “todos os homens, por natureza, tendem ao saber”.

 

Fundamentado no pensamento aristotélico, Tomás afirma que o desejo de conhecer é inato ao homem e que, por isso, o homem deve sempre estar aberto ao conhecimento. Antes mesmo de se conhecer uma coisa de forma específica (um livro, uma teoria, etc.), é preciso se abrir ao conhecimento, deve-se amar o ato de conhecer. Ninguém jamais vai aprender uma disciplina de forma particular (matemática, gramática, etc.) sem antes amar o ato de conhecer. O ato de estudar só se torna algo agradável se o aprendiz, o aluno, amar o ato de conhecer. Se o estudo for apenas uma obrigação burocrática, não haverá uma verdadeira introjeção do conhecimento. Por causa disso, a busca do conhecimento deve ser contínua e constante. Não se deve buscar o conhecimento apenas para atingir um determinado fim (passar em uma prova, arrumar um emprego, etc.), mas deve ser um saudável ato presente no cotidiano. Por esse motivo Lauand (1994, p. 7), comentando O modo de estudar, afirma que a “formação intelectual é mais um contínuo processo do que pacífica posse decorrente de uma ação que se perfaz de uma vez”.

 

Essa perspectiva tomasiana é de suma atualidade. Atualmente grande parte dos jovens estuda para tirar boas notas, para passar em um concurso, arrumar um bom emprego e coisas semelhantes. Estuda-se para se receber algum prêmio, ganhar elogios, etc., mas não se estuda para conseguir conhecimento. Na sociedade atual o conhecimento termina sendo algo periférico e muitas vezes sem valor. O conselho que Tomás deu ao jovem João, ou seja, buscar o conhecimento em primeiro lugar e depois as suas consequências, é de grande atualidade.

 

Baseado no princípio que se deve buscar o conhecimento e não os benefícios que dele possam ser adquiridos, Tomás enumera uma séria de técnicas de estudo. Uma espécie de pequeno manual de estudo. É possível apresentar esse pequeno manual em quatro partes.

 

Na primeira parte Tomás de Aquino recomenda que o aluno aplicado deve “eleger começar, a partir das cosias mais fáceis e não das mais difíceis” (AQUINO, 2009, n. 2). Para ele, o aluno aplicado não deve começar seus estudos pelas questões mais difíceis e complicadas, pois provavelmente vai desistir do ato de estudar. Deve começar pelas mais fáceis, de preferência aquelas que já têm algum domínio. Com isso, ele poderá ir, lentamente, galgando os degraus das dificuldades e ir resolvendo problemas mais complexos. É interessante notar que Descartes, “filósofo com sólida formação escolástica” (SANTOS, 2010, p. 39), afirma, na segunda regra do método, que se deve “dividir cada uma das dificuldades que eu [Descartes] examinasse em tantas pequenas partes quanto fosse possível para poder resolvê-las melhor” (DESCARTES, 2003, p, 23). Há uma grande proximidade entre o conselho que Tomás dá, no século XIII, ao jovem João e a regra de metodologia científica desenvolvida por Descartes no século XVI. É possível vislumbrar uma influência do conselho tomasiano na reflexão de Descartes.

 

Na segunda parte, ele recomenda que “não te apresses” (AQUINO, 2009, n. 3) a chegar a alguma conclusão. Raciocínio apressado e com pouco nível de crítica, geralmente, conduz a conclusões falsas e erradas. Todavia, raciocínio correto, feito com calma, prudência e levando em conta todas as premissas que estão em julgamento, poderá conduzir à conclusão certa. Esse é um ótimo conselho para quem está se iniciando nos estudos e, especialmente, nos estudos científicos. A ciência é feita de calma e de rigor de raciocínio. A pressa é uma forte inimiga do saber científico.

 

Na terceira parte, ele recomenda que não se deve perder tempo com as ”obras alheias” (AQUINO, 2009, n. 8) e, por conseguinte, deve se deixar tempo para o ato de estudar (cf AQUINO, 2009, n. 9). Esse é outro conselho, de grande atualidade, que Tomás dá ao jovem João. Hoje em dia, os jovens perdem muito tempo com frivolidades e divertimentos, mas terminam deixando de lado o que é de mais importante, ou seja, os estudos. É claro que não se deve viver uma vida de reclusão, separado do mundo e da vida. O próprio Tomás nunca recomendou tal atitude. No entanto, não se pode transformar os momentos de diversão na regra geral da vida. A diversão deve fazer parte da vida e não ser a própria vida. É preciso haver tempo para o que há de mais importante, ou seja, estudar.

 

Já na quarta e última parte, ele recomenda que se deve procurar “entender o que lês e ouves” (AQUINO, 2009, n. 14) e, para alcançar esse fim, é preciso “tirar as dúvidas” (AQUINO, 2009, n. 15). Ele emite dois conselhos de suma importância para quem deseja realmente estudar. O ato de tirar as dúvidas e, pois, entender o conteúdo ministrado é o fundamento básico do ato de estudar. É quase impossível haver uma compreensão adequada de qualquer conteúdo temático sem passar por esses dois conselhos. Apesar de serem conselhos proferidos por um sacerdote para um estudante de teologia do século XIII, são conselhos práticos e altamente atuais.

 

Já no segundo subtema, ou seja, a vida espiritual, encontram-se os parágrafos de números 4, 5, 6, 7, 8, 10 e 12, perfazendo, com isso, um total de sete parágrafos.

 

Nesse subtema, Tomás de Aquino recomenda que, para que o ato de estudar seja realmente eficaz, é preciso que o estudante se “ocupe da oração” (AQUINO, 2009, n. 5), procure a “pureza de consciência” (AQUINO, 2009, n. 4) e, por causa disso, seja “amável com todos” (AQUINO, 2009, n. 7). São conselhos que, num contexto de calma e de contemplação, como é o caso de um convento católico, devem ajudar e impulsionar os estudos. São conselhos válidos para todas as épocas e todos os tempos. Mesmo na sociedade contemporânea, marcada pelo espírito secular, são conselhos válidos, pois o Aquinate recomenda que todo estudante deve buscar ter bons propósitos, respeitar as demais pessoas e ter uma íntima comunhão com o criador, ou seja, com Deus. É por causa desse tipo de recomendação que Santin e Oliveira (2010) afirmam que a obra do Aquinate é marcada por uma rara união entre amor e educação. No Aquinate, passar pelo crivo do ato de estudar não é apenas ter o domínio técnico de algum conteúdo intelectual, como acontece na sociedade contemporânea, mas acima de tudo estar apto a amar a Deus e aos homens. Trata-se, pois, de um projeto educacional que é bem mais complexo do que é desenvolvido nas escolas da sociedade contemporânea.

 

Outro conselho inspirador que vem do Aquinate é “imitar o exemplo dos santos e dos bons” (AQUINO, 2009, n. 12). Trata-se de um bom conselho dado por um professor extremamente preocupado com o futuro do jovem aluno. Um conselho que, se colocado em prática, só trata benefícios ao jovem estudante. Trata-se de um conselho ético que inspira uma ação de conteúdo ético. Algo bem diferente acontece na sociedade contemporânea, onde astros da TV e do cinema são postos como modelos para serem seguidos pelos jovens. Astros que, em muitos casos, são alienados, alcoólatras e viciados em drogas. Ao contrário dos santos, esses astros são péssimos exemplos para qualquer jovem. Na sociedade atual, muitos educadores e diretores de TV e cinema precisam ouvir os conselhos de Tomás de Aquino.

 

Por fim, afirma-se que o opúsculo O modo de estudar apesar de ser uma carta publicada no século XIII e destinada, de forma específica, a um aluno, é um estudo de suma importância e atualidade. A sociedade atual debate, com afinco, formas e técnicas para desenvolver, principalmente nos jovens, o ato de estudar. No século XIII Tomás de Aquino, de alguma forma, já havia captado esse grave problema e, dentro de um amplo plano filosófico, desenvolveu simples e eficazes técnicas que, se colocadas em práticas, poderão conduzir um aluno a melhorar o seu rendimento educacional.

 

 

Referências bibliográficas:

 

AQUINO, Tomás de. O modo de estudar. Tradução: Luiz Jean Lauand. In: Cadernos de História e Filosofia da Educação. EDF-FEUSP, v. II, n. 3, 1994. p. 7-13.

O modo de estudar. Tradução: Paulo Faitanin. In: AQUINO, Tomás de. Opúsculos filosóficos. Vol 1. São Paulo: Sita Brasil, 2009.

Sobre o ensino. São Paulo: Martins Fontes, 2001b.

Suma teológica. VI Vol. São Paulo: Loyola, 2001a.

ARISTÓTELES. Metafísica. Rio de Janeiro: Globo, 1979.

DESCARTES, René. Discurso do método. São Paulo: Martins Fontes, 2003.

FAITANIN, Paulo. A vocação ontológica à sabedoria em Tomás de Aquino. In: Aquinate, n. 1, 2005, p. 1-8.

Opúsculos filosóficos: apresentação. In: AQUINO, Tomás de. Opúsculos filosóficos. Vol 1. São Paulo: Sita Brasil, 2009.

LAUAND, Luiz Jean. Estudo introdutório. AQUINO, Tomás de. O modo de estudar. Tradução: Luiz Jean Lauand. In: Cadernos de História e Filosofia da Educação. EDF-FEUSP, v. II, n. 3, 1994, p. 7-13.

LIMA JUNIOR, José Urbano. O discurso teleológico e a consecução da felicidade última: um exemplo da superação do Aquinate em relação a Aristóteles. In: Ágora Filosófica, ano 1, n. 2, jul./dez. 2001, p.136-148.

SANTIN, Rafael Henrique; OLIVEIRA, Terezinha. Amor e educação em Tomás de Aquino: um estudo no campo da história da educação medieval. In: Seminário de Pesquisa do PPE. Maringá: Universidade Estadual de Maringá, 2010.

SANTOS, Ivanaldo. Descartes e o método. In: Método de pesquisa: perspectivas filosóficas. Mossoró: Edições UERN, 2010.

TORREL, Jean-Pierre. Santo Tomás de Aquino: mestre espiritual. São Paulo: Loyola, 2008.

 



[1] Doutor em estudos da linguagem, professor do Departamento de Filosofia e do Programa de Pós-Graduação em Letras da UERN. E-mail: [email protected]


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