PERGUNTE E RESPONDEREMOS 386/julho 1994

Mundo Atual

POLITICA E CRISTIANISMO

 

Os políticos do Brasil estão muito em foco. A razão disto é que nem sempre vêm honrando as suas funções. Isto parece desmerecer a política. Donde a conveniência de uma reflexão sobre o assunto. Afinal, que é propriamente a política?

Política vem do grego polis, cidade. Política é o adjetivo que designa a arte de governar a cidade, promovendo o bem comum; político é o cidadão empenhado na construção material e moral da polis, cidade.

Os gregos estimavam grandemente esta arte, pois tem importância capital para populações e nações inteiras. Daí julgarem que os governantes da cidade deveriam ser os filósofos ou os sábios; estes, sabendo dominar seus impulsos e governar dignamente a sua vida, deveriam saber governar outrossim as cidades. Para o judeu Filão de Alexandria (+44 d.C), o rei é aquele que rege a si mesmo ou se harmoniza de tal modo que está habilitado a reger uma nação: "Somente o sábio é rei. Sendo realmente sábio, é o guia... sabendo o que é preciso fazer e deixar de fazer" (Migração de Abraão 197).

0 Cristianismo pode endossar tais afirmações, acrescentando-lhes os traços decorrentes da perspectiva de fé. Assumir um cargo político é assumir um serviço", ... serviço de amor aos irmãos e renúncia a interesses mesquinhos. O Papa Pio XI chegou a dizer a universitários católicos reunidos em 18/12/1927:

"O setor da política... é o campo da mais ampla caridade, da caridade política; podemos afirmar que nenhuma atividade lhe é superior a não ser a da religião".

Com efeito; o bom político há de ter amor ao próximo e, em conseqüência, interessar-se por todos os setores da sociedade carentes e angustiados; é para tanto que o elegem seus amigos, depositando nele confiança. A sua função não tem outro sentido senão o de servir ao próximo. Por isto pôde o Concílio do Vaticano II dizer:

"Os cristãos idôneos ou os que se possam tornar tais, para exercer a difícil e, ao mesmo tempo, nobilíssima arte política, preparem-se para ela e procurem exercê-la esquecidos do proveito próprio e de vantagens materiais'' (Gaudium et Spes no 75).

Merecem atenção os adjetivos díficil e nobilíssima; este superlativo bem exprime o valor das atividades políticas, por mais penosas que sejam. Estas não devem ser poluídas por conchavos, alianças e acordos que visem a interesses particulares e espúrios, com detrimento dos interesses nacionais. Os católicos que tenham recebido o carisma correspondente são estimulados pela Igreja a participar da gestão política evitando, porém, corajosamente qualquer desvio de finalidade; trabalhar com mãos limpas em meio a convites espúrios é um testemunho que edifica o povo de Deus e a cidade. O fiel católico há de encontrar na sua fé a motivação mais eloqüente para servir com dignidade e nobreza!

E.B.


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