PERGUNTE E RESPONDEREMOS 530 - agosto 2006

 

JULGAMENTO

 

Havia numa aldeia um velho muito pobre que possuía um lindo cavalo branco. Numa manhã ele descobriu que o cavalo não estava na cocheira.

Os amigos disseram ao velho:

 

- Mas que desgraça, seu cavalo foi roubado! E o velho respondeu:

- Calma, não cheguem a tanto. Simplesmente digam que o cavalo não está mais na cocheira. O resto é julgamento de vocês.

 

As pessoas riram do velho. Quinze dias depois, de repente, o cavalo voltou.

Ele havia fugido para a floresta. E não apenas isso; ele trouxera uma dúzia de cavalos selvagens consigo.

Novamente as pessoas se reuniram e disseram:

 

- Velho, você tinha razão. Não era mesmo uma desgraça, e sim uma bênção. E o velho disse:

- Vocês estão se precipitando de novo. Quem pode dizer se é uma bênção ou não? Apenas digam que o cavalo está de volta...

 

O velho tinha um único filho que começou a treinar os cavalos selvagens. Apenas uma semana mais tarde, ele caiu de um dos cavalos e fraturou as pernas.

As pessoas se reuniram e, mais uma vez, se puseram a julgar:

 

- E não é que você tinha razão, velho? Foi uma desgraça seu único filho perder o uso das duas pernas.

E o velho disse:

- Mas vocês estão obcecados por julgamentos, hein? Não se adiantem tanto. Digam apenas que meu filho fraturou as pernas. Ninguém sabe ainda se isso é uma desgraça ou uma bênção...

 

Aconteceu que, depois de algumas semanas, o país entrou em guerra e todos os jovens da aldeia foram obrigados a se alistar, menos o filho do velho.

 

Quem é obcecado por julgar cai sempre na armadilha de basear seu julgamento em pequenos fragmentos de informação, o que o levará a conclusões precipitadas. Nunca encerre precipitadamente uma questão, pois, quando um caminho termina, outro começa: quando uma porta se fecha, outra se abre. Assim é o curso da vida...

 

Isto, quanto a julgar os acontecimentos. Quanto a julgarmos nosso irmão, Jesus é claro: "Não julgueis, e não sereis julgados, não condeneis, e não sereis condenados; perdoai, e sereis perdoados" (Lc 6, 37).

 

E São Paulo: "Por isso, não julgueis antes do tempo; esperai que venha o Senhor: Ele porá às claras o que se acha escondido nas trevas. Ele manifestará as intenções dos corações. Então cada um receberá de Deus o louvor que merece". (1Cor 4, 5).

 

 

Dom Estêvão Bettencourt (OSB)


Como você se sente ao ler este artigo?
Feliz Informado Inspirado Triste Mal-humorado Bizarro Ri muito Resultado
3 0
PUBLICAR - COMENTAR - EMAIL -  FACEBOOK 
-

:-)