PERGUNTE E RESPONDEREMOS 391/dezembro 1994

Apologética

"RECONHECE, Ó CRISTÃO A TUA DIGNIDADE!"

 

(São Leão Magno)

Todo mês de dezembro faz reviver a celebração de Natal, ... Natal com seu presépio, sua árvore típica, seus presentes... Ao cristão não basta contemplar esses símbolos; sente-se ele chamado a procurar o significado profundo de todo esse aparato visível.

Na verdade, o que celebramos em Natal é muito mais do que folclore; é um evento fundamental da história da humanidade. Com efeito; diz-nos a Escritura que o homem, logo depois de criado, foi elevado à dignidade singular de filho de Deus; devia confirmar-se nesse estado dizendo Sim a Deus, que lhe apresentava um projeto de vida. Ora o homem optou pelo Não, movido por soberba. Conseqüentemente perdeu os dons originais... O Criador podia ter entregue o homem à sua sorte auto-suficiente; em tal caso, Deus se teria deixado vencer pelo mal, em vez de vencer o mal com o bem (cf. Rm 12,21). — Podia também ter perdoado ao homem com uma palavra soberana, semelhante à de um juiz que resolve friamente declarar inocente o réu criminoso. Pois bem; nem uma coisa nem outra ocorreu. O Senhor Deus quis recriar o homem. Sim; assumiu a natureza humana ou tornou-se homem verdadeiro, filho de Adão, a fim de fazer da própria miséria física e da morte do homem o canal para a plenitude da vida; quis dar um sinal positivo àquilo que na vida do homem é fraqueza e dor. Recriou assim de maneira mais estupenda do que criou, pois o contato de Deus com o cotidiano da existência humana não pode deixar de consagrá-la, comunicando-lhe uma dignidade maior do que aquela que os primeiros pais perderam.

Os antigos cristãos ilustravam o fato mediante imagens: quando o fogo penetra uma barra de ferro, torna-a ígnea (o ferro é feito incandescente como o fogo que nele está); quando um óleo aromático penetra um trapo, este se torna perfumado (o pano exala o perfume do óleo). Assim, quando Deus entrou no cotidiano da existência do homem, santificou-a de maneira inédita, fazendo-a comungar com a vida do próprio Deus. Em outros termos: ... fazendo-se Filho do homem, o Filho de Deus quis chamar-nos a ser filhos de Deus no FILHO.

Todo este processo se chama "recapitulação": Deus quis que a mesma natureza humana, que se tornara instrumento do pecado, fosse também o instrumento de sua própria redenção; quis que o des-amor que levou o primeiro Adão à morte, fosse resgatado pelo amor do Segundo Adão; este também caminhou até a morte, a morte mais ignominiosa possível, para fazer da estrada da morte não mais uma via de condenados, mas a senda que leva à ressurreição e à glória.

Tal é o sentido de Natal. Quem o reconhece, há de agradecer profundamente ao Senhor recém-nascido e pedir-lhe as graças necessárias para viver à altura de tão nobre dignidade. É S. Leão Magno (+461) quem nos diz: "O Senhor se tornou carne nossa, nascendo, para que nos tornássemos seu Corpo, renascendo... Apresentando-nos sua humildade e mansidão, o Senhor comunica-nos aquela mesma força com que nos remiu" (Sermão de Natal no 23).

E.B.


Pergunte e Responderemos
Como você se sente ao ler este artigo?
Feliz Informado Inspirado Triste Mal-humorado Bizarro Ri muito Resultado
5 0
PUBLICAR - COMENTAR - EMAIL -  FACEBOOK 
-

:-)