PERGUNTE E RESPONDEREMOS 531 – setembro 2006

 

"MUITOS NÃO PUDERAM QUANDO DEVIAM PODER, PORQUE NÃO QUISERAM QUANDO PODIAM"

(Anônimo)

 

Tal é a expressão de uma dura realidade;... a realidade de haver perdido um grande valor por negligência própria. A situação assim configurada não é rara e sugere algumas reflexões:

 

Transitoriedade... As boas oportunidades se apresentam e não voltam; caso não sejam aproveitadas, ficam para sempre perdidas. Consciente disto, exortava o Apóstolo os seus leitores a que não se deixassem dominar pelos valores passageiros deste mundo, pois são insuficientes para preencher o vazio do coração humano: "Passa a figura deste mundo (1Cor 7, 31), pois o homem foi feito para o Infinito ou Absoluto, que as criaturas transitórias velam e revelam: "Não contemplamos as coisas que se veem, mas as que não se veem, pois o que se vê, é transitório, mas o que não se vê, é eterno" (2Cor4, 18).

 

Vigilância... Se tal é a condição do homem sobre a Terra, importa viver cada momento de maneira consciente, como quem dirige sabiamente a sua vida, e não como quem é jogueteado como peteca pelo embate das ondas. A natureza humana tende a se cansar de vigiar e a se entregar à superficialidade de vida. Muitos esquecem o por quê e o para quê existem e vivem unicamente para o momento presente, correndo o risco de despertar tarde demais, quando já não houver solução.

 

Kairós... Este vocábulo grego designa o tempo não apenas como quantidade (chrónos, ou mais dias, mais meses e anos), mas como qualidade; é o tempo oportuno, que tem por preço o sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo. O tempo todo do cristão é Kairós, pois cada minuto tem sua repercussão na eternidade; é um tijolinho que constrói a mansão eterna do homem viandante. Verdade é que o tempo pode parecer às vezes longo e enfadonho: daí a procura de passatempos para "matar o tempo". A quem assim procede é conveniente lembrar que até as horas de inércia obrigatória, marcadas pelo silêncio e o tédio podem ser altamente fecundas, pois o cristão as pode preencher com a oração silenciosa. Com efeito; orar não requer fazer discursos para Deus, mas estar na presença dele em atitude de adoração, que muito fala ao Senhor pois professa a inefabilidade de Deus. "Tibi silentium laus. Para Ti o silêncio é louvor", diziam os antigos.

 

Afim de evitar a grande frustração final, recomenda-se a fórmula: "Viver cada dia como se fosse o Primeiro, o Último e o Único"; isto é: com o entusiasmo beneficamente sonhador do primeiro dia, com a experiência lúcida do último dia e com a sofreguidão santamente ciosa do último dia.

 

"Quereis cantar louvores a Deus? Sede vós mesmos o canto que ides cantar. Vós sereis o seu maior louvor, se viverdes santamente" (S. Agostinho, sermão 34, 6).

 

 

Dom Estêvão Bettencourt (OSB)


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